terça-feira, 31 de outubro de 2017

"Oh coitadinho..."


Sou uma mãe toda relaxada e que se deixa afectar por muito pouco. Muito pouco, mesmo. 

Mas se há algo que me mexe com os nervos é o síndrome do "coitadinho".

O bebé é um "coitadinho" por tudo e por nada. Se chora, é porque algum drama se passa. "Eu cá não sei, mas parece-me fome"... "Eu acho que é sono..."... "Hum, eu pressinto que é sede...", "Quiçá seja frio?".

Eu é que sei se o bebé tem fome - as mamas são minhas e eu é que sei o que ele mama delas. Eu e o pai é que sabemos se tem sono. Se tem sede. Se tem frio. Se tem dores de barriga. Se está apenas chato. Se é birra.

Optei por ignorar (cagar de alto, vá!) para as opiniões alheias. Acreditem, é a melhor coisa a fazer. Eu opto pelo meu sorriso nº 256, aquele que faço de forma condescendente, ao género "sim, sim, está-me a entrar por um ouvido e a sair pelo outro" e nem respondo. Sou tão mais feliz assim.

29 comentários:

  1. Por aqui é mais 'coitadinho do menino', frase que a minha família repete até à exaustão pelas mais variadas razões. Mas sinceramente já não me afecta particularmente, depois de anos a ouvir os meus amigos dizerem 'coitado do Pedro' já desenvolvi resistência à expressão :P

    E na verdade acho importante haver alguém que faça esse papel, quer pelos nossos filhos (que por vezes também precisam de se sentir 'mimados' nesse sentido), quer por nós (que não somos donos da verdade, não sabemos tudo, podemos enganar-nos e somos parciais no que concerne aos nossos filhos). É claro que ninguém conhece os nossos filhos melhor do que nós, mas também é importante ouvirmos as pessoas que já passaram pelo mesmo (por crianças diferentes, é um facto, mas mesmo assim por crianças) e tentarmos perceber se faz algum sentido. Em última análise, é sinal que querem envolver-se no crescimento dos nossos filhos e que estão preocupadas :)

    Digo isto porque as nossas famílias estão longe, e às vezes sinto falta de alguém que diga 'coitadinho do menino' :P

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    1. Parabéns pelo comentário carregadinho de bom senso que aqui escreveu.
      (Já existem poucas mães assim).

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    2. Joana, por acaso não me referia a família. Mas sim, a família também opina. Mas sabes que quem nos criou já não está a par das novas "regras". Antes não se sabia que o mel fazia mal. Antes dava-se açúcar e sal (ou não se dava, sei lá eu). Antes não existia, digo eu, uma tabela tão específica sobre o que se pode comer, quando e como. As coisas evoluem. A minha mãe, por exemplo, acha super estranho um bebé que beba leite materno não beber água. Fica mesmo incomodada com isso... mas tu, como médica, sabes que é essa a "nova" indicação. A minha mãe e a minha tia são do tempo em que os bebés dormiam de lado... e agora, como sabes, aconselha-se a que durmam de barriga para cima. As coisas mudam. :)

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    3. Desculpa, não terminei. Obviamente que me refiro aos ensinamentos dos mais velhos. Os pais recentes têm provavelmente as mesmas indicações que eu... mas como só conheço dois bebés (o meu sobrinho e de uma amiga), não tenho assim muitos "ensinamentos" de malta mais ou menos da minha idade. Tenho é muita teoria/prática de gente que não conheço de lado nenhum ou com quem não tenho confiança. ;)

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    4. Acho que mais importante do que se diz, é a forma como se diz. Pessoas que conseguem transmitir a opinião/conselho sem ser de forma autoritária ou a insinuar que os pais são parvos, tudo ok, de contrário, é sorrir e acenar.

