terça-feira, 17 de maio de 2016

E se fosse consigo? Violência no namoro

Quando vi que o tema era este, não quis mesmo perder o programa. Infelizmente, a realidade é assustadora. Há uns meses li um estudo que indicava que uma parte considerável dos adolescentes tem uma noção absolutamente distorcida do que é a violência. Acham apenas que violência é uma agressão física.Ontem a Conceição Lino referiu - creio eu - o mesmo estudo. Absurdamente, mais de 30% dos jovens acham que é aceitável mexer e controlar o telemóvel do parceiro/da parceira. Acham aceitável que se impeça o companheiro de sair com amigos. Acham aceitável dizer ao outro que não pode vestir determinada peça de roupa. Fico chocada com estas percentagens, são relevadoras de uma falta de amor próprio e de falta de respeito pelo outro.

As entrevistas foram feitas a jovens mulheres. Todas elas achavam que era amor, deixaram-se enrolar na teia do agressor. Tenho pena que não tenham entrevistado nenhum rapaz vítima de agressão pela namorada - é impressionante o mal que algumas raparigas tratam os namorados. Mesmo em plena via pública, vê-se cada espectáculo...

O que mais me chocou foi a forma indiferente como tantas pessoas reagiram às agressões encenadas pelos actores que colaboraram neste trabalho. Como é possível ouvirem alguém a insultar a namorada/o namorado, a ameaçar de porrada, e nada fazerem? Esta gente não terá filhos, primos, amigos?

A verdade é que somos um mundo cada vez mais umbiguista. Não nos importamos com os outros. Não agimos, não defendemos os outros. Ainda temos a velha mania de que "entre marido e mulher não se mete a colher".

Ai mete, mete. É crime público. Qualquer pessoa pode e deve intervir. 

Graças a Deus nunca fui vítima de semelhante, mas já aceitei coisas que não devia aceitar. Já perdoei o que não devia perdoar. Achava que era uma bênção ter aquela pessoa ao meu lado e nem percebia que merecia tão melhor e tão mais do que aquilo. Aprendi a valorizar-me. 

Hoje em dia, para infortúnio do meu companheiro, virei o oposto. Tenho perfeita noção dessa minha falha de personalidade. Hoje em dia sou muito menos tolerante, menos compreensiva. Percebi, com amargas experiências, que a tolerância em excesso só me fazia mal e só me deixava infeliz (e ainda me deu um par de galhos...). No meio estará certamente a virtude.

Não permitam menos do que aquilo que merecem. Não adianta de nada, ninguém é insubstituível. Não aceitem menos do que Amor.


(para a semana vão encenar agressões a idosos... até tremo só de pensar...)

33 comentários:

  1. Ahahaha, és tão engraçada tu!!!

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    1. Engraçado(a) mesmo és tu, para não dizer trágico!

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    2. Há comentários que até me custa a compreender. Perfeitos disparates.

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    3. Vai lá tu defender os outros e levas 2 bananos. Passa-te logo a vontade

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    4. Preferia levar dois bananos a ser umbiguista. Preferia borrar a minha cara de merd* do que baixar os olhos e fingir que não via.

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    5. Ó S. eu até compreendo o receio. Ainda recentemente estava na rua com o meu filho pequeno, veio um homem que colocou o carro dele de forma a que a mulher/namorada/ex não conseguisse tirar, saiu do carro dele, desatou aos pontapés, murros e berros ao carro dela até que o conseguiu destrancar e agarrar nela.

      Pois que eu temi pela segurança do meu filho e não, ao contrário do que sempre defendi, não fui lá. Telefonei para a policia, relatei o que estava a ver, onde estava a acontecer e a respectiva matricula dos 2 carros. Mas não fui lá porque tive medo, por mim e pelo meu filho.

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    6. Ora aqui está um comentário muito sensato, este das 22.30. Eu também já vivi ao lado de uma família problemática, onde havia porrada entre todos, mulher-marido, pais-filhos... enfim. Nunca me meti, por medo de represálias a mim e principalmente ao meu filho, que com 12 anos já andava sozinho na rua e eu tinha medo que eles o seguissem e se vingassem nele. Mas chamei a policia muitas vezes, e numa delas chegaram mesmo a ser detidos, mas como o prédio é grande e eles não sabiam qual dos vizinhos tinha sido, não podiam acusar ninguém.

      AnaC

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  2. Por acaso, também estou com interesse no que vai acontecer na próxima semana.

