terça-feira, 13 de junho de 2017

O parto! #1


Tenho de confessar: sinto uma orgulho enorme pela forma como conduzi o trabalho de parto. Sinto mesmo. A calma com que abordei a gravidez foi a mesma calma que senti ao longo de todo o trabalho de parto (com a devida excepção para a altura da epidural).

Como escrevi diversas vezes, vivi uma gravidez calma, tranquila, sem stresses, sem problemas de maior. Uns ligeiros incómodos, umas dores de ossos, alguns dias de cansaço mais intenso, insónias, mas nada que me incomodasse particularmente.

O Rafael estava previsto para 19 de Junho, segundo as contas iniciais. Ou 16 de Junho, segundo a médica do particular. Nasceu a 30 de Maio, três semanas antes, de forma absolutamente espontânea e imprevisível.

Faltavam poucos minutos para as 5 da madrugada quando acordei com uma dor muito forte, intensa, que durou cerca de um minuto. Como se fosse uma cólica aguda. Chegou e veio, por isso não dei importância e voltei a adormecer. Passados cerca de vinte minutos, nova dor. Foi aqui que assumi que podiam ser contracções. A segunda dor já foi mais ligeira e de duração mais curta, voltei a tentar dormir. Quando senti a terceira dor, passados poucos minutos, é que resolvi levantar-me, ir até ao quarto-de-banho, lavar o rosto e tentar entrar em modo "sobrevivência".

Fui à cozinha, arrumei a louça que tinha no escorredor. Arrumei umas coisas na sala e resolvi acordar o mais-que-tudo. "Amor, quero que tenhas calma, provavelmente não é nada, mas já senti três dores fores, acho que são contracções. Quero estar acordada para ver se voltam e se são regulares". Claro que ele não ficou calmo, mas portou-se muito bem. Foi um santo.

Mandei o rapaz levar o cão à rua. Fui recolher uma roupa que tinha a secar na varanda. Tomei um banho, tentei relaxar, enquanto sentia contracções - regulares, mas não propriamente dolorosas.

Disse ao meu rapaz para meter as malas no carro, mas estava convencida de que seria falso alarme e apenas contracções preparatórias.

Perto das 6h30 da manhã arrancamos para o hospital. Esperei na triagem, fui vista, enviaram-me para obstetrícia. CTG feito, contracções registadas. "E então o que a traz por cá?", perguntou-me o Dr. Márcio. Disse que sentia contracções de cinco em cinco minutos, mas ele garantiu que "o CTG não mostra isso", apesar de assumir contracções. Bom, estarei maluca?

Quando me foi analisar, upssss, afinal já tinha rompido a bolsa de águas. Nem dei por ela. Não senti nada, não tive qualquer corrimento - ou não reparei, visto que ia ao quarto-de-banho de hora a hora... 

"Você já não sai daqui, é para ficar internada". Gelei. Ainda por cima estava separada por uma cortina do meu homem, nem o podia ver. "Ainda está muito no início, mentalize-se para demorar muito tempo. Talvez só amanhã". Meu Deus, eram cerca das 8 da manhã e o médico a dizer-me que talvez só nascesse no dia seguinte... Confesso que fiquei aflita, estava a contar com um parto de sonho, de meia dúzia de horas e uma dúzia de "puxadelas".

A partir daqui entramos em modo "piloto automático". Pedi ao mais-que-tudo para avisar a minha mãe e pedi para ela informar a minha irmã e a minha tia. Informei colegas de trabalho e amigas mais próximas por mensagem escrita. O homem foi ao carro buscar as malas. Eu segui com uma enfermeira que registou os meus dados, que me colocou diversas questões, que me falou da amamentação, da epidural, de tudo o que foi mais relevante para o antes e o pós parto.

Foi mais ou menos por esta altura (e depois do toque do médico) que as dores passaram de toleráveis a agonizantes. Eu levanta-me, eu baixava-me, eu inclinava-me, eu sentava-me, eu já não tinha posição e as contracções teimavam em ser de cinco em cinco minutos.