      AnaC

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    5. Eu compreendo a Joana e a S*. A Joana está a assumir o "coitadinho do menino" como um gesto de carinho. A minha avó é especialista nisso em relação ao meu irmão. "Foi ao cinema? Coitadinho do menino", "Foi de férias com os amigos? Coitadinho do menino", "Está doente? Coitadinho do menino", "Tem um teste? Coitadinho do menino", "Está de castigo? Coitadinho do menino", "Não pode comer chocolate antes do jantar? Coitadinho do menino que tem fome". Para o bem e para o mal, o meu irmão era sempre um coitadinho dito com muita ternura. :)

      Mas efectivamente há quem se lembre de soltar um "coitadinho" como uma abreviação de "coitadinho dele com a mãe/pai que lhe calhou que não o alimenta/veste/acarinha/dá colo, etc, etc". :) E este é "coitadinho" é mais invasivo, mais "julgador" do que propriamente ternurento. :)

      Joana, também estou longe da minha família mas no nosso caso o skype serve para muita coisa, até mesmo para a Mini-Tété ouvir "coitadinha" por parte dos avós e bisavós. No vosso caso não ajuda? :)

      S*, confesso que achei alguma piada ver o que escreveste sobre a geração mais velha porque me lembro de se falar disso quando ainda estavas grávida. Se não me engano referias que se essa mesma geração nos tinha criado, então não havia razão para não se confiar totalmente que conseguissem ficar com os netos (perdoa-me a falta de exactidão de palavras :) ). E um dos argumentos que alguém deu (não me lembro se fui eu, esta cabeça está a ficar velha) era mesmo esse, que há coisas que mudam e que nem todos os avós aceitam isso. Pelo que percebi a tua família aceita mas eu por exemplo conheço casos que não aceitam as novas indicações e fazem tudo como antes faziam, mesmo contrariando os pais, o que não torna o ambiente nada fácil. :)

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    6. Em relação aos comentários da família, eu aprendiz a relativizar muuuuito. O Matias não come açúcar nenhum (literalmente, nem sequer come papas de compra, eu faço em casa com cereais integrais e fruta), e no entanto os meus pais dão-lhe açúcar, sal e mais um par de botas e eu não me meto. Faz parte. Quando eu era miúda tinha uma tia que me entupia em Tulicreme e hoje em dia é uma das minhas memórias mais felizes de infância :) Mas é claro que isto é muito fácil quando estás com a família só uma vez por mês, o que é o nosso caso.

      Em relação aos outros, não me aborreço nada. Acredita que este tipo de considerações continua, e se fores ficar melindrada com o assunto não fazes outra coisa e só te dá chatices. As pessoas não fazem por mal e presume-se que estejam genuinamente a tentar ajudar (mesmo que às vezes até sejam brutinhas a fazê-lo). Honestamente a mim preocupa-me mais que as pessoas NÃO intervenham. Já vi crianças a serem maltratadas e agredidas ao lado de adultos que assobiarem para o lado. É claro que também já ouvi coisas desagradáveis de outras pessoas em relação ao que faço com o meu filho (assim de repente ocorreu-me a vez em que uma senhora me disse que estava a expor o meu filho ao perigo por deixá-lo fazer uma festinha num cão e a vez em que dois velhotes mandaram vir porque o miúdo andava a correr no oceanário), mas em ambas percebi o outro lado da questão, percebi de onde aquilo vinha e agradeci. Mas há situações e situações, claro.

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    7. Joana, acredita que não tenho NADA contra os açúcares. Sei perfeitamente que se devem evitar nos primeiros anos, mas não creio que vá seguir à risca... a minha questão com a alimentação é apenas "dão aquilo que eu levar para darem". Não juntam sal ou açúcar a nada. Dão aquilo que eu e o pai definirmos. Apenas isso. Os alimentos novos queremos ser nós a introduzir. :) Não stresso nada com isso, apenas não quero que adulterem aquilo que nós confeccionamos. Muito menos que me digam "ai ele não estava a comer bem a sopa, por isso passei logo para a fruta". Acho que assim só estamos a aumentar o problema e não quero contribuir para eventuais problemas com alimentação. Se não quer a sopa, também não come a fruta. É assim que temos feito. Se não quer a sopa, come daí a uma hora... mas come. E se não comer, come leite. Não passa logo para a sobremesa. :)

      Quanto ao resto, eu não me referia a família, acho que já indiquei isso... Acredito perfeitamente que as outras pessoas e especialmente os "mais velhos" podem ser uma excelente ajuda... mas também acho que temos o direito a tentar fazer à nossa maneira. Aprendendo com os nossos erros.