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  3. De todos os episódios, este é o que me fala mais pessoalmente, porque passei por uma situação semelhante. De violência psicológica no namoro e uma perseguição implacável quando decidi terminar a relação. Cheguei até a pedir ajuda a um segurança numa estação de comboios, que me tratou com condescendência e assumiu que, uma vez que eu conhecia o agressor, deveria desenrascar-me sozinha. Um horror. Hoje não guardo qualquer sentimento, bom ou mau, em relação ao meu agressor, mas ainda me magoa pensar que até a minha família não me ajudou quando necessário, porque "coitado, estava apaixonado".

    Em relação à indiferença dos estranhos que passam na rua, tenho vergonha de admitir que não sei o que faria. Nunca por indiferença, mas por não ser uma pessoa propriamente corajosa e ter muito medo que a agressão se volte contra mim.

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    1. Esta história lembra-me uma que conheço tão bem....Ainda hoje há quem diga que fui parva, afinal ele é tão bom rapaz, hoje em dia tem um bom emprego, dinheiro e um carro grande, podia ter casado com ele, já podia ter filhos, uma casa! Como é que é possível não estar arrependida?. Ele até é tão simpático e tão engraçado, eu é que fui sempre mais nariz empinado, demasiado independente...
      O que pouca gente sabe é dos telefonemas e "doenças súbitas" que me faziam sair à pressa quando ia beber café com alguém ,até com a minha mãe. Das pressões para não sair com as minhas amigas, ou com família minha, a não ser que ele fosse também. Das censuras de cada vez que comprava uma peça de roupa nova ou um livro (com o meu dinheiro, aliás).Da vez em que numa passagem de ano me puxou por um braço e me obrigou a ficar à espera, à porta da casa de banho dos homens, só para eu não ficar "sozinha" à conversa com um amigo dele que por acaso até tinha lá a namorada também.Da vez em que estava a trabalhar longe da minha casa, numa casa paga pela empresa, e ele me obrigou a ligar a webcam para garantir que eu estava sozinha no quarto e não tinha lá nenhum homem. Das tardes sem fim em que eu queria ir dar uma volta com ele, mas o programa acabava sempre por ser passar a tarde fechada na casa dele a ver TV e de preferência sem muitas conversas com a família dele. Sair só se fosse no meu carro e se eu pagasse a despesa porque eu trabalhava e ele ainda estudava e, coitado, só tinha 10 000 euros no banco (????) porque o pai era mau e não lhe dava dinheiro.
      Quando acabei com tudo também poucos sabem das vezes em que me apareceu de surpresa no trabalho, das mensagens insistentes, dos telefonemas a qualquer hora, das mensagens enviadas à minha família e às minhas amigas para "desabafar" ou das vezes em que rondava o ginásio onde eu ia para forçar encontros.
      Já passaram 6 anos mas às vezes ainda tenho pesadelos com esta fase da minha vida.

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    2. Anónima, lamento mesmo muito. Que cruz tão pesada teve de carregar... <3 Força!

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    3. Obrigada S. Infelizmente quando estamos apaixonados não nos apercebemos de muita coisa e eu fui-me deixando manipular por ele. Nunca foi violento fisicamente mas o facto de me ter tentado isolar do mundo, de me pressionar e condicionar a ponto de chegar a uma fase em que eu me sentia culpada de ir beber com um café com a minha própria mãe é uma forma de violência. Quando me apercebi acabei com tudo e apesar das pressões que ele me fez durante longos meses foi uma das sensações mais libertadoras de sempre. Tenho muito orgulho em ter sido forte e tanto se me dá que digam que fui parva em ter deixado um partido tão bom. Hoje em dia tenho ao meu lado um homem que sempre me soube respeitar e apoiar em tudo e isso para mim é o mais importante:)

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  4. Grande texto. Fez-me reflectir.
    "Não aceitem menos do que Amor." - toda a gente deveria ter esta frase bem presente.

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  5. Também vi o programa... É assustador, como dizes. E deixou-me triste ver que a maior parte das pessoas que intervinha eram estrangeiros, nós ainda continuamos muito tacanhos nestas coisas

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  6. Não vi o programa esta semana, tenho de ver...

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  7. Adoro o programa. Serve para abalar algumas mentalidades!

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  8. "Tenho pena que não tenham entrevistado nenhum rapaz vítima de agressão pela namorada" - exactamente. Ainda esta semana fiquei chocada com os comentários de gozo a uma notícia de um homem forçado a tomar viagra e que foi violado. As pessoas gozam, só vêm violência num sentido e isso faz com que muitos homens tenham vergonha de pedir ajuda ou de admitir serem as vítimas na relação :(

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    1. É mesmo isso. Parece que tem graça quando um homem é agredido.

