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Contesto!

“Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna; ou melhor não me pergunto, contesto. A resposta eu sei de cor , está estampada na distância e frieza dos sorrisos, na frouxidão dos abraços, na indiferença dos 'Bom dia', quase que sussurrados. Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz. A paixão queima, o amor enlouquece, o desejo trai. Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor, sentir o nada, mas não são".

Sarah Westphall


Roubado à Eunice. Acho que poucas coisas me fizeram tanto sentido.

Comentários

  1. O pressuposto até está correcto, o problema é que as pessoas atingiram um nível de constante insatisfação que querem sempre diferente do que têm. Nem sempre é mais, nem sempre é melhor. Querem é diferente.
    As redes sociais vieram inflacionar esse pensamento. Sobretudo para as pessoas altamente influenciáveis que estão sempre a invejar as vidas perfeitas que o IG e o FB lhe mostram.
    Desiste-se facilmente. Cobiça-se aquilo que apenas parece perfeito, muitas vezes a troco do vazio.

    Procurar a felicidade deve ser sempre uma prioridade, no entanto, a par disso, deve sê-lo também olhar em volta e valorizar o que temos na medida do que deve ser valorizado.

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    1. Concordo. É a chamada pirâmide de Maslow, a pessoa tem as necessidades básicas preenchidas e a partir daí quer sempre mais e mais, satisfazendo-se numa primeira fase com algo que conquista, mas que depois já não lhe serve. É como o "só estou bem onde não estou, só quero ir onde não vou". Acho que se há coisa que a vida adulta nos ensina é que às vezes a vida é mesmo... Só isto. Devemos tentar ser felizes ao máximo, mas também perceber que não há aqui nenhum Santo Graal, muito do viver tem partes chatas, repetitivas, que não queremos fazer mas tem de ser.

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    2. Ai não acho mesmo mesmo nada. É por isso que se vê tanta gente frustrada por aí... Porque se habituam ao "isto".

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    3. Lá em casa temos os dois exemplos opostos. Eu sou das que se contenta com pouco, fico feliz nas pequenas coisas, hoje acordei feliz só porque daqui a um mês é véspera de Natal mesmo se os planos se alteraram e já não vou passar o Natal com a minha família :), procuro ser feliz com o que tenho, valorizar o que tenho, mas até eu (se calhar muito provavelmente à conta das redes sociais) comecei a sentir uma certa insatisfação geral que não me trouxe qualquer felicidade, por isso ando agora a tentar retomar a minha maneira de antes ver as coisas. O meu marido, por seu lado, é um eterno insatisfeito. Cada sonho ou objectivo alcançado dá-lhe um prazer momentâneo substituído quase logo pela insatisfação de ainda não ter conseguido chegar ao próximo passo. Olha para a vida e consegue sempre ver coisas que podiam ser melhores. É a maneira dele ser mas não acho que esta busca por ter sempre mais e melhor do que aquilo que tem o faça mais feliz do que a mim olhar para a vida e achar que aquilo que tenho já é bom e contentar-me com isso. :)

      Tété

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    4. O "isto" significa que há coisas que são assim mesmo e não vamos conseguir andar sempre a pairar de felicidade por tudo o que temos de fazer. Temos de trabalhar durante uns 45 anos da nossa vida, por muito que se "faça o que se gosta", muitos dias vão ser chatos e repetitivos. Isso significa que devemos mudar constantemente de emprego/área/questionar as nossas escolhas? Se tivermos alguém ao nosso lado durante grande parte da vida, vamos ter discussões e divergências, fases mais chatas, isso significa que já não nos amamos e devemos separar-nos e procurar alguém que nos faça sentir borboletas na barriga como nos primeiros tempos? Será por conseguirmos ganhar mais dinheiro e conseguir ir mudando para casas maiores/melhores, comprar malas e sapatos, roupa de marcas melhores que vamos sentir-nos mais felizes e realizados?

      São tudo questões que não invalidam que uma pessoa possa estar de bem com a vida e feliz, sabendo que uma parte dessa sua vida é um bocado "chata", monótona e repetitiva.

      Eu já fui essa pessoas que buscava tudo mais, que a cada conquista ficava feliz um período e começava logo a pensar na seguinte, que se aborrecia na monotonia, mas com a idade e o ser mãe, estou cada vez mais a apreciar os dias simples em que "não se passa nada", em que vamos em família passear ao parque, almoçamos juntos, vemos um episódio de uma série enquanto a miúda dorme a sesta e não se faz muito mais que isso.

