sábado, 14 de maio de 2016

Das barrigas de aluguer

O tema foi decidido ontem, mas só hoje tive tempo para me dedicar a ler mais e a poder escrever sobre o assunto. Deixo-vos primeiro com este primeiro excerto, do Jornal de Notícias:

«Tânia Pires, de 27 anos, ao doar os seus óvulos, catapultou a amiga para o topo de uma lista de espera de três anos, que se iam juntar aos cinco dolorosos anos que viveu desde que começou a tentar engravidar.

"Só quem passa por uma situação destas é que sabe o sofrimento que é querer ser mãe e não conseguir", recorda Susana Reis, com as mesmas lágrimas que derreteram o coração da colega.

Na Delphi de Castelo Branco, onde ambas trabalham, Susana, agora com 35 anos, há muito não disfarçava o seu sofrimento. Cedo descobriu que a sua infertilidade derivava da falta de capacidade em ovular e procurou ajuda. De Castelo Branco foi reencaminhada para Coimbra, onde fez tratamento ao longo de dois anos, até descobrir que a única alternativa era recorrer ao Banco Público de Gametas, na Maternidade Júlio Dinis, no Porto. Enviou uma carta, foi notificada para uma consulta e aí recebeu "um banho de água fria". A lista de espera era de três anos, a não ser que encontrasse alguém que estivesse disponível para doar. Nesse caso, e embora a transferência não seja direta, foi-lhe dito que seria catapultada para o topo da lista de espera.»

In JN

Acho que esta é uma daquelas questões emocionais. Não há certos ou errados, há apenas corações que batem para um lado e outros que batem para o outro. Eu concordo com as barrigas de aluguer, por princípio e convicção. Acho que devemos ter muito cuidado antes de dizer "eu nunca", porque só quem quer ter filhos e não os consegue ter é que vai perceber este drama. As outras pessoas podem imaginar, mas não o sentem.

Eu consigo entender que pagar a alguém para que essa pessoa tenha o nosso filho é errado - mas aceito-o, verdadeiramente, porque me parece mais importante a realização de um sonho de um casal. Há muita coisa que é errada e que existe, por causa de dinheiro - o tabaco, por exemplo, que só faz mal. Neste caso, acredito que o facto de poder ser um negócio para algumas "barrigas de aluguer" é anulado pela possibilidade de trazer um bebé ao mundo. Aceito que não concordem, mas eu penso assim. 

No entanto, nestes casos, em que é altruísmo, amizade, uma doação apenas... caramba, nem há nada a discutir. Se este tipo de doação e de dádiva não é comovente, não sei o que seja.

Leiam, por favor, este texto da nossa .

58 comentários:

  1. Eu não concordo simplesmente! Mas pronto...

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  2. Como bem dizes: "é uma questão emocional". E um caso é diferente de outro, uma pessoa é diferente de outra...
    Cada um sabe de si, de seus anseios, de suas expectativas.
    Da mesma forma que é um tema para ser tratado com muito cuidado no que diz respeito à parte comercial que gira em torno das dificuldades de uns e de outros.

    bj amg

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  3. Estou de acordo contigo. Acho ridículo proibir as barrigas de aluguer quando é uma solução para quem não pode ter filhos. Mas reconheço que deve ser uma situação difícil de gerir para a mulher que carrega o filho de outra pessoa. E quanto a essa doação é, realmente, comovente ;)

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    1. Ninguém discute que deve ser difícil e que exige uma cabeça muito bem preparada para tal. ;)

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  4. É uma questão emocional, compreendo. Eu, pessoalmente, não concordo mesmo nada. Sobretudo, se forem desviados recursos do Estado para este fim. Há muito para fazer, com urgência, na Saúde antes de avançarmos para o próximo nível.

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    1. Sandra, é uma técnica de reprodução medicamente assistida como qualquer outra, a partir do momento em que foi aceite. ;) Digo eu.