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  9. Também já passei pelo mesmo, e por inacreditaveis 9 anos. Hoje olho para trás e me pergunto onde estava com a cabeça. Creio que ser "sozinha" no mundo, não ter família, apoio ajudou bastante o fato de ter passado tanto tempo num relacionamento completamente destrutivo, porque à mim só me destruia, só trazia dor, sofrimento e mais solidão, passava a vida relevando, perdoando, "esquecendo", enquanto ele curtia e levava a vida como bem entendia. Tenho até nojo só em lembrar deste passado imundo. Eis que finalmente me livrei, finalmente decidir agarrar as boas oportunidades que a vida me oferecia e hoje sou feliz, como jamais fui. Mulheres, nunca aceitem menos do que merecem!

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    1. Lamento mesmo muito. Força e felicidades!!

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  10. uma vez escrevi-te aqui:
    devemos amar apenas com metade do coração... e usar a outra metade para nos amarmos a nós próprios
    anda por aí muita gente que só usa uma parte do coração e muitos outros que não usam nenhuma.

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  11. "Ainda temos a velha mania de que 'entre marido e mulher não se mete a colher'.

    Ai mete, mete. É crime público. Qualquer pessoa pode e deve intervir."

    Está tudo dito, S. Nunca entendi quem usa essa expressão estúpida para não intervir em situações desse género. Sempre achei que é coisa de quem simplesmente não se dá ao trabalho, e dificilmente irei mudar de opinião.

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    1. É uma vergonha baixar os olhos, tapar os ouvidos, e fingir que não nos apercebemos.

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  12. É um tema muito atual e que me assusta muito. Quando ainda estava a fazer estágio curricular, fui falar sobre esse tema a uma escola, para turmas de 9º ano. Todos achavam normal que a outra pessoa tivesse acesso ao telemóvel do outro, palavras-passe de redes sociais, que se vasculhasse assim a privacidade do parceiro. E mais: achavam aceitável que a pessoa deixasse de sair, de estar com a família e/ou amigos porque o outro não queria/não gostava/tinha ciúmes. E que os parceiros tivessem a última palavra em relação ao que a própria pessoa pode ou não vestir. Fiquei muito assustada, confesso. Principalmente porque estes miúdos crescem a acreditar que é realmente normal a pessoa ter acesso a estas coisas pessoais, que se exija saber/controlar o acesso às redes sociais e telemóveis. Pessoalmente, este tipo de controlo assusta-me mais por ser completamente camuflado, por passar por "preocupação", "ciúme" e não como a violação de privacidade e de individualidade que é. Nem vamos falar das agressões físicas e verbais (se bem que, a maioria destes miúdos também achava normal que, nas discussões, os casais se insultassem e ameaçassem, porque "faz parte, não significa nada!").

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    1. Pois eu não sei em que tipo de contextos for, eu pessoalmente não acho anormal que o parceiro tenha acesso a todas as passes ou ao telemovel.
      Mas uma coisa é eu dar acesso porque não me importo, por não considerar o meu telemovel um bem assim tão íntimo ou privado, da mesma forma que não tenho problemas em que entre no meu e-mail para enviar um e-mail rapidamente (eu própria o faço quando o dele está aberto).
      Outra coisa completamente diferente é eu achar normal que se possa obrigar ou coagir o outro a fazer algo que ele não quer. Se a pessoa com quem eu estou não quiser que eu mexa eu tenho de respeitar, se ele não quiser que eu veja alguma coisa, toque, etc eu tenho de respeitar obviamente.

      Sou casada há 10 anos, portanto não sou nenhuma adolescente. Também sou o tipo de mulher que jamais aceitaria um homem ciumento ou controlador na minha vida. Mas que ele pegue no meu telemovel para mandar uma mensagem ou fazer uma chamada, com isso não tenho nem nunca tive problema nenhum, também não me importo que pegue nele para jogar ou seja o que for. Da mesma forma que não me importo que vá à minha carteira buscar alguma coisa porque fez falta... por vários motivos: um é porque só o fazemos mutuamente por aceitarmos fazer isso de forma totalmente voluntária e segundo porque nunca nenhum dos 2 utilizou isso como forma de controlo. Aliás tanto não temos nada a esconder nem nos sentimos ameaçados pela possibilidade do outro ver as nossas coisas que por norma em casa está sempre tudo aberto e desbloqueado.

      Por outro lado, sei que há respeito, essa linha só foi ultrapassada por ambos nos sentimos à vontade com isso e não temos problemas nenhuns. Esta questão não foi imposta, foi conversada: ele disse que eu podia mexer à vontade e eu disse-lhe o mesmo. Da mesma forma que abrimos as cartas que chegam pelo coreio, mesmo que venham no nome do outro...mais uma coisa que foi falada.

