quarta-feira, 23 de março de 2016

Grão a grão

Eu sei que o país está de rastos. Sei que não há dinheiro. Sei que as pessoas compram o mais barato e não o que tem mais qualidade. Eu sei, eu sinto-o. Não compro iogurtes Danone, compro os de marca branca. Não compro leite de marca, compro leite de marca branca. O mesmo com o queijo, bolachas, cereais, tudo e mais alguma coisa.

Na semana passada, quando vi o desespero dos produtores de leite, fiquei a sentir-me muito mal comigo mesma. Às vezes deixo de comprar produtos nacionais por dois ou três cêntimos. Sim, são dinheiro. Mas - se tivermos essa hipótese - são também um investimento no país e no que é nosso.

Na segunda-feira já tentei olhar para o que é nosso com outros olhos. Comprei leite dos Açores. Comprei atum com símbolo "Produto de Portugal". Pode parecer patetice ou uma coisa menor, mas é pensar que estamos a ajudar uma família portuguesa a (sobre)viver. 

57 comentários:

  1. A tua atitude é a correta. Felizmente existem produtos de marca branca que são fabricados em Portugal, nas mesmas fábricas dos outros.
    Também compro leite, queijo e manteiga dos Açores e fruta de Portugal (embora às vezes seja mais cara).
    Por outro lado, custa-me evitar as lojas chinesas para produtos de desgaste rápido para a minha filha brincar por exemplo... tento resistir a isso mas é complexo.

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    1. Manteiga, para mim, é Primor... julgo que é feita em Espanha... julgo... mas é a que mais gosto!

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    2. A Primor pertence ao grupo lactogal, por isso é portuguesa :-)

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  2. Eu nunca prescindi de leite português, pela sua qualidade. Não gosto mesmo de marca branca. Se fizeres as compras no continente e pingo doce (no lidl tb aparece) como eu e estiveres atenta, há sempre algum leite dos bons em promoção: agros, mimosa, terra nostra. Se tivesse mais dinheiro só consumiria leite Matinal, que é mesmooo bom. Com o queijo também compro sempre mimosa, terra nostra ou limiano, mas a peso, o que os torna bem mais baratos do que os já embalados. Fruta... Quando escolho olho sempre para a proveniência: pêra rocha é sempre portuguesa, maçã alterno entre golden e royal gala, desde que seja pt, laranja só nacional de preferência do Algarve. Só vou abrindo excepção nas bananas, porque o facto é que não gosto das da madeira. Mas enfim, o mais fácil é nos sabermos organizar, porque assim até podemos comprar de marca sem pagar mais. Eu à segunda-feira antes do jantar vejo sempre os folhetos da semana de pingo doce e continente, faço a lista do que preciso e não trago mais do que isso, mas com acesso de antemão às promoções consigo escolher a melhor opção ou marca, dentro do que já tenho de comprar. Recuso-me a comprar coisas já feitas ou preparadas, gasto a maior parte do dinheiro em legumes, fruta e peixe fresco. Também trago carne, logicamente, iogurtes, ovos, queijo e produtos de higiene (os de limpeza duram mais e mesmo quando compro trago com 50%). Posso dizer-te que as únicas bebidas que entram cá em casa são água e leite, bolachas só Marias e nunca entrou uma lasanha congelada aqui (eu faço-a e até gosto mais). Gasto cerca de 40 euros semanais em compras. É dinheiro, mas ao que ouço e comparo até sei comprar bem, a nível de preço e qualidade, porque também não compro coisas que fazem menos bem e de que não precisamos - e longe da vista, longe do coração, ninguém cai em tentação. E ressalvo que tanto eu como o meu namorado comemos em casa ao jantar e almoço.

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    1. JoanaS, ui, eu não consigo gastar menos de 60 euros... mas só 6 euros são nas areias das gatas. :P Depois tem sempre um ou outra coisa de higiene - que são coisas mais dispendiosas - ou de limpeza do lar.

      E agora, como o mais que tudo não come carne, sai-me mais caro, porque compro filetes, pescada, muitos camarões... a carne, especialmente de porco, pode ser gordurosa mas é barata. Peixe barato é coisa que não encontro, só mesmo as latas de atum. :P

      E faço o mesmo que tu: eu só compro leite. Água é da torneira, que é óptima.

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    2. MInha querida, semanalmente o Pingo doce tem preços fantásticos no peixe. Cá em casa somos atentos com essas coisas e vemos o folheto semanalmente, para decidirmos o que comprar. Atum (posta), salmão, dourada, robalo, entre outros, a menos de 10€ o kg já um excelente preço. Fazemos a nossa lista considerando o que está a um valor mesmo bom e aproveitamos produtos, como os de higiene, que até podemos não precisar no momento, mas que estão em promoção. Por exemplo, há meses que uso gel de banho DOVE, o meu preferido, comprado a menos de 3€ (a embalagem de 750ml). Quanto ao resto, grande parte das marcas brancas são produzidas pelas conhecidas marcas do nosso Portugal - já trabalhei em projectos com o PD, Auchan e outros e desde há anos que perdi o preconceito quanto a marcas brancas. O Pingo doce, para mim, é a que apresenta melhor relação qualidade/preço.