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    2. Acredito que é ao contrário, o estado poupa recursos ao poder fazer uma transferência de um embrião para o útero de uma mulher saudável, que tenha uma % muito mais elevada de poder avançar para uma gravidez, do que insistir no caso de uma mulher com um problema de saúde diagnosticado. É o meu caso, tenho um problema de saúde que me baixa enormemente as possibilidades de ter uma gravidez evolutiva, diz um tratamento no privado e 4 no estado e se esta lei tivesse sido aprovada há uns anos atrás e se eu tivesse tido esta oportunidade, poderia ser tudo tão diferente na minha vida.

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  5. Eu acho que pagar não, porque estamos a comercializar algo que não é muito ético, uma vida não se paga. Agora doar, isso sim acho bem, porque não é com o intuito de receber algo monetário em troca, mas sim porque a pessoa entende que o deve fazer...
    Bjs!

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  6. Não concordo, apartir do momento que existem crianças a precisar de uma família, de amor e carinho e se encontra institucionalizada. Jamais recorreria. Mãe é mãe.. e por muito dinheiro que envolva nada substitui o carinho e o amor de ver todas as etapas da gravidez. Veja-se o exemplo do Cristiano Ronaldo, que recorreu a uma e o filho? Pode ter tudo mas falta-lhe o colinho da verdadeira mãe.

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    1. Cristina, mas quem nos diz que o filho do Ronaldo tem essa carência? Parece-me viver rodeado de amor.

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    2. Sabe se lhe falta mesmo? Como podemos falar com tanta ligeireza da vida dos outros, com base no quê? no que lemos nos jornais e revistas?
      Quanto à adopção, digo, com propriedade porque sofro de infertilidade e conheço dezenas e dezenas de mulheres que também sofrem deste mal e digo-lhe que nem todas querem adoptar, não é uma opção para todas e quem não quer adoptar não tem que ser obrigada a querer. Nem todas as pessoas se sentem capazes de amar um filho que não é seu biologicamente.

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    3. Cristina, dizer que não se pode recorrer a uma barriga de aluguer pq há crianças institucionalizadas é perigoso, pq dessa forma podemos também concluir que enquanto existir crianças nos orfanatos então também não podemos procriar.

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    4. Bê, falo por mim, eu nunca tive interesse em adoptar. Se um dia não pudesse ter filhos, talvez ganhasse esse tal interesse e provavelmente amaria plenamente essa criança. Mas, de momento, com 27 anos de idade, nunca me senti com vontade de tal acto - que admiro profundamente. Não somos todos iguais.

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    5. Desculpe Bê mas esse seu racíocinio tem uma falha muito grande. Muitas das mulheres que recorrem a barrigas de aluguer recorrem também a doação de óvulos, portanto, a carga genética nem sequer é delas.

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    6. Anónimo das 22h12, falha muito grande? Porque me stou a referir a uma situação específica? Não quis entrar por aí, porque há tantos e tantos casos. Convido-a a ler o meu post no meu blog, para perceber o meu raciocínio e perceber que me estou a referir a quem pode ter um filho seu biologicamente, mas que não o pode gerar no seu útero. De qualquer forma, o meu ponto aqui tem a ver com o facto de a adopção ser referida como opção para muitas pessoas que não se sentem preparadas para tal.

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  7. Sem dúvida um caso delicado e muito emocional...

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  8. Acho que confundiste as duas questões. Fizeste misturada. Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa. Sou completamente a favor da maternidade de substituição caso seja de uma forma altruísta. Nunca aceitaria dinheiro nem acho legítimo que se ganhe dinheiro à conta de o gerar de uma vida. Portanto, a maternidade de substituição teria de ser um acto de puro amor. Portanto, não concordo nadinha com as barrigas de aluguer. Sou completamente a favor gestação de substituição. São coisas diferentes. Já a doação de gametas acho bastante importante. Mas nada tem a ver com barrigas de aluguer. Foi um ato de bondade sim... mas nada tem a ver com o que foi votado na assembleia.