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    8. Tété, confio plenamente na minha família mais velha para cuidar do meu filho... embora saiba que a mãe, a tia e a sogra tinham outros hábitos e que havia coisas que não sabiam na altura. Como a questão do mel ser tóxico... a minha mãe não sabia. Nem eu. São coisas que se vão aprendendo e novos ensinamentos que a medicina nos traz. :)

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  2. Tambem não gosto que opinem, e cada pai/mãe sabe oq ue e melhor para o seu filho, mas os bebes qd choram têm sempre um motivo, basta um pequeno desconforto, uma comichão até. Um bebe da idade do teu não faz birras. O choro de um bebe tao pequeno pode ser 1001 coisas, mas birra não é, basta perguntares ao teu pediatra.

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  3. :) É mesmo isso!
    Para muita boa gente o meu filho mais velho passou tanta "fome", coitadinho. Apesar de estar visivelmente acima do peso e altura (e de ter umas boas bochechas e pernocas).
    Já com o segundo filho pouca gente opina... e este até é "magricelas" menos gordo, vá! (comparando com o mais velho é um lingrinhas)
    Vá-se lá perceber! Agora sim, tinham motivo para chamar a proteção de menores (pouco faltou, dada a quantidade de pessoas que me criticavam diretamente). Acho que ficam mais moderados na segunda ronda (ou então deixei de ouvir).
    Cagando e andando, como se diz na minha terra.
    Felicidades!!!
    SM

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    1. SM, são coitadinhos por tudo e por nada. É só isso que me chateia. :P

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    2. Acontece que certas mães alem de não terem experiência, não tem quem as aconselhe!Eu já assisti num hiper,um calor horrível,um bebê a chorar,todo vermelho,e uma senhora chamou a atenção da mãe que podia ser sede,a mãe deu água (tinha no saco),a sofreguidão com que o bebê bebeu,deixou-me incomodada)!Para nem falar no excesso de roupa que tinha vestido dentro da loja!Portanto,como vê não é assim tao LINEAR,as mães saberem sempre tudo!Para terminar,dizer que a criança se calou,foi despido o casaco e matou a sede!

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    3. "Coitadinho" nem sempre é no mau sentido. Mas que irrita, irrita, e é apenas uma expressão!
      O anónimo das 18:23 tem razão. Há muitas coisas que nós, que nos apelidados de "super mães", não sabemos (ou não nos lembramos).
      Infelizmente vivemos cada vez mais sozinhos (rodeados por tanta gente anónima). Já não há partilha de experiências, nem há como aprender, pois as crianças estão em "vias de extinção".
      Senti essa falta de apoio qdo amamentei pela primeira vez. Diziam-me "coitadinha não tem leite suficiente" mas ninguém me dava dicas. Aprendi à minha custa, afinal tinha leite, era inexperiência. Grande parte das (poucas) mães à minha volta desistiu de amamentar, como poderiam ajudar se também não sabiam?
      SM.

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  4. Eu tenho um problema com a palavra "coitadinho" em geral, mexe-me com os nervos =P Como se diz na minha terra, "coitadinho era o Zé Maria que era corno e não sabia".

    Não ligues mesmo (;

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  5. Eu penso que as pessoas dizem coitadinho porque se preocupam com o bebé.
    Não é por mal.

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    1. Bem sei que não é por mal... mas quando, de alguma forma, colocam em casa a análise dos pais, chateia...

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  6. Devemos todos cagar nas opiniões dos outros, assim somos muito mais felizes.

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  7. Eu própria digo às vezes "tadinha" da menina/o mas não é com a conotação de desgraçadinho, é mais uma forma carinhosa de os tratar, do género "que riquinho", e não me importo que o digam aos meus.. E não é pelo facto de sermos "automaticamente" mães que sabemos de imediato tudo sobre os nossos bebés, todos os sinais por exemplo. Aí é bom ter o conselho de outras maes, avós, tias, vizinhas mais experientes.