      Para mim a minha privacidade e intimidade não está nessas coisas. No que é importante para mim e no que é importante para ele, ambos respeitamos.
      E para mim, mais do que tentar explicar aos miúdos que devem aceitar só X mas Y já não é estarmos a tentar impor as nossas vontades e formas de ver o mundo aos outros. A meu ver, o que lhes deveria ser ensinado é que: SE o outro quiser fazer algo que os deixe desconfortáveis, eles têm o direito a recusar. Seja isso colocar a mão na cintura, dar beijos, ver o telemovel, ver a mochila, etc... porque há coisas que para mim podem ser naturais que para outras pessoas são inaceitaveis. E a pessoa que está comigo não me pode exigir que eu aceite o mesmo que o anterior parceiro(a), assim como também não pode considerar que todos os relacionamentos têm de ser iguais para dar certo.

      Um exemplo perfeito disto são os orçamentos familiares. Para mim e para o meu marido a teoria das 2 carteiras é inaceitavel para nós. Nós juntamos todo o nosso rendimento, pagamos o que temos a pagar, poupamos uma parte e com o resto fazemos o que queremos.
      Para nós não faz sentido o outro não saber como estão as contas do respectivo parceiro, até porque com a comunhão de bens, a economia de um acaba invariavelmente por afectar o outro. Se eu fizer dívidas, ele poderá ser judicialmente penalizado por elas e o contrário idem.
      Mas não temos nada contra casais que vivem com as contas separadas ou até que casem com separação de bens... e no entanto, nenhuma das opções é violência.

      Seria violência se um de nós controlasse o outro e o impedisse de fazer opções livremente. Nós não fazemos isso. Por outro lado, há casais que fazem grandes compras como carros, motas, barcos, etc sem sequer pedir a opinião do outro, incluindo grandes dívidas e para eles isso será normal... no contexto do meu relacionamento quer eu quer ele veríamos isso como uma falta de respeito para com o outro, como se não estivessemos juntos e se não passassemos de amigos coloridos em vez de marido e mulher...

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    2. Anónima das 23h22, nisso estou plenamente de acordo.

      Uma coisa é a infantilidade de cuscar as coisas do outro... outra é uma partilha natural - e aceite por ambos.

      Explicando o meu caso: o meu companheiro não mexe nas minhas coisas. Não mexe porque não é feitio dele, nem eu permitiria que o fizesse. Não mexe no meu telemóvel, não cusca as minhas coisas. Ele não liga nada ao telemóvel, não anda nas redes sociais, nem nada disso. Eu adoro o telemóvel, uso o instagram, o Facebook, aceito comentários do blogue através do telemóvel. Não ando propriamente a mandar mensagens, nem para amigas, mas uso imenso o telemóvel para as redes sociais. E ele não tem nada a ver com isso. Às vezes resmunga por eu passar muito tempo com o telemóvel, mas não mexe nas minhas coisas. NO ENTANTO... se eu estou preguiçosa, no sofá, com a mantinha, e recebo uma mensagem, digo-lhe para ele ir ler. E ele lê, quando lhe apetece. Na maior parte das vezes, traz-me o telemóvel e eu leio.

      O mesmo se passa com ele. Se ele está no banho ou a fazer qualquer coisa, se recebe uma mensagem, eu digo-lhe e ele manda-me ler. É uma questão de comodidade, nunca de cusquice.

      Eu não entro no Facebook dele, mas sei a password. Mais uma vez, por comodidade. Liga-me e diz-me para eu ir ver ao grupo privado da banda dele se marcaram hora para o ensaio, por exemplo. Ele sempre soube a minha password do Facebook, para questões que também têm a ver com situações deste género. Neste momento, mudei a password há uns meses, e ele ainda não a sabe. Nunca se proporcionou, por isso não lha vou andar a dizer "só porque sim". O mesmo se passa com os emails. Às vezes eu respondo a emails dele, quando ele me pede.

      Partilho também a sua visão no que toca a contas conjuntas. Para mim, enquanto casal, vivendo junto há quatro anos e meio, não faz qualquer sentido termos contas separadas. Durante quase quatro anos tínhamos a conta conjunta e depois duas contas separadas, onde cada um tinha "mesada", chamemos-lhe assim. Entretanto cansamo-nos de pagar taxas mensais ao banco, fechamos as contas, só temos uma, conjunta. Eu sou a gestora financeira do nosso lar, mas temos os dois cartão multibanco. Infelizmente, como o dinheiro não estica, temos de avisar "olha, eu comprei isto", "eu gastei aquilo". Quando estamos mais confortáveis financeiramente, cada um gasta o que quer. Apenas comunica ao outro que o fez. :) Somos os dois sensatos, não gastamos dinheiro que não temos.