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    1. Eu não confundi, dei a minha opinião. E eu aceito os dois casos, por altruísmo ou por dinheiro. Lamento, pode ser negócio para quem aluga a barriga, mas é amor para quem quer um filho.

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    2. O problema é esse. Pode haver casos extremos em que a mulher se vende e ganha milhares de euros (sim milhares) para carregar uma vida. Sinceramente não é nada ético. Máquinas de produção... és a favor de quem compra animais a criadores? Eu sei que é uma comparação mal feita... mas, na verdade não foge muito disso... é comprar um bebé. Um bebé não se compra... :( (há mulheres que vivem desse negócio, atenção...) o problema não está de quem quer o filho... está em quem o gera. Portanto, para mim tem de ser amor das duas partes... e não apenas de quem quer um bebé.

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    3. Margarida, eu não sou contra a compra de animais. Eu não os compro, porque prefiro adoptar, mas não sou contra. A minha família sempre teve pastores alemães, a minha irmã tem um labrador. Eu é que não quero comprar, prefiro adoptar. :) Só sou contra a venda/compra a criadeiros, que usam e abusam dos animais, que fazem das cadelas máquinas parideiras.

      E também sou contra, óbvio, casos extremos, no que toca a barrigas de aluguer. Mas, desculpa, um bebé não se compra? Infelizmente, todos os tratamentos de fertilidade se compram. Portanto, há gente que tem de PAGAR para ter um bebé. É a realidade, nem todas somos sortudas e abençoadas pela natureza.

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    4. Eu sou contra a venda de crianças.
      E também sou contra comparar crianças a animais.

      E também sou contra as cadelas parideiras, que é basicamente o que se vai fazer a seres humanos, bebés. É a objetificação de um bebé e da mulher que o carrega. A mim parece-me péssimo.

      Sou somente a favor dos casos em que é feito por doação, por familiar ou amiga muito próxima onde comprovadamente seja feito de graça e por solidariedade.

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  9. Bom eu venho falar porque sei o que se sente. Esperei 7 anos para ter a minha filha mais velha que só cá está á custa de uma fertilização in vitro. 7 anos a pensar e a optar, 7 anos a desesperar mas a conhecer os meus limites. Fico feliz que esta lei tenha sido aprovada embora o meu limite foi o que por sorte me trouxe um filho, a fertilização In vitro. Tudo o que fosse tratamentos com gametas doados ou barriga de aluguer não aceitaria. Mas isto sou eu que me conheço, passei pela dor de não conseguir engravidar e sei que não conseguiria lidar bem com estas opções que á partida recuso.
    Beijinho

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    1. Eu também não quereria enveredar por tal caminho, se esse "azar" me acontecesse. Mas aceito quem queira. :)

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  10. Querida S*, obrigada pela partilha do meu texto, de coração. Escrevi-o hoje incomodada que fiquei depois de ler comentários na página de uma nossa amiga facebookiana comum. Mexeu comigo. Respeito a opinião das pessoas que são contra, todos têm direito à sua, mas há argumentos que não se entendem e, em boa verdade, só vivendo e passando por esta batalha se sabe tudo o que vai cá dentro.

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    1. Bê, não sei exactamente de quem falas, mas acho que as pessoas adoram apontar o dedo. É tão fácil falar quando se engravida à primeira, quando não se sofre o drama da infertilidade...

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  11. Tenho 2 filhas e se não pudesse ter filhos biologicamente, aceitava. Sinceramente não entendo estas lutas atrás dum filho biológico pq há tantas crianças para serem adoptadas..nunca recorreria a tratamentos, nem barrigas de aluguer mas obviamente não sou contra, só acho que é doentio anos e anos como há tanta gente a fazer tratamentos para ter filhos e nao me parece que um filho dum frasquinho seja mais filho que um dum orfanato.. mas esta sou eu -

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    1. Desculpe a franqueza, não quero ofender, mas esse comentário é cruel e feio. Como começou por escrever, tem duas filhas... por isso não se ponha a atirar postas de pescada sobre a dor dos que não têm filhos. Tente calçar os sapatos dos outros, em ver se referir a filhos por técnicas de reprodução medicamente assistidas como "um filho dum frasquinho".