Perto das 9 horas, enviaram-me para um quarto, que funcionaria como o meu bloco de partos. Foi aí que tudo aconteceu...


34 comentários:

  1. Boa!
    A minha gravidez também foi maravilhosa e o parto foi santo. Demorou mais porque ela estava muito em cima, mas a dilatação foi rápida e correu tudo super bem.
    Já o pós parto...foi horribilis, mas não foi traumatizante...mas doloroso...durante uns dias nem me podia sentar :(

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  2. Quero ver como vai ser a segunda parte deste post que até aqui, parece tudo a correr "bem"!

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  3. Nunca nada corre como planeamos lol Mas o que interessa é que tudo correu bem :-) Eu queria um parto normal e fiquei tão triste quando de disseram que ele estava sentado e como era grande já não ia ter espaço para dar novamente a volta... No fim tudo correu bem, data marcada, cesariana feita, e ouvir o choro dele foi uma emoção tão grande que chorei "sozinha" de felicidade :-D

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  4. Eu ainda não sou mãe, mas confesso que o que mais me assusta é mesmo o parto :o

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  5. Cê foi corajosa, amiga! Com apenas 19 anos, eu perdi muito tempo chorando...

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  6. Adoro a maneira como relativizas tudo e a maneira descontraída e despachada como lidaste com a gravidez, e agora com um parto - um grande exemplo, especialmente para quem ainda não passou por isso e morre de medo das histórias aterradoras que ouve contar sobre esta fase da vida! E já agora parabéns pelo Rafael, que é um menino super lindo e fofinho e parece ter tudo o que precisa para uma vida em grande!

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  7. Muitos parabéns e é assim mesmo que tem que ser com muita calma :D

    Beijinhos,
    O meu reino da noite ~ facebook ~ bloglovin'

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  8. Eu também ia muito relaxada para o parto. Já tinha visto dezenas de partos ao vivo, sabia bem ao que ia, não me fazia confusão nenhuma... Acho sinceramente que estar habituada (ou dessensibilizada) aos partos ajudou bastante a que me mantivesse calma, e por isso sugiro sempre às minhas amigas 'não-médicas' que vejam vídeos de partos :P

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    1. Tal e qual. Nem pensei no parto!

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    2. Engraçado que eu digo precisamente o oposto. Acho que para uma grávida que só veja 1 ou 2 partos dificilmente fica dessensibilizada e um parto visto no youtube, por exemplo, sem que a pessoa perceba nada do que está acontecer e do que pode ser normal ou não, do que pode ser doloroso ou não acredito que possa fazer muito pior do que não ver algo tão gráfico.
      Claro que também depende da pessoa e da sua sensibilidade.

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    3. Bem, não tinha pensado nisso. Na verdade eu não vi um ou dois, vi uns cinquenta. Mas vi ao vivo e a cores, no meio da acção, a perceber o que se passava (quer dizer, mais ou menos, ainda era estudante)... Eu vi fórceps, eu vi ventosas, eu vi cesarianas, eu vi partos deitados, eu vi partos sentados, eu vi partos lindos e partos bem menos lindos, eu vi episiotomias... Enfim. Sinceramente não sou das médicas mais frias com estas coisas (não é à toa que acabei numa especialidade sem 'nojices'), mas acho que ver tantos partos ajudou-me. E às minhas amigas também ajuda. Mas presumo que dependa das pessoas, claro. O meu lado mais controlador ficaria em paranóia se não soubesse o que se passava, mas talvez outras pessoas fiquem mais ansiosas sabendo o que esperar :P

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    4. Joana, falo por mim: eu não quis saber de nada. Não quis mesmo ver partos, ler sobre partos, pois sabia que ficaria mais nervosa. Assim como não quis que me explicassem "vamos fazer-lhe um corte" (nem perguntaram, na verdade, na altura!), pois ficaria mais nervosa. Também não quis saber se o médico fez uma manobra que algumas pessoas consideram "violência". Creio que usaram fórceps (três ou quatro médicos disseram que devem ter usado, pois o bebé nasceu com a cabeça mais "oval" e esticada e ficou com uma "bossa". No relatório diz que não usaram nada, mas eu senti que, pelo menos em mim, usaram algo para "abrir". Mas, na verdade, não quero saber. Correu tudo bem, 16 dias depois estou praticamente como nova... só posso agradecer. :)