      Quando nos acontecer algo verdadeiramente grave (porque irá acontecer a toda a gente, todos teremos - ou seremos nós - alguém próximo que terá uma doença ou que morrerá) é que vamos valorizar essa normalidade e pensar que a devíamos ter aproveitado enquanto durou. Eu prefiro ir fazendo isso já.

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    5. "Será por conseguirmos ganhar mais dinheiro e conseguir ir mudando para casas maiores/melhores, comprar malas e sapatos, roupa de marcas melhores que vamos sentir-nos mais felizes e realizados?"

      esta é algo que me afecta verdadeiramente. tive uma juventude mais dificil, com falta de dinheiro em que todos os tostoes eram contados para chegar ao final do mes. em que a percepção na familia era que o dinheiro é que traria essa felicidade.
      estudei, esforcei-me muito por construir uma boa carreira profissional com esse objectivo. e agora que tenho esse dinheiro, sinto a pressão para o gastar, sinto a pressão interna que é esse dinheiro que me deverá fazer feliz, que talvez se começar a comprar coisas de marcas me vou sentir melhor. é um conflito interno enorme. no verão estive pela primeira vez numa loja de marca a experimentar umas calças de 110€ e so conseguia pensar que aquelas calças não me faziam sentir melhor que as de 25€ que costumo comprar...e acabei por sair da loja sem as comprar.
      fui sempre indo de objectivo em objectivo (juntar dinheiro para o casamento, depois para os carros, depois para a casa), e cada vez que os alcançava tinha a tal felicidade momentanea, e depois tinha de me voltar a focar no objectivo seguinte. Neste momento não tenho qualquer objectivo "grande" e os tipicos objectivos "pequenos" como as coisas de marca que comentam não me fazem sentido.

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    6. Anónimo24 de novembro de 2020 às 12:06 percebo perfeitamente o que diz. No fundo esta discussão é sobre o "sentido da vida". Quando era pequena parecia que os adultos sabiam todos exactamente o que fazer e tinham as respostas para tudo. Agora que sou adulta e mãe vejo que não é nada disso. Toda a gente anda, à sua maneira, desorientada e a tentar descobrir a melhor maneira de aqui andar. Toda a gente vai experimentando coisas que pensam que lhe trarão a felicidade. Mas ninguém é 100% feliz. Toda a gente tem problemas, dúvidas, indecisões, tristezas e cabe-nos saber lidar com isso da melhor maneira possível. Há quem lide com álcool, drogas, relações em série, compras compulsivas, viagens, comida... há todo um conjunto de coisas a que podemos recorrer para nos iludir de que, não há de facto sentido nenhum :D apenas temos de tentar estar o melhor possível aqui para nós e para os que mais amamos, de resto não há respostas certas e não há problema em irmos tentando a ilusão de que há "algo" que será o que nos fará verdadeiramente felizes (embora esse "algo" seja momentâneo e nunca definitivo).

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  2. Compreendo-te perfeitamente. A única coisa que continua a não me fazer sentido nenhum é como é que vos aconteceu isso 3 ou 4 meses depois de um casamento que se via que era tão desejado por ti e que não pareceu nenhum frete para ele. Desejo-te as maiores felicidades.

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    1. Entendo a sua questão, mas nem me referia ao meu casamento. Que obviamente não terminou em três ou quatro meses, foi um processo que se desenrolou no tempo. Nunca nos devemos contentar, apenas isso. Felicidades!!

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    2. Nunca nos devemos contentar? Quem nunca se contenta vive na eterna insatisfação porque nunca nada é suficiente.

      Devemos sempre estar contentes, porém, sem conformismo.

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    3. Mas eu estou sempre contente. Acho que confundem muito eu partilhar estas coisas com estar infeliz. Eu estou óptima.

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    4. Se estás óptima, ainda bem.

      Só não concordo com o “nunca nos devemos contentar”... meio caminho andado para nunca conseguir estar plena.

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    5. Eu não acho que estejas infeliz e pareces estar bem e consciente da tua escolha. Estas partilhas parece é que buscas algo que não sabes bem o que será e que se calhar não existe. Uma constante felicidade/entusiasmo/emoção que é impossível ter de forma regular na vida.

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  3. Estes comentários de anónimos, pobre S, nunca tens sorte nenhuma com eles xD. Eu percebi a intenção da frase, trata-se de viver com paixão, não de estar eternamente insatisfeito <3
    Blog: Life of Cherry

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  4. Nem todos são corajosos como tu! Mulher incrivel!

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