Disputar animais em Tribunal

Nos últimos dias têm vindo a público um conjunto de notícias sobre um casal que disputou em tribunal a guarda de uma cadela. Na caixa de comentários, há gente para tudo: os que entendem perfeitamente; os que adoram animais, mas acham "um exagero"; os que gozam com a situação e até os que ridicularizam o facto de os donos sequer perderem tempo com isto.

Do fundo do meu coração, não consigo entender quem não entende.

Estamos em finais de 2019. Os animais já não são vistos como "coisas". Os animais de estimação são, cada vez mais, parte integrante das famílias. Nunca se investiu tanto no bem-estar animal. Nunca os animais foram tão acarinhados - apesar das horrorosas e numerosas excepções.

Vai daí, não entendo quem não consegue entender. Se um casal se separa, não é suposto discutirem quem fica com os animais? Não é suposto sofrerem com a ideia de perderem o seu companheiro de aventuras? 

Nessas coisas, aqui em casa, somos muito claros. Temos três gatas e um cão. As gatas são minhas, apesar de termos adoptado de forma conjunta - eu é que as quis, eu é que sou apreciadora dos felinos, eu tenho uma relação mais próxima das gatas, eu trato diariamente delas. Ele costuma dizer que aceitou ter um gato... E eu arranjei quatro (uma faleceu!). O cão é de ambos, foi adoptado numa decisão de ambos... Mas eu desenvolvi uma relação muito estreita com o cão, ele tem mais respeito por mim.... E, um dia (Deus queira que não aconteça), se nos separarmos, espero que o marido tenha o bom senso de reconhecer que o cão é o meu eterno bebé. Não é linear, claro, mas ele sabe que eu tenho uma adoração muito particular pelo meu Pirata. Mas, da minha parte, poderia visitá-los quando quisesse. Os gatos não gostam de sair de casa, mas o cão iria passear com o dono sempre que quisesse(m). 

Comentários

  1. Separei-me ontem e só consegui trazer 1 gato, deixei para trás, mais um, duas cadelas, 8 Kakarikis e 21 galinha.
    O que fiquei com mais pena foi o outro felino, que só tem 4 meses.
    É dificil, acredita.
    Boa semana.

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  2. "E, um dia (Deus queira que não aconteça), se nos separarmos, espero que o marido tenha o bom senso de reconhecer que o cão é o meu eterno bebé." É exatamente por isto que é necessário o tribunal para resolver estas questões.

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    1. Não creio que se deva chegar a tanto. No caso do caso que esteve em tribunal, foi reconhecido que o ex companheiro adorava a cadela, mas apenas avançou com pedido de guarda partilhada quando a senhora arranjou novo namorado...

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    2. Exacto, faz todo o sentido. Tendo ela um novo namorado, será muito desagradável ele poder visitar ou passar tempo com o animal. Nem tudo tem de ser visto numa lógica bélica.

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    3. Anónimo das 9h00, talvez não tenha percebido. O Tribunal atribuiu a guarda da cadela à senhora porque deu como provado que o ex-companheiro apenas estava a discutir a guarda do cão por ciúmes. Lógica? nenhuma.

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    4. Mas no teu caso, que não há-de acontecer claro, seria justo o teu marido ficar sem nenhum animal (eu sei que podia visitar e passear o Pirata mas não é a mesma coisa, certo? :) )?
      Tété

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    5. Tété, claro que não é justo. Por isso mesmo não é linear. No caso das gatas, seria linear, pois efectivamente eu é que nutro uma relação emocional com os felinos. O próprio marido admite perfeitamente que as gatas são minhas. No caso do cão, teria de ser ponderado - embora ambos consigamos reconhecer que eu tenho uma relação especial com o bicho. Mas eu entenderia perfeitamente se ele quisesse ficar com o cão. Nesse caso, guarda partilhada, pois o amor que tenho por este cão é inexplicável.

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    6. S* Não é ilógico quando o Tribunal se apercebe que o interesse naquele bem - o cão é nenhum, e de que, na verdade só o queria - ou metade - para assim didicultar a vida da ex-companheira.

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  3. Eu acho perfeitamente normal ver um cao como parte da familia e como tal, nao me parece descabido disputar a guarda do animal.. Acho triste que nao consigam chegar a uma decisao sem meter tribunais ao barulho, mas tal como com os filhos, nem sempre 'e possivel.