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    3. Cantinho da Bê, concordo contigo em relação ao pingo doce! Aproveito imenso as promoções, porque já sei que eles as fazem frequentemente e nem que traga duas embalagens a metade do preço já fico com uma suplente. A nível do peixe trago sempre salmão ou truta salmonada (muito parecida mas mais barata). A cavala é super barata e extremamente saudável, bem como o carapau. Também trago o bife de atum fresco porque está sempre em semanas alternadas em promoção. Não compro bacalhau nem marisco porque o meu namorado tem tendência para o colesterol subir. Congelado compro só a pescada.
      Eu tenho dois gatos e as despesas não entram para a conta do supermercado, porque compro a ração e a areia de marcas melhores, que parecendo mais caras como compro online e em quantidades maiores sai-me mais barato e ainda é melhor para a saúde deles, e no caso da comida dura para três ou quatro meses.
      Quando faço as compras no pingo doce chego ao fim e tenho quase sempre 8/10 euros de descontos directos no talão.
      A água de facto compro, mas não são dois garrafões por semana que pesam no orçamento, porque a água na minha zona tem um sabor "pesado", mas não tenho preconceito em beber água da torneira noutros locais.

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    4. S* não substituis a carne por soja ou tofu? Não tem que ser sempre peixe.
      Com soja fazes esparguete à bolonhesa (basta deixares em água consoante as instruções, se quente e quanto tempo), hamburguers e etc. Cuidado que a soja dobra de quantidade.
      Com tofu fazes 1 arroz e junatas o tofu c cebolas às rodelas em molho de soja e farinha maizena, por exemplo.
      Há tantas receitas fáceis para principiantes.
      Procura que encontras de certeza

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    5. Ana, tenho mesmo de experimentar... yummy!

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    6. http://www.centrovegetariano.org/receitas/Cat-75-Receitas-F-ceis.html
      Podes escolher as receitas por ingredientes e por dificuldade. Para além disso, tem informação sobre vegetarianismo.

      http://www.receitasvegetarianas.net/
      Quando fazes receitas veg tens que dar + atenção ao tempero/ervas.

      http://cincosentidosnacozinha.blogspot.fi/2014/06/legumes-bras.html

      Poupas dinheiro, ao contrário do que se pensa. Lentilhas também são boas para fazer hamburguers, couscous e vegetais no forno também são bons.
      Faz uma pesquisa e encontras montes de coisas.

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    7. Era eu (Ana) no comentário dos links.

      http://anagoslowly.blogspot.fi/2013/01/como-cozinhar-soja.html
      Para saberes como hidratar e cozinhar soja

      http://souvegetariano.com/materias/mural-materias/receitas-como-usar-tofu-nas-suas-receitas-e-agradar-ate-quem-nao-e-vegano/

      http://chef.continente.pt/receitas/tabouleh
      Boas refeições!

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    8. Ana, obrigada por todas as dicas!!

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    9. Permitam-me acrescentar que será de facto bom que comeces a variar com estes alimentos, porque se ficarem reduzidos a mariscos, queijos e ovos vao acabar com um colesterol brutal... sei do que falo... e avisar pq mta gente não sabe, que também há quem coma gelatina a vontade e a gelatina é feita de ossos e peles de carne de vaca, eu sei porque tenho dois familiares vegetarianos, que ao principio ainda comiam peixe, mas qd cortaram na carne também deixaram de comer glatina. é preciso procurar gelatina de origem vegetal como há aquelas que são feitas de um produto chamado agar-agar, as outras são de origem animal.

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  3. Eu também compro produtos portugueses sempre que posso (mesmo em França!)... o nosso país tem tantas coisas boas e está numa situação tão difícil, que devemos ajudar de todas as maneiras que pudermos

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  4. Se todos tivéssemos esse cuidado, talvez as coisas corressem melhor, não sei ;)

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  5. Sempre que posso também compro coisas "nossas" :)

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  6. Lá em casa só compramos leite dos Açores (normalmente Estrela do Atlântico ou Nova Açores) porque a minha mãe tem a "mania" que não gosta das marcas brancas. Também, verdade seja dita, no supermercado onde habitualmente ela faz compras essas duas marcas são mais baratas do que as marcas brancas dos hipermercados que ainda por cima ficam mais longe da nossa casa do que o tal supermercado. Também no atum compramos um que também é mais barato do que as marcas brancas, e que até é enlatado aqui na terrinha.
    Quando casar e sair da casa dos meus pais, vou continuar com estes pequenos gestos que fazem diferença!