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    2. Aceitava sem dificuldade, não lhe custava nada de nada? É isso que quer dizer? Não entende, não? Eu também não entendo a sua total falta de empatia. Que frieza!

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    3. Só por curiosidade, quantas dessas crianças já adotou?

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    4. Esse seu comentário anônima, se o falasse à minha frente acredite que a minha vontade era de a esbofetear! Filho dum fresquinho??? Graças às técnicas de reprodução tenho um filho lindo de 1 ano e, graças à ciência/médicos/biólogos, apenas precisei de um tratamento! Tanto eu como o meu marido temos um problema específico em que engravidar poderia demorar muitos anos se naturalmente! E podia até nunca acontecer. Porque me iria render ao meu infortúnio de nunca poder ser mãe, e ver no meu filho os meus olhos, sorriso, bem como os do pai?? Espero que as suas filhas nunca precisem de lhe dar um "netinho de um frasquinho"....

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    5. As pessoas têm de tentar calçar os sapatos dos outros antes de falar.

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    6. A anónima das 20:36 começa por dizer que tem duas filhas, logo aí, não faz a mínima ideia do que se sente e ainda bem para si. Agora dizer que é doentio é de uma insensibilidade atroz. Se os avanços da medicina o permite, porque não posso eu tentar contornar uma doença que tenho e ter um filho biológico? E repare que eu quero adoptar, sempre quis, já avancei com processo, mas mantenho a minha vontade de ter um filho biológico, até porque eu sempre quis ter mais do que um filho. Agora, falar do filho de um frasquinho...a sério? Vá informar-se um pouco primeiro e depois, só depois, forme a sua opinião.

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  12. Não vejo nenhum mal com a gestação de substuição.
    Em relação ao facto de se receber dinheiro, também não sou contra. Em primeiro lugar porque, apesar dos avanços da medicina, a gravidez e o parto acarretam riscos de complicações que podem ser muito graves ou levar à morte em segundo, porque uma gravidez são 40 semanas em que a "substituta" pode não poder trabalhar e altruismo não paga contas nem põe comida na mesa a ninguém.

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    1. Depois de ter tido um parto complicado e de quase ter ficado com sequelas para o resto da vida, sujeitar-me a isso por puro altruismo? Hummmm.... tá bem tá. Se fosse para uma pessoa muito especial ou por necessidade económica (extrema, claro!!), repensaria.
      Quanto ao fazerem isso para mim, espero nunca saber.
      Mas fico feliz que haja essa opção para quem precisa.

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  13. Acho q vc n percebeu mas já agora o que é realmente feio é dizer q a adopção só lhe passaria pela cabeça se não pudesse ter filhos.. espero q não tenha q lhe passar pela cabeça tal coisa pq as crianças merecem pais melhores para as adoptar

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    1. Custa-me imenso ver pais de crianças dizerem isto a futuros pais. Espero que crie melhor os seus filhos, do que baseado no ódio e na superioridade parental. Respeitar os outros é muito difícil para si?! Que vergonha. Tenha vergonha antes de falar.

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    2. "espero q não tenha q lhe passar pela cabeça tal coisa pq as crianças merecem pais melhores para as adoptar"

      Eu diria que os seus filhos também merecem um pai/mãe melhor do que alguém que é capaz de dizer isto a quem quer ter filhos. Mas isto sou eu. Pobres crianças.

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  14. Eu sou totalmente a favor :)

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  15. Eu acho que vai levar a pessoas desesperadas a submeterem-se a serem verdadeiras parideiras. Muito como se faz com as cadelas actualmente. Estamos a objectificar bebés e a pensar muito mais no bem-estar dos adultos do que no das crianças. (Veja-se o exemplo do casal indiano: ele quase com 80 anos e ela com 70 e muitos. Vão ser bons pais? Provavelmente em breve estarão mortos e a criança crescerá orfã).