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  4. Separada do dono do cão desde 2012! Ainda hoje anda de uma casa para a outra, com a vantagem de raramente ter de ir passar uns dias ao hotel dos cães porque os donos não passam férias juntos. Super feliz! Tem o melhor dos dois mundos e as maiores receções da Família e Amigos quando está. Sem stress de nenhuma das partes e com muita gente, no início, a apostar que isto ia dar para o torto. Não deu :) - e não é agora que o nosso cão está velhote que vai passar a dar! Sejam felizes e não chateiem os desgraçados dos animais - esses sim, não têm culpa nenhuma das escolhas que fazemos!

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  5. Penso igual a ti. Essas pessoas que criticam, não gostam de animais.

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  6. Deveria imperar o bom senso e não ser preciso recorrer a tribunal.
    Guarda conjunta, porque não?

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    1. Não vejo qualquer mal. Pelo contrário. Para os cães. Já os gatos não admitem tal coisa...

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    2. Depende dos gatos, S. Tive um gato que até foi de férias para o estrangeiro comigo, nem todos os felinos são ariscos. Depende da socialização do animal

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  7. Eu acho que tens razão, mas eu também achei engraçado! Engraçado por tudo, por ser preciso ir a tribunal, pela forma como a comunicação social tratou do caso! Mas acho perfeitamente compreensível, eu também gosto de animais e choro por eles! Ao ponto que quando eles morrem, eu digo sempre que não quero mais!
    Neste momento tenho apenas uma gata!

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  8. Se se discute em Tribunal a divisão de coisas não vejo o porquê de não se discutir quem fica com os animais, que não são coisas.
    Quanto ao alegado bom senso que deveria haver, muitas vezes haverá e desses casos não ouvimos falar. Mas se as pessoas nem relativamente aos filhos conseguem ter bom senso...

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    1. Sim, se o cão é considerado coisa ou entidade com direitos, na falta de acordo, venha o juiz bater o martelo.

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  9. "Os animais de estimação são, cada vez mais, parte integrante das famílias." Bom, isto não faz com que as pessoas que não sentem empatia com os animais passem a perceber esta questão de ir a tribunal disputá-los. Nós não passamos a gostar mais de animais e a entender quem os trata como família, só porque (felizmente) eles estão a ser cada vez menos vistos como coisas. Mas a mim não me choca nada. Para ser franca, acho piada. Desde que o animal seja bem tratado, façam lá as disputas que quiserem.

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    1. Disputa-se em tribunal o que realmente importa. A lógica é essa. Ou deveria ser essa. Os animais importam. Mesmo que não sintas empatia, deves reconhecer que importam. :)

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    2. Se há pessoas que disputam casas, carros e bens no geral, sem comentários jocosos, não percebo porque é que seres vivos geram piadas.

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  10. Não me parece necessária essa disputa uma vez que os animais tem dono, que consta no registos do mesmo animal, e é o responsável pelo animal e pelos seus actos, por isso o animal é do dono.

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  11. Não deixa de ser curioso que depois de tanto palavreado bonito sobre os direitos dos animais e serem parte da família, apenas penses em ti e, em caso de divórcio, tenhas a ideia de ficar com a "guarda" de todos os animais... muito equitativa...
    Agora imagina a refazerem as vossas vidas e o teu suposto ex-marido ter que fazer a vida dele em função das tuas vontades e horários para estar com o cão que também é dele... Quer dizer, até percebo que não te importes mas se imaginares o oposto também não te importavas? Eu imoortava-me de ficar numa situação tão claramente desequilibrada e considerava uma valente injustiça.

    É por isso que as pessoas vão a tribunal. Habitualmente é porque há alguém que é incapaz de se descentrar e pensar além do próprio umbigo. Habitualmente é com os filhos, ignorando o que é melhor para eles. Como também há amantes de animais que são egoístas e egocêntricos claro que há necessidade de fazer o mesmo com a guarda dos animais de estimação... E pelo que descreves não sei se não entras precisamente nessa categoria

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    1. Talvez não tenha entendido, por isso vou repetir: as gatas são minhas. Ele diz que são minhas. Ele sabe que são minhas. As gatas são um gosto e um amor meu. Quanto ao cão, ninguém disse que ficaria comigo - apenas referi o facto de eu e ele sabermos que eu tenho uma relação mais estreita e apaixonada com o bicho.

      Quanto às suas divagações... olhe... boas festas!

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  12. Concordo contigo. Tenho uma cadela e, se alguma vez a minha relação der para o torto e pensarmos em separar-nos, não me imagino a estar sem ela. Foi treinada por mim (sou o elemento disciplinador da casa, enquanto que ele é o elemento brincalhão), mas entre os dois há harmonia. Esta cadelita faz parte da família (é a nossa filhota peluda) e nem quero imaginar como seria.

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