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    5. Eu fui das que não quis ver. :) Aqui passa um programa chamado Babyboom de que toda a gente me falava, em que basicamente são colocadas câmaras nas salas de parto. Vi 1 ou 2 episódios e não consegui ver mais. Eram gritos e dores e mulheres todas suadas e exaustas a fazer força, e não me ajudou nada saber que era aquilo que me esperava...E o engraçado é que no meu caso, isto não foi uma imagem da realidade. Fiz força 5 vezes e a pequena saiu, não suei uma gota e não me cansei nada. :P

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    6. Eu percebo o teu lado Joana e acredito que a dessensibilização pode ser boa mas a dessensibilização convém ser "guiada", explicada e a pessoa tem de se sentir segura para que vá fazendo efeito e não provoque um maior choque. Não duvido que quem esteve presente em vários partos, que sabe o que acontece, o que é normal, etc chegue ao ponto de ficar dessensibilizado, só que acho dificil acontecer isso a quem não é da área e não tem essa dessensibilização com conhecimento de causa.
      Eu só posso falar por mim mas no meu primeiro filho vi 2 ou 3 partos no youtube (até cheguei a dizer aqui que é o único conselho que eu dou para não fazerem) precisamente porque a mim o sangue, as intervenções médicas, etc nunca me impressionaram mas ver aqueles partos foi diferente. Não sei se foi por eu própria estar com as hormonas aos saltos, por me imaginar precisamente a passar por tudo aquilo ou por já estar sugestionada que o parto é uma coisa horrível (dito por toda a gente).
      O meu parto em si, pelo contrário foi uma coisa que eu considero simples, que doeu mas nada de mais. Tinha pavor da episiotomia mas ela foi necessária e eu nem sequer senti a cortar... e a perspectiva que eu tive durante o meu parto não teve nada a ver com a perspectiva que eu tive a ver os videos. É que nós de cima vemos muito menos pormenores ;)
      Eu acho importante que se tenha conhecimento sobre as coisas só acho que se calhar ver vídeos explicitos pode não ser o melhor para todos.

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    7. "(...) uma manobra que algumas pessoas consideram "violência""
      Não são algumas pessoas que consideram. A OMS classifica essa manobra como violência obstetrícia, sendo que a aplicação da mesma está associada ao aumento de taxas de episiotomia e lacerações perineais severas, potencia a necessidade de um parto instrumentalizado, bem como outras complicações fetais tais como fraturas da clavicula e crânio e cefalohematomas. Vários estudos demonstram que os riscos associados não compensam o benefício. Compreendo que a S*, durante o trabalho de parto, tivesse mais em que pensar do que nos prós e contras da manobra que lhe foi aplicada, e que naquele momento qualquer coisa que ajudasse o Rafael a nascer fosse bem vista. Certamente que os médicos também não o fizeram de ânimo leve. Fico genuinamente contente que tenha corrido tudo bem, e desejo as maiores felicidades à família.

      Ana

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    8. Ana, desculpe, mas é violência para as mulheres que a consideram violência. No meu caso, pareceu-me ser um mal necessário. Talvez não tenha lido, mas o meu parto não estava a correr bem, pois a força que eu fazia de expulsão só fazia o bebé subir na barriga. A não ser que o divino espírito santo me trouxesse um milagre, parece-me ter sido altamente necessário. Para mim, como mãe e mulher, não foi qualquer tipo de violência - foi uma solução. Também não posso concordar com o aumento das taxas de episiotomia e afins, pois o corte foi-me feito ANTES da manobra, para tentar evitá-la. Não foi possível evitar, tendo em conta a falta de evolução do parto. :)