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  7. Por acaso cá em casa tem-se consumido quase sempre leite português, até porque a diferença de preços não é muita em relação aos de marca branca e também porque agora é cada vez mais se encontram em promoção :)
    Não nos custa muito e estamos a ajudar o país a "ir para a frente".

    Cidadã do mundo desconhecido
    http://cidadadomundodesconhecido.blogspot.pt/

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  8. Eu tento fazer o mesmo!
    Mas o que é facto é que cada vez mais se torna difícil ir às compras e não optar pela marca branca :/
    Ao menos nunca compro nada nas lojas dos chineses. Acredito já fazer uma grande diferença :)

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  9. A questão tem de começar de cima, de quem os taxa, de quem faz politicas para encarecer estes produtos, dos grandes hipers que fazem pressão para baixar os preço levando-os ao desespero e por aí fora.

    E eu não acho que os portugueses façam mal em comprar produtos estrangeiros (alguns) pois temos muitos produtos nacionais que são vendidos a preço de ouro e a qualidade não é assim tanta. Se eu comprar 1 peça de roupa portuguesa e pagar 20€, o dinheiro vai para os impostos, para o lucro da loja, dos intermediários e do patrão da patrão da empresa onde são feitas, sendo que a pessoa que a faz provavelmente nem recebe 1€ por cada peça feita.
    Aliás basta saber que somos dos países com sapatos com maior qualidade, fabricamos até para empresas italianas que posteriormente os vendem como "made in italy" a preço de ouro mas quanto ganha uma pessoa que trabalhe numa dessas fábricas?
    Quando os patrões deixarem de andar de supercarros e pagarem uma miséria a quem trabalha aí terão toda a dignidade para falar nos sacrificios que fazem para o bem comum.

    Há certas áreas onde isto não acontece, não sei se a do leite é ou não (os media manipulam muito bem e só deixam passar a informação que lhes convém) mas pessoalmente sei que a área das carnes é assim. Por isso, sim, faço o esforço mas não vou ao mais caro do supermercado, "faço greve" e só compro em talhos geridos por portugueses, com carne vinda directamente dos produtores locais.

    Mas há muita coisa pela qual prefiro comprar de fora, até porque muitos comerciantes em Portugal só se lembraram que deveriam fazer preços justos quando as fronteiras europeias se abriram e passamos a ter acesso a inúmeros produtos a preços mais acessíveis. Sou 100% a favor da concorrência.

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    1. Deixem os mercados funcionar. Quando receberam subsídios para se modernizarem, compraram jipes topo de gama...

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    2. Por acaso uma pessoa fica a pensar. Vi os gajos da carne a fazerem manif e um deles casou há pouco tempo numa casa de milhões. Por outro lado, sei que nem todos são assim. Eu própria tenho um negócio e os meus lucros são baixíssimos. Ganho menos por mês que as minhas empregadas. :) No final, ganho pouco mais que elas. A diferença não é assim tanta (pq vou pagar imposto sobre os lucros e parte desse dinheiro é para pequenos investimentos). Elas recebem mais que o ordenado mínimo e uma delas está a receber mais que muitos licenciados. É aqui que eu me pergunto, como é que há empresas que não conseguem pagar um pouco mais aos seus empregados. Fazer contas e ver se é possível. Eu é que devo andar errada. Lolol Devia mete-las a receber o ordenado mínimo e shiu xD

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    3. A questão é mesmo essa anónima das 11.05h. O "nosso" tio Belmiro é contra o aumento do Ordenado Mínimo Nacional mas paga quanto aos seus empregados? E o lucro?
      Uma grande parte das empresas poderia dar ordenados mais elevados a quem trabalha (aumentando a produtividade, motivação, eficiência, etc) mas não... como diz o "esperto que nem um alho" preferem comprar carros novos para eles.

      Muito receberam subsidios (ou pediram empréstimos) para modernizar empresas e o que fizeram? meteram o dinheiro no bolso, ou estouraram-no, ou fecharam as empresas cá - deixando todos os funcionários desempregados- e foram abrir empresas noutros locais do país com outros nomes, ou até mesmo noutros países.

      E não duvido que exista no mercado da carne situações como as que referiram, quem eu conheço no caso não está nessa situação: as pessoas comentam que é o talho que paga melhor pela carne, os produtores pagam salários dignos a quem trabalha para eles, o talho paga bem ao ajudante, etc. Isto são coisas que se vão sabendo porque - como é raro - é comentado e eu faço o "sacrificio" de pagar mais pela carne pela qualidade mas também por tudo o que ela implica, nomeadamente as condições dignas dadas a todas as pessoas que contribuem para a mesma.

      A meu ver, o maior problema de Portugal é o facto de muitos se aproveitarem do OMN para o darem a todos os trabalhadores, mesmo que sejam muito bons ou muito competentes. E quem é que sobrevive só com esse dinheiro? Qual a motivação para trabalhar? Para ser um bom funcionário?