    Acho que há casos muito específicos onde se compreende. Mas já se sabe actualmente que a maioria das pessoas que recorre às barrigas de alugues o faz por motivos futeis ex: mulheres que não querem engravidar, não querem estrias ou estragar o corpo, casais que não querem alterar as rotinas que estar numa gravidez exige,etc.
    Posto isto, eu acho que a lei deveria ser feita de forma a que só fosse permitido em casos entre familiares, onde fosse comprovado ser por caridade.

    Pois ninguém vai conseguir provar que o carro dado, os 100.000€ doados, a casa paga, as férias, etc foram ou não uma contrapartida e não somente um presente.

    Acho que estamos a potenciar um negócio ilegal, que já existe há muitos anos e não é por quem quer muito ter filhos...mas antes uma selecção muito típica
    E está-se a deixar de lado questões fundamentais como o que já se sabe que acontece noutros locais: abortos obrigados, crianças com problemas abandonadas com a barriga de aluguer, etc.

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    1. É tão isto! Ver para além do óbvio.

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    2. Onde arranjou dados que confirmem que "a maioria das pessoas que recorre às barrigas de alugues o faz por motivos futeis ex: mulheres que não querem engravidar, não querem estrias ou estragar o corpo, casais que não querem alterar as rotinas que estar numa gravidez exige,etc."???

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    3. Realmente não percebo de onde foi tirar essas ideias.

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  16. Não vejo mal nas barrigas de aluguer. É outro meio para poder ter filhos. Tudo bem existem milhares de crianças nas instituições para adopção. Mas também o tempo de espera para conseguir adoptar uma criança também é longo, pelo menos para quem quiser um bebé.
    É a minha opinião e ela vale o que vale.
    Beijinho

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  17. Concordo mais uma vez com um post teu ) é hábito :)

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  18. Não consigo tomar uma posição clara:
    - acho terrivel gerar uma vida para cobrar pela mesma. Sou contra barrigas de aluguer.
    - doar sim mas fico na duvida... a amiga que doou não sentirá um apego psicologico? Não sentirá que aquela criança também é dela? Não poderá trazer complicações?

    Lia há dias sobre uma irmã que gerou um filho para outra irmã, foi portanto barriga de aluguer. Teve trigemeas. Que agora são filhas e sobrinhas. E gera-me muita confusão esta situação.

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    1. Mas nessa situação das irmãs designa-se gestação de substituição e não barriga de aluguer. Podem dizer que vai dar tudo ao mesmo, mas não. Porque a primeira situação previne que se mercantilize e faça negócio com a gravidez. O parlamento não votou as barrigas de aluguer, é errado que as pessoas se refiram assim à questão porque não é o que está em cima da mesa e dá azo a que que se meta tudo no mesmo saco, o que não é o caso. Depois as pessoas gostam de usar termos mais simples e generalizar, o que perpetua a desinformação. Não estou a dizer que o faz, mas o seu comentário levou-me a esta reflexão.
      Eu sou a favor da gestação de substituição, já as barrigas de aluguer deixam-me de pé atrás. Mas o facto de ser a favor não significa que o fizesse na minha vida pessoal (tal como o aborto), quer sendo eu a recorrer a uma, quer sendo eu a emprestar o meu útero. Pessoalmente, creio que se não conseguisse gerar e carregar uma criança no meu corpo, preferiria adoptar; por outro, infelizmente julgo que não tenho o altruísmo necessário para ser a barriga de outra pessoa. Mas estas questões, só quem passa por elas é que sabe e sente, e creio que não devemos privar as pessoas deste direito, se se sentirem capazes de lidar com toda a situação, complexa sobretudo a nível emocional.

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  19. Esta é daquelas situações em que há pouco a opinar. Se está bem para todas as partes parece-me perfeito. :) Cada um saberá de si e pela esperança e felicidade que trará a muitas famílias estou totalmente de acordo mas, lá está, acho que é tão obvio que nem é caso para opinar.
    Em relação ao dinheiro gasto pelo estado, acho que também não se coloca a questão. Com tanto dinheiro "mal gasto" acho que tem toda a pertinência investi-lo também neste sentido.