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  8. O bebé é vosso, logo são vocês que melhor o compreendem e sabem de que precisa. Infelizmente as pessoas têm mesmo a mania de se meter em tudo... Beijinhos*

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    1. Os bebés são dos pais, mas os bebés não trazem livro de instruções nem os pais ficam com todo o conhecimento do mundo porque o são.
      Vejo pais/mães que assim que têm um filho passam a ter o comportamento do "eu é que sei/conheço/faço", às vezes a única coisa que conseguem é que pessoas que podiam ser importantes (tios, tias, primos, vizinhos até) se afastem perante isso e não criem laços de afectividade com a criança e isso é muito mais importante do que os pais ficarem melindrados com certos comentários (não estou obviamente a falar de totais despropósitos).
      Os filhos são nossos mas também é importante serem acarinhamos e amados por outras pessoas.
      Sim sou mãe, já ouvi muitos comentários que não me serviram de nada, mas outros ouve (por exemplo o bebé mamar eu achar que estava bem, mas efectivamente ficar com fome porque precisava de mais um bocadinho - no caso suplemento porque as maminhas não davam mais) que serviram. Podemos sempre ouvir, ponderar de mente aberta se não se poderá daí retirar algo de positivo.

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  9. Não quero parecer dramático mas esse sentimento que alimentas hoje irá piorar com o passar dos anos. Quando somos novos só queremos mudar o mundo e torná-lo um sitio melhor, mas depois, sem que a gente consiga dar muita conta disso, já só queremos distância dele. Acho que fazes muito bem, a condescendência funciona sempre e deixa todo o mundo feliz e enquanto estiverem felizes ninguém sentirá vontade de te incomodar... :)

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  10. Não tenho filhos, mas mesmo sem os ter não é difícil perceber que é um assunto em que tooooda a gente tem sempre algo a dizer, aconselhar, um reparo a fazer. E mesmo não sendo nada comigo (por enquanto) tamb ém é coisa que me enerva um bocado, confesso.
    No que toca a bebés e a tudo em geral, pessoas que se acham donas da razão mexem-me com o sistema nervoso =).

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  11. É certo que é uma forma saudável e relaxada de levar a coisa, e até a considero bastante correta, mas entendo também que, no meio de tanta barbaridade que possas ouvir, pode haver também que saiba bem - e até melhor que tu ou o teu companheiro (por muita que possa custar admitir) - o que a criança pode ter. Nunca nos devemos achar mais sabedores que os outros, penso. Há que haver um filtro para distinguir o que é patético e o que pode até ter alguma ponta de verdade. Não estou a criticar a tua forma de levares as coisas e acho mesmo que essa naturalidade com que proteges o vosso filho é muito correta e positiva (acho que as mulheres estão naturalmente formatadas para isso)e aplaudo a tua capacidade de gestão de tudo, mas penso também que há que haver alguma calma e capacidade de ouvir, sendo que dar ou não relevo ao que os outros vos dizem passa, então sim, a depender de vocês. Nem tu estarás sempre certa, nem os outros estarão sempre errados. A vida é mesmo assim. :)

    Joana (verdevermelho.blogs.sapo.pt)

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    1. Comentário muito sensato. Subscrevo :)

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    2. É isto mesmo. Eu, instintivamente, quando oiço um bebé chorar, pergunto-me o que terá? Se conheço os pais, é normal falar sobre o facto. É só genuína preocupação e tentativa de ajuda. E isso do "coitadinho" está enraizado em mim, como em muitos portugueses. Somos muito de "inhos" e "inhas", sem querer dizer que isso seja mau. É só costume. Agora isso de levar a mal o que as outras pessoas dizem sobre os nossos filhos, é uma moda, uma nova forma de protesto. As pessoas opinam sobre tudo, e muitas vezes só querem ajudar. Não levem a mal, podem agradecer e não ligar mas dizer que "cagam de alto" e "os pais é que sabem" é só estar a gastar energias com coisas parvas. Menos.

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  12. Confesso que tambem nao gosto ! Entao aquela frase do "tem fominha" mesmo que eu diga que acabou de comer... �� sobretudo quando amamentamos e as pessoas nao podem ouvir o bébé chorar porque tem fominha... O leite deve ser fraco ! ����

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