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    4. Anónimo das 14:16, eu não estou preocupada com a Sonae ou a Jerónimo Martins. A minha preocupação é com os produtores que têm necessidade de abater animais porque estes não dão rendimento e continuam a dar despesa para alimentação. A minha preocupação é com aqueles que vendem o leite a 24 cêntimos o litro porque têm de "dar e arregaçar" para conseguir escoar produto.

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    5. Eu falei do leite, mas podia falar das roupas, bijuteria, decoração... se comprarmos em lojas de comércio tradicional, ao menos estamos a ajudar uma família nossa e a ajudar a pagar salários. Cada vez mais tento comprar no comércio tradicional e faço um esforço para comprar na minha cidade porque é das zonas do país com mais desemprego...

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    6. Mas eu discordo S* porque a grande maioria das pequenas e médias empresas faz um grande aproveitamento dos seus empregados, não lhes dá os direitos legais, não melhora condições, etc. Muitos produtos espanhóis (onde o OMN é superior ao nosso) são muito mais baratos no consumidor final, afinal porquê?
      Qualquer pessoa que trabalhe na área da roupa sabe que um produto vendido na loja está a ser vendido pelo menos ao tripplo do preço do que foi adquirido (o lucro é contabilizado para no final ser de 100%, mesmo quando se fazem descontos de 80€). E isto é só um exemplo. Tudo chega ao consumidor final muito caro para o dinheiro que chega à pessoa que o produz, aliás vejo na minha cidade no comércio local, lojas a vender roupa que vem do alliexpress como sendo "made in Portugal" e depois adicionam uma etiqueta de 40€ a uma peça que lhes custou 2 ou 3€. Mas quem não sabe não sabe...o problema é que muitos são tão espertos...ou será burros?... que até colocam no facebook da loja as imagens de publicidade tiradas directamente do alliexpress ou de outros sites do género.

      O mesmo serve para quase tudo.
      Há tempos o meu marido mandou vir uma peça para o nosso carro da Alemanha que custou 150€ já com portes (e com factura). Por cá queriam a pequena quantida de 800€ por ela. Ora eles mandariam vir a peça por algum intermediário e entre esse intermediário e a loja ficariam os 650€ restantes. Mesmo com impostos, o lucro por cada peça é absurdo. Depois queixam-se da crise mas tentar deixar de roubar o cliente (sim que este lucro para mim é roubo) isso não deixam, preferem fechar as portas ou enganar os coitados sem acesso à internet ou sem conhecimentos.
      Depois disso o nosso rádio do carro ficou sem uma fita, disseram que o arranjo ficaria em uns 300€ ou mais e que mais valia meter o rádio ao lixo. Mais uma vez, no mesmo site alemão, mandamos vir as fitas (vieram umas 30) que custavam 0,14 centimos cada, paguei cerca de 5€ de portes. Foi só trocar a fita e o rádio está como sempre esteve: novo.

      Portanto lamento mas não considero isso de ajudar as familias ou o comércio tradicional como grande mais-valia. Há uns 15-20 anos atrás ninguém em Portugal conseguia ter acesso às coisas mais básicas ou essenciais porque o comércio tradicional levava lucros exagerados. Há pouco mais de 30 ou 40 anos quem não era rico até fome passava.
      Quem tinha o negócio próprio era rico, tinha carrões e boas casas (e eu sei do que falo porque a minha familia era e é dona de vários comércios tradicionais). Agora veio o tempo da concorrência, viram-se obrigados a fechar portas ou a baixar os preços - acho muito bem! Antigamente 1 elemento da familia trabalhava numa loja própria e a mulher e filhos (que eram muitos) podiam ficar em casa a pastá-la porque o dinheiro dava para tudo... o problema é que muitos clientes dessas lojas passavam fome derivado aos preços elevados ou endividavam-se de forma impagável para poderem ir comendo e os "bonzinhos" dos donos das lojas deixavam por serem boas pessoas... Eu acho que deixavam por questões de saberem muito bem prenderem os clientes, é uma excelente estratégia - que ainda hoje é aplicada de forma indirecta.
      Éramos como o Brasil é hoje: uma economia com inflação doida que não permitia a qualquer um ter acesso a uma boa qualidade de vida. A concorrência obriga a preços justos, quem quer enriquecer tem que arranjar outros esquemas.

      A maioria dos serviços em Portugal precisava de concorrência, o problema agora é a politica de baixos salários. E nenhum patrão que se engane, as empresas que dão os melhores salários e condições (exemplar em Portugal é a Delta cafés) são das empresas que mais crescem e mais produtivas são. Ninguém tem culpa que muitos patrões sejam maus gestores e nunca tenham aprendido nada sobre economia e mercados.