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    3. "O mesmo se passa com ele. Se ele está no banho ou a fazer qualquer coisa, se recebe uma mensagem, eu digo-lhe e ele manda-me ler. É uma questão de comodidade, nunca de cusquice."

      Isto somos nós S* tal e qual. Até no carro a atender chamadas ou a ler as mensagens do que vai a conduzir.

      E trata-me por tu pois apesar dos 10 anos de casada não sou assim tão velha, casei foi cedo ;)

      Relativamente às passes por cá acabou por ser motivos do género. Eu tenho uma passe para todos os meus e-mails (pessoal e 2 de trabalho) e também lhe comuniquei as coisas naturalmente. Como ele a mim. Um dos e-mails dele tive de ser eu a cria-lo porque o dele simplesmente não abria e era urgente, depois há coisas associadas ao e-mail dele como facturas da casa que eu tive de ter acesso por ele não estar em casa naquele momento,...e por aí fora.
      A única coisa que foi mesmo conversada foi sobre os telemóveis porque calhou haver a necessidade de estarmos com o telemovel do outro.
      Por acaso uma coisa que a mim sempre me meteu muita confusão eram aqueles namorados que trocavam de telemovel durante dias ou semanas e notava-se perfeitamente que era uma tentativa mútua de controlar que tipo de mensagens/chamadas iriam receber... se eu percebesse que o meu marido era assim não dava para mim.

      Mas lá está, acho que há diferenças entre ter acesso ou conhecimento por acaso ou naturalmente comparando com a imposição e obrigação.

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  13. Ainda existe muito a "crença" que "o homem é mais forte que a mulher, se apanha é porque quer", infelizmente ainda se pensa assim...
    Acho que não é tanto o facto de as pessoas não se quererem meter entre marido e mulher, é mais porque não estão para levar com as consequências que aquela intervenção pode trazer, afinal, e digo isto com muita raiva, a violência doméstica ainda não está totalmente credibilizada. São 2 adultos envolvidos, cada um puxa a brasa á sua sardinha, e quando se chega a ir a tribunal andamos ali num "anda, não anda", até que muitas vezes acontece o pior, a morte. Por isso é que muita boa gente não intervém, porque sabem que o castigo para o agressor raramente se concretiza ou é tardia. E isto é muito, muito revoltante. Temos rapidamente que mudar mentalidades mas também mudar a justiça!

    http://conversaemdia.blogs.sapo.pt/

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  14. Ainda não consegui ver, mas pelo que já tenho lido é algo lamentável de ver.
    Custa perceber que exista e a indiferença a tal.


    http://princesasemtiara.blogs.sapo.pt/

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  15. Trabalhei 2 anos na UMAR, repliquei 2 anos esse mesmo estudo, já passaram 3 anos e mesmo assim, os números continuam a ser assustadores. A prevenção de qualquer tipo de violência cabe a todos/as nós e a intervenção neste tipo de situações também. Sempre que nos vestimos de indiferença somos cúmplices do/a agressor/a, os/as espectadores/as também fazem parte da história, por isso, escolham o lado certo.

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  16. Gostei muito do teu texto :)

    "Não permitam menos do que aquilo que merecem. Não aceitem menos do que amor."

    É isso mesmo!

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  17. Ontem abracei muito o meu marido. Percebi é o homem perfeito para mim, realmente. Depois de umas amigas me terem dito que os respectivos se chateiam quando chegam a casa e o jantar não está feito ou as camas por fazer (elas estão de baixa de maternidade), decidi não fazer o jantar nem arrumar nada. Ele chegou, olhou, disse que ia buscar comida e arrumou o que viu fora do sítio. Fiquei com lágrimas nos olhos, abracei-o. Somos um para o outro, não um do outro.

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    1. Juanna, acredita que me custou ler este teu comentário. Era o que me faltava. As pessoas têm mesmo de aprender a valorizar-se e a exigir tudo aquilo que merecem. Não tenho um companheiro muito dado a tarefas domésticas, mas faz tudo aquilo que lhe digo para fazer. Não se voluntaria, digamos assim. :P Mas faz tudo o que lhe compete fazer... e, acima de tudo, nunca me exige nada. Eu faço o que quero, quando quero, porque quero. E muitas vezes jantamos sandochas. Não vem mal ao mundo!

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