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    9. Não estou a debater opiniões pessoais, S* mas a dar-lhe a conhecer o parecer da organização mundial de saúde. Aliás, fiz a ressalva de que no seu caso terá sido uma decisão pensada e favorável, precisamente porque li todo o relato. O que lhe apresentei foi uma pequena compilação de estudos sobre o tema, a S* não pode afirmar "não posso concordar com o aumento das taxas de episiotomia e afins, pois o corte foi-me feito ANTES da manobra" baseando-se unicamente no seu exemplo, que é um entre muitos, quando tantos outros apontam o contrário. Como disse acima, tenho a certeza que neste caso específico, se os médicos tomaram essa opção foi porque seria o melhor a fazer - e a prova está à vista, o Rafael está cá fora, lindo e saudável, e a S* também está bem - no entanto comentei apenas no sentido de mencionar que esta manobra não é nem consensual nem recomendada.

      Ana

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    10. Ana, eu sei que é o parecer... mas eu tenho direito a considerar que, no meu caso, não foi absolutamente nada abusivo - parece-me que foi o necessário. Prefiro, sinceramente, a manobra, à utilização de ventosas e afins. :)

      A manobra não é aconselhada "só porque sim", evidente, mas creio que há casos e casos. Obrigada!!

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  9. Fico contente que tudo tenha corrido bem. :) Só fui uma vez à parte da maternidade de um hospital, depois de uma colega ter a filha. Fez-me tanta confusão ter que se partilhar os quartos com outras mães e bebés. :( Mas pronto, isto sou eu que sou muito esquisita. Mas são momentos tão privados e especiais...

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    1. Aqui os quartos são individuais, até porque os pais podem ficar connosco... a não ser que haja grande número de grávidas!

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  10. Para quando a parte 2???? ANSIOSA

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  11. Boa noite S.

    Sou dos arredores de Viana e gostava de referências sobre bons médicos particulares na área da obstetrícia uma vez que estou a tentar engravidar.

    Obrigado e parabéns.

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    1. Patrícia, que eu saiba, se há algum indício de dificuldades, terá de ser acompanhada noutra cidade, pois não conheço especialistas de infertilidade em Viana. O Dr. António Silva, do Hospital Particular, é tido como um excelente obstetra. :) Tive apenas uma consulta com ele, mas gostei.

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    2. A ulsam tem consulta de infertilidade. Se o caso é infertilidade o médico de família pode referenciar para o hospital.
      Beijinhos

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    3. Anónimo, sim, tem, mas não tem infertilidade enquanto tratamento - redirecciona para o São João, do Porto. Mas a primeira consulta, análises e exames são feitos em Viana. Só depois do diagnóstico "mandam" para o São João. E são excelentes profissionais... pena o tempo de espera atingir 1 ano entre diagnóstico e tratamento.

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    4. Eu acho que a Patrícia nem sequer se estava a referir a infertilidade. Pelo comentário pareceu ser só une pessoa a tentar engravidar e a querer a referência de um obstetra para a acompanhar durante a gestação.

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    5. Ah, nesse caso, só conheço mesmo o Dr. António Silva. Eu fui acompanhada maioritariamente no público.

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    6. Olá S. E muito obrigado por ter respondido. Realmente a minha questão não era sobre infertilidade e sim sobre um obstetra bom para me acompanhar.
      Também ouvi falar muito bem da dra. Fátima Domingues. Vou investigar os dois e decidir me por um.
      Muito obrigado e felicidades.
      **

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  12. Tudo correu bem e isso é o mais importante. Parabens!

    Isabel Sá
    Brilhos da Moda

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  13. É bom saber que correu tudo bem, mesmo que as dores te tenham deixado mal durante umas horas.

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  14. Muitas felicidades! :)

    www.creativebychance.pt
    Um blog para bloggers

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  15. Antes de mais muitas felicidades mamã 👏Eu fui mãe em Outubro e é simplesmente mágico e maravilhoso tudo o que se vive e a intensidade com que se vive. Correu tudo bem e isso é o mais importante.
    Beijinhos

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  16. Que bom que tudo correu bem! :)) Ansiosa pela 2.ª parte.

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