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    7. Eu só compro produto português se souber que todo o processo dá boas condições a todos os envolvidos. Não me interessa manter meninos dos papás como aquele miúdo que foi para a tv dizer que era empreendedor (porque fez uma marca de estampagem) e depois ficar a saber que quem trabalha para ele aufere o OMN e trabalha horas a mais sem quaisquer contrapartidas. Isso para mim não é empreendedorismo, é escravatura moderna e não darei 1 cêntimo de livre vontade para esses.

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    8. Anónima das 13:54, tem toda a razão no que diz. Mas as coisas já não são como eram há décadas atrás... e eu, por defeito de profissão, lido imenso com o comércio das minha cidade. Acredite que dá dó saber o mal que as pessoas vivem...

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    9. Anónimo das 13:54, eu acho que o miúdo até tinha razão no que dizia - mais vale salário baixo do que nenhum salário. Certamente que não é o ideal, mas é melhor que nada. O meu trabalho, por exemplo... eu sei que NÃO É POSSÍVEL pagar mais aos funcionários. O ideal seria recebermos mais, mas não é possível. Por isso, mais vale pouco que nenhum.

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    10. Pois mas eu discordo S*. No caso dele, se ele tinha tantos lucros como os que apregoava eu não concordo em nada. Uma coisa é um empreendedor assegurar um salário como assegura para si, outro é o patrão pegar em por exemplo 5000€ de lucro e estourá-los como bem lhe apetecer e nem sequer pagar os ordenados que deve (conheço quem o fez) ou sequer pensar em distribuir o lucro.
      É burrice e a meu ver promover pessoas como esse "senhor" é promover a escravatura moderna, é imitar os países de 3º mundo e não contam comigo para contribuir para isso.

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    11. Muito se fala das condições de trabalho que o "tio belmiro" proporciona, sem conhecimento de causa! Trabalho lá e não tenho qq razão de queixa... As razões de queixa que tenho, teria noutro local qq. Não há salários mínimos, não há escravatura e há excelentes condições de trabalho e excelentes hipóteses de progressão. É preciso trabalhar muito, é verdade. Se calhar é esse o problema... trabalhar cansa e é chato, não é? O pessoal gostava de ter tudo dado e arregaçado! Não estou a defender por trabalhar lá, mas sim pq não compreendo este estigma e esta opinião geral baseada em opiniões de quem lá não trabalha ou de quem até trabalha mas preferia ganhar a vida à sombra da bananeira.
      Quanto ao tema propriamente dito, gasto o dinheiro que tiver q gastar em produtos alimentares de qualidade. Nada me inspira confiança do que um bom leite, uma boa carne açoreana, um bom peixe selvagem ou fruta e legumes biológicos. Faço contas sim noutras coisas... faço por ter cuidado com a conta da luz e água e não perco a cabeça por roupa, carteiras ou outros acessórios. Mas, ao fim ao cabo, são escolhas que se fazem e cada um sabe o que é melhor para si!

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    12. Ele paga o ordenado minimo à maioria das pessoas por muito bom trabalhador que seja, ele nao queria que o OMN aumentasse. É preciso nao saber o que é boas condiçoes de trabalho p dizer isso.
      Dar o OMN a um bom trabalhador é escravatura moderna, só nao dá menos porque é ilegal.

      Achar muito bem ganhar uma miséria quando se trabalha muito só demonstra que a ignorância é mesmo o ópio do povo.

      Quem trabalha bem e muito NUNCA deveria ganhar só o ordenado minimo. Um bom trabalhador deve ser reconhecido, o mau despedido. O OMN deveria servir ( como na maioria dos paises da Europa) para a pessoa iniciar o percurso, para que fosse subindo de acordo com a prestaçao.

      Mas continuem a achar que pessoas como ele estao certos, a carteira dele agradece e vocês nunca sairao da cepa torta por muito que se dediquem. Qd chegar a hora de ficar efetivo ou nao, quando engravidar e por aí fora depois veremos como corre...a tendencia que se vê ( estatisticamente) nao mostra segurança nenhuma nessas situaçoes.

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    13. Não ha salarios minimos lá e que trabalha com dedicação é bem reconhecido. Naruralmente que depende da função. Nao menosprezando, nao podemos esperar que um caixa ou repositor ganhe 3x o OMN! É a vida! Mas não faltam excelentes oportunidades... A sua opinião é baseada em quê, ja agora? Noticias sensacionalistas?

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    14. Eu acho que as pessoas falam um bocadinho "de cor" das Sonaes e Jerónimo Martins. Evidentemente que sei que existem exageros e reconheço que não sou a mais conhecedora da realidade das duas empresas... mas tenho uma grande amiga que trabalha na Jerónimo Martins e que só deixa elogios à empresa. Sei que não recebem o salário mínimo. Sei que as fábricas/armazéns têm boas condições de trabalho. E a Sonae parece-me estar a ser reduzida às caixas de supermercado... Mais uma vez, tenho outra amiga que é caixa de supermercado num Continente e gosta bastante da empresa. E tenho conhecidas que são "quadros superiores" (ou lá como se diz) e que têm progressão de carreira com excelentes condições...