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  20. Muito pessoal não quer ASSUMIR a realidade:
    - Nas Sociedades Tradicionalmente Poligâmicas apenas os machos mais fortes é que possuem filhos.
    - No entanto, para conseguirem sobreviver, muitas sociedades tiveram necessidade de mobilizar/motivar os machos mais fracos no sentido de eles se interessarem/lutarem pela preservação da sua Identidade!... De facto, analisando o Tabu-Sexo (nas Sociedades Tradicionalmente Monogâmicas) chegamos à conclusão de que o verdadeiro objectivo do Tabú-Sexo era proceder à integração social dos machos sexualmente mais fracos; Ver o blog «Origem Tabu-Sexo» [http://tabusexo.blogspot.com/].
    .
    Com o fim do tabu-sexo:
    - por um lado, muitas mulheres das sociedades tradicionalmente monogâmicas vão à procura de machos de maior competência sexual, nomeadamente, machos oriundos de sociedades tradicionalmente Poligâmicas: nestas sociedades apenas os machos mais fortes é que possuem filhos, logo, seleccionam e apuram a qualidade dos machos;
    - por outro lado, muitos machos das sociedades tradicionalmente Monogâmicas vão à procura de fêmeas Economicamente Fragilizadas [mais 'dóceis'] oriundas de outras sociedades... ora, todavia, no entanto, recusar este caminho... deve ser um legítimo Direito ao qual os machos devem ter acesso!
    .
    .
    E mais:
    - Muitas mulheres heterossexuais não querem ter o trabalho de criar filhos... querem 'gozar' a vida; etc;
    - Muitos homens heterossexuais não querem ter o trabalho de criar filhos... querem 'gozar' a vida; etc;
    CONCLUINDO: é uma riqueza que as sociedades/regiões não podem deixar de aproveitar - a existência de pessoas (homossexuais ou heterossexuais) com disponibilidade para criar/educar crianças.
    ---» Já há mais de dez anos (comecei nos fóruns clix e sapo) que venho divulgando algo que, embora seja politicamente incorrecto, é, no entanto, óbvio:
    - Promover a Monoparentalidade - sem 'beliscar' a Parentalidade Tradicional (e vice-versa) - é EVOLUÇÃO NATURAL DAS SOCIEDADES TRADICIONALMENTE MONOGÂMICAS...
    {ver blogs http://tabusexo.blogspot.com/ e http://existeestedireito.blogspot.pt/}

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  21. Do que tenho lido pessoalmente (repito, pessoalmente) não concordo...Acho que deve ser um drama emocional gigante para quem carrega um bebe na barriga 9 meses e depois "oferece-o". Compreendo o drama de quem quer ter filhos e não pode, compreendo que especialmente no nosso país a adoção não resove tudo...tal como dizes, só quem passa por elas.Eu como não tenho filhos e possivelmente nunca terei, fico-me com esta opinião muito pessoal.

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    1. Framboesa, mas nenhuma mulher é obrigada a... só o faz se quiser... não tem de oferecer filhos se não o quiser fazer. ;)

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    2. Eu sei...mas acho que nem todas as mulheres se apercebem da carga emocional que isso implica ...

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  22. (Mesmo não concordando respeito, obviamente e acima de tudo!)

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  23. Finalmente uma boa noticia! Só completamente a favor.

    Porque todos deveríamos poder ter filhos biológicos se esse fosse o nosso desejo.

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  24. Reduzir mulheres à simples condição de parideiras. Será que foi para isto que tantas mulheres lutaram e deram a sua vida? Isto não é evolução, é retrocesso civilizacional.

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    1. Não reduza uma questão dessas a um termo tão feio.

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  25. É uma daquelas questões muito delicadas e complexas (que levam a outras tantas questões delicadas e complexas que, confesso, tenho alguma curiosidade em perceber como vão ser regulamentadas)...

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