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Cinzentos

Se há coisa que realmente a vida me tem ensinado é a não fazer grandes planos. Ir vivendo, sem tentar organizar tudo à minha volta - que é uma mania chata que as pessoas com Transtorno Obsessivo Compulsivo têm. Gosto muito dos pretos ou dos brancos. Sim é sim. Não é não. As zonas cinzentas deixam-me ansiosa, nervosa, atarantada. 

Mas depois vem a vida e volta-me a inundar de tons acinzentados, só para me deixar os nervos em frangalhos. Foge-me do controlo, escapa-me por entre os dedos, já não depende só de mim.

Relaxar - dizem que é o segredo. Ando mesmo a tentar deixar-me levar. Custa, mas também entusiasma. Pensar menos e sentir mais. 


Comentários

  1. As coisas não são assim tão lineares.
    Muito pragmático dizer que sim é sim, não é não.
    Eu também me considero uma pessoa despachada, mas em tempos fui, pura e simplesmente, obrigada a parar, esperar e ir buscar paciência onde achava que não existia mais.
    Depois fui obrigada a organizar ou tentar organizar muitas coisas... e não tenho nenhum transtorno obsessivo compulsivo.
    Para mim é um importante sentir e pensar.
    É muito bom deixa fluir... mas dependendo da situação, essa do deixar fluir sem pensar... pode levar a grandes males.

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    1. Concordo. Não pensar leva a muitas asneiras. Divórcio por exemplo não é S?

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    2. Anónima das 13h04, por exemplo, sim!

      Mas eu não falei de ser apressada... Anónima das 11h24, falei de gostar de ter tudo muito definido e organizado. Eu sou assim, metódica e organizada e não gosto quando o meu mundo deixa de o ser. Tem sido um processo aprender a lidar com a inconstância da vida. Não tem mesmo nada a ver com ser imprudente ou não pensar... Porque, apesar de ser uma pessoa intempestiva, nunca fui impulsiva no sentido de ser inconsciente. Pondero sempre o que é importante.

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  2. Huuum....acho que depende tanto do que é que se está a falar. Por exemplo, este ano (e o ano passado) forço-me a não planear muito as férias. Verei mais perto do Verão, não faço grandes planos nem previsões. Mas antes da pandemia, fazer planos permitia uma certa organização, permitia comprar bilhetes mais baratos antecipadamente, permitia saber que ia visitar mais pessoas....
    Numa relação (ou início de relação ou projecto de relação) acho importante saber em que pé se está para não darmos por nós um ano depois numa semi-relação com alguém, sem se saber muito bem em que direção se está a ir, arriscando no futuro a sentir que se andou simplesmente a perder tempo. Por outro, querer controlar tudo na vida, trará apenas em muitos casos a sensação de que se estar perdido quando tudo foge ao nosso controlo. Como disse, acho que depende muito do que se fala. :)

    Tété

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    Respostas
    1. Fala-se de tudo um pouco. :) De um conjunto de situações, na verdade. Eu nunca fui de grandes planos, é certo... Não faço planos a 3 ou 4 anos, por exemplo. Planeio sempre o próximo ano, talvez, nunca mais do que isso. Mas realmente gosto de pisar sempre chão firme... Mas nem sempre é possível. E custa-me mesmo muito lidar com isso, porque sou pessoa de listas, de organização, de coisas bem definidas.

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    2. Eu ficava muito ansiosa quando tinha tudo meio planeado e ia por água abaixo. Quando as expectativas saíam defraudadas. Não sei se aprendi a viver de maneira diferente, mas acho que tento relativizar. Tento, apesar de difícil, que as coisas não me afectem tanto intensamente de maneira a criar ali um ciclo que me seja prejudicial. Não é fácil. De longe. Há dias melhores outros menos bons. Mas acredita nunca há dois dias iguais e há que ter fé que o dia a seguir é sempre melhor!
      Sorrisos!

      Maria

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    3. Ahaha, não estava a tentar tirar nabos da púcara e a tentar perceber se falavas de alguma situação em específico. Embora acredite que em textos destes temos tendência a estar a pensar em algo específico e quem comenta também estará a pensar em algo específico (que na maior parte dos casos não será o mesmo de quem escreveu :P). Eu também sou assim e na verdade o que mais me custa nesta pandemia é esta ausência de planos a curto prazo. Para quem gosta de ter a vida organizada, não é fácil. :D Mas reforço, depende muita da situação: há coisas em que o melhor para nós é planear, organizar, controlar. E há outras coisas em que também não perdemos nada em deixar fluir...O importante é que no fim estejamos bem. :)

      Tété

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  3. Eu criei uma imagem mental de mim a segurar todas as pontas das cordas com que mantenho o controle de tudo. Mas começo a ficar cansado e, às vezes, já me deixo ir na onda do deixa andar. Acho que as pessoas com aquela atitude de "Maria vai com as outras", são mais felizes. Ou, no mínimo, menos preocupadas...

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  4. S*, vê se te identificas com o epicurismo ou estoicismo.
    Acho que vais gostar de aprofundar esta área mais filosófica :)

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