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    15. Eu falo de quem conheço que trabalha lá. Nomeadamente as questões das gravidezes e as questões de estabilidade.
      Se é assim em todos? pois não sei mas pela realidade de quem conheço e a estatística, não é falar de cor, é falar do geral e do que é do domínio publico.

      A mim pessoalmente foi-me dito que com 1 filho nem valia a pena deixar curriculum.
      Como caixa ou seja o que for, dar somente o OMN é uma miséria, eu não conheço ninguém que trabalhe na loja em si (repositores, caixas e afins) que não receba o OMN ou que seja reconhecido por fazer horas extras, por se esforçar, etc - segundo o relatado pelas pessoas que lá trabalham.
      Não falo de pessoas com formação superior, apesar que a mim com formação superior, disseram-me que se tinha 1 filho nem valia a pena deixar curriculum... Portanto, falo do que me contam, da estatística e do que vivi. E só não fiz queixa formal no ACT porque não tinha como provar que me foi dito isso.
      E foi o dono que afirmou que era contra o aumento do OMN (algo que até o próprio dono da Jerónimo era a favor...), ora porquê?

      Na empresa onde trabalho é distribuída uma percentagem dos lucros no final de todos os anos, fora o nosso ordenado, para todos os funcionários - tenhamos um mestrado (como eu) ou sejam a empregada de limpeza - este ano esse valor foi de 500€. Será que a empregada de limpeza merecia menos só porque não é formada? E não falamos de uma pequena empresa, é uma empresa com mais de 300 trabalhadores.
      Se o patrão fica com grande parte do lucro para si e outra para investimento? Claro que fica, daí a ser a diferença estatística entre o que é dado nesse grupo vs. pago aos empregados? Não. Por isso o meu patrão não é dos mais ricos em Portugal mas ainda assim somos uma das empresas que mais cresceu em Portugal (e na Europa).

      Não vejo isso a acontecer nessa empresa, aliás não vejo nenhuma medida desse género a ser implementada.

      E eu não falei da Jerónimo e Martins, desses o relato é bem diferente.

      "É a vida!" Não... é a mentalidade portuguesa que acredita que deva existir trabalhadores de 2ª e de 3ª sem direito às condições mínimimas. Por isso ainda bem que o ordenado mínimo vai obrigando a quem é ganancioso a dar um ordenado minimamente justo.

      Ps: Até há uma anedota/critica muito usada contra o grupo que relata que quem lá trabalha seria incapaz de se alimentar com os preços praticados por eles. E não fui eu quem a inventei... ela vem do círculo de pessoas que lá trabalham, sejam formadas ou não.

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    16. Ps: E eu pessoalmente desde o dia em que me foi recusado o CV por eu ter um filho (e eu sei que não fui a única, já li pela internet coisas do género e já ouvi de outras pessoas a mesma situação) que desde então nunca mais comprei nada ao grupo.

      Agora se isto é só local ou é nacional? Não sei. Não sei como funcionam todos e se a politica é só local ou nacional mas eu recuso-me a dar dinheiro a ganhar a um grupo que não paga salários condignos aos seus funcionários e que não respeita as pessoas nos seus direitos elementares, como o direito à parentalidade.

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    17. Lá está, não conheço a realidade abrangente dessas grandes empresas. Conheço dois casos que me são muito próximos e as duas pessoas estão satisfeitas - uma no Continente, outra na Jerónimo Martins. Mas evidentemente que acredito que existam abusos.

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  10. Mas a culpa também é das grandes superfícies que ao fazer marca branca, poderiam manda-la fazer com produtos nacionais também! Mas não, tudo o que é internacional é que é melhor!!

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    1. Ja viu o codigo de barras? Muitos de marca branca sao nacionais, muitos mandam fazer a empresas de renome portuguesas... Mas qto mais barato o produto, menos recebe quem produz. Por outro lado, a maioria das "marcas de renome" tb n paga melhor aos empregados por fazerem esses produtos caros, o investinento vai para outras coisas, como para pagar publicidade.

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    2. A maioria dos produtos de marca branca que conheço, creio que são feitos cá. Penso eu de que...

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    3. Alerto para o facto de o código de barras já não ser suficiente para sabermos que compramos português, porque o que acontece é que sendo embalado cá, mesmo sendo produto estrangeiro, já leva o código 560. Dou o exemplo: o leite marca continente, apesar de código de barras português, diz que é fabricado na união europeia, o que significa que não só não é português como é uma mistura de vários leites europeus...
      Se o produto tiver aquele P vermelho e verde da bandeira, que diz "compro o que é nosso", já temos a certeza.

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    4. JoanaS, o atum que comprei tem esse P. ;)

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    5. E dou-te mais uma dica que aprendi entretanto, em relação ao latícinios: procura um PT que vem dentro de um círculo oval - no leite pode vir junto ao carimbo da data de validade ou no próprio rótulo como este exemplo mostra https://gabrielfigueiredolopes.files.wordpress.com/2016/03/leite-pt-vs-fr.png?w=634&h=784
      Os iogurtes, queijo e manteiga também têm sempre o símbolo, mais pequeno, temos é de procurar ;)

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  11. Ya, faz isso que quando o leite aumentar, os produtores de leite vão-se lembrar de ti e levam-te uns pacotes lá a casa.
    Isto não é uma economia de mercado?
    As empresas não são privadas?
    Não é a classe "empresarial" que beneficia dos sacrosantos "mercados" quando os preços estão em alta?
    Então agora vão-se "maizé" catar. Eu compro o que, dentro de determinados padrões de qualidade, for mais barato e estou-me a borrifar que o leite ou as batatas venham de Espanha ou de França. Não tenho conversas com batatas nem com pacotes de leite...
    Que engraçado que toda essa gente defende a privatização dos meios de produção, mas parece que é só na parte dos lucros, porque quando o negócio dá para o torto, querem nacionalizar os prejuízos.
    O negócio do leite não está a dar?
    Paciência, plantem couves.

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    1. Isso não pode ser assim. Temos de produzir. Não podemos ser dependentes do estrangeiro.

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    2. Exatamente não podemos ser dependentes do estrangeiro. Se deixarmos de produzir cá, aí sim os produtos que vem de fora podem subir os seus preços porque aqui deixou de ter concorrência. Para além disso, já pensaram que não são só os produtores que são prejudicados mas toda uma cadeia de pessoas que trabalham no setor: produtores, camionistas, funcionários da agros, lactogal(falando no leite)...pessoas que tem famílias para manter! Se tivermos todos essa a atitude de não comprar nacional então será a falência de muitas famílias! Bem sei que nesta rede comercial os mais frágeis são os produtores, que tem custos de produção altos e não tem os devidos apoios do estado como acontece na Espanha e por isso mesmo é a cara deles que eu vejo a lutar. Conheço esta realidade de perto e sei o quão difícil ela é. Tenho pena que não sejamos valorizados, mas se nós não produzirmos a cidade não come. E para finalizar, quando não existirem produtores nacionais e o monopólio for estrangeiro(para responder ao comentário acima) e pessoas como o esperto que nem um alho tiverem fome e não conseguirem pagar o que o exterior enviar para cá? Paciência, sinta lhe o cheiro.

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    3. Eu não tenho nada contra a concorrência e não tendo inclinações políticas nacionalistas, tenho dois dedos de testa (e de consciência!), concordo com a Carla. Não podemos ser dependentes do estrangeiro, e acho que há um grande egoísmo quando se pensa ou diz "façam outra coisa" ou "compro é o mais barato, quero lá saber". Primeiro, é possível comprar ao mesmo preço e sendo nacional e, muitas vezes, até mais barato. É preciso é saber comprar, procurar e perceber as coisas. Além de que a qualidade dos nossos produtos é, para mim, incomparável! Eu nunca comprei leite de marca branca porque para mim não sabe bem, ninguém me tira o Agros ou Mimosa. Já na água, gosto bastante da marca branca do Pingo Doce e é portuguesa (até porque geralmente as águas no estrangeiro não sabem nada bem) - podem achar que é só água, mas a verdade é que se notam algumas mais pesadas, mesmo sendo de marca, e não aprecio.
      Para mim isto é como o slogan dos impostos "se todos pagarem, todos pagam menos", e se todos nos ajudássemos mais um bocadinho, no final comprávamos mais barato e de melhor qualidade, e até contribuíamos mais para a economia local e nacional.
      Cada um é dono da sua carteira, mas eu vivo bem com as escolhas que faço, e ao que vejo, não gasto mais (e muitas vezes até gasto menos) em alimentação do que a generalidade das pessoas.

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  12. Compro muita coisa de marca branca, mas por exemplo o leite e os iogurtes como só de origem vegetal têm de ser de marca. Posso culpar as grandes superfícies que apostam em produtos não portugueses. Agora que, por norma, os produtos portugueses são bem mais caros é verdade.E não o deveriam ser. E não falo só na alimentação.

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  13. eu confesso que sempre que há (e sem gluten) produtos de marca branca também os compro, são mais baratos e a situação económica não está mesmo nada fácil. Mas percebo o que dizes

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  14. Eu, francamente, não perco tempo a pensar nisso. Acho o que dizes e fazes muito acertado, mas não tenho carteira para andar a gastar "só mais uns cêntimos" nisto e naquilo, porque num avio grande, esses cêntimos fazem uma diferença do caraças. Se for nacional, é. Se for internacional, igual. Desde que seja o que menos me pesa na carteira, porque é isso que tenho que gerir e com uma grande ginástica orçamental.

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  15. Acho que essas pequenas mudanças são de louvar. Eu confesso que também devia prestar mais atenção do que presto quando faço compras...
    Se fizermos um bocadinho que seja (dentro do que o orçamento de cada um permite), talvez façamos a diferença!
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  16. Não consigo compreender que essa seja uma preocupação do consumidor...
    As famílias dos outros países também merecem (sobre)viver parece-me.
    A garantia das condições de trabalho, sustentabilidade das empresas e outras preocupações desse género tem, forçosamente, que caber aos governos!
    Lamento desiludir-te mas acho que não iremos solucionar o problema com essas medidas, mesmo que fôssemos todo um país a comprar nacional. Com as políticas actuais só estaríamos a contribuir para o lucro dos patrões... os empregados ficarão sempre na mesma. É preciso começar na base, investigar os comportamentos das empresas com lucros de muitos milhões de euros anuais e que recorrem sistematicamente ao trabalho temporário, investigar o destino dado aos subsídios estatais... por aí fora...
    Enquanto isso não mudar, mais vale ires juntando esses cêntimos aos poucos e permitires-te ires mais vezes ao cabeleireiro ☺

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    1. Diana, acho que estás a misturar grandes empresários com pequenos produtores. Como disse acima, a minha preocupação vai para os pequenos e médios produtores que têm de vender leite a 24/25 cêntimos, para escoar produto. Vai para aqueles que estão a abater animais porque não conseguem vender leite ou carne e os animais lhes dão mais despesa do rendimento. Isso sim, me preocupa! As grandes superfícies, as Sonaes e as Jerónimos Martins, não são a minha preocupação - embora lhes deseje muito sucesso, claro. Agora aqueles empresas de cariz quase familiar que estão a passar IMENSAS dificuldades... essas sim, me preocupam.

      É triste ver casas cá da cidade, com dezenas e dezenas de anos, a fechar. É triste ouvir pessoas a dizerem-me que têm de pagar 70 euros de luz às prestações porque ninguém compra fruta nos seus pomares. É triste ouvir uma senhora de um pronto a vestir com 35 anos a dizer que está ali por ocupação, porque só consegue tirar de lucro uns 50 euros por mês, quando consegue. É triste ouvir outra senhora a dizer que tem blusas iguais às da Zara, a metade do preço, com produção nacional, mas que as pessoas continuam a ir comprar à Inditex... isso é que é triste!

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    2. Eu concordo a 100% com a Diana. A economia é um todo, regem-se todos mais ou menos pelo mesmo, tirando as partes de conseguirem negociar mais ou menos de acordo com o poder.

      Muitas empresas têm de fechar porque não há tanta procura.
      Se os estudos sobre o leite e as recomendações fossem realmente publicadas e proibissem a publicidade ao leite como algo saudável, que não é, acredito que a procura por leite descesse a pique e duvido seriamente que tantos o procurassem para consumir.

      De qualquer forma, como um todo, a mim não me custa nada que as pessoas estejam a fechar as portas: é o mercado a funcionar. Durante dezenas de anos as pessoas fizeram inflação aos preços e hoje têm de fechar. É a vida.
      Sabes o que acontece em vários locais? Os comerciantes vão buscar as coisas aos distribuidores chineses, dizem que é "made in Portugal" e espetam-lhe preços excessivos e depois querem vender... Se não dá, não dá. O comércio tem que se ajustar à procura.
      "Tem blusas a metade do preço" - tem mesmo? confirmaste? Porque eu já ouvi um discurso parecido de uma senhora que queria vender roupa sem qualidade nenhuma de 30€ para cima. Muitos começaram a baixar os preços porque perderam os clientes. Ok se baixou os preços, que faça publicidade, que mantenha os preços baixos, que não empurrem, que se modernizem, etc, etc, etc. porque uma loja que vende roupa moderna não é uma loja tradicional... hoje em dia tudo é loja tradicional e não é.
      É uma loja antiga, que existe há muitos anos e que em tempos de vacas gordas não queriam saber dos pobres para nada, tinham os preços excessivamente altos e nunca se importaram de vender ao triplo ou quadripulo do preço que lhes custava. Agora o papel inverteu-se, são os mercados a funcionar.
      Eu conheço pessoas que fizeram fortunas em negócios desse género, de fruta, disto e daquilo e hoje é o "ai meu Deus"... é a vida. São os mercados. Bem dita a hora que as coisas estão a mudar senão ainda hoje éramos um país de 3º mundo.

      Os bons negócios, com preços justos e qualidade a um rácio equivalente não irão fechar portas. Os outros, que baixem os preços e se ajustem. Se não dá, fechem portas, é o mercado de trabalho, não há trabalhos para a vida nem têm de existir, as pessoas têm de parar de se querer recostar e esperar que o dinheiro lhes vá ter ao colo, todo de uma só vez.

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    3. Anónimo das 14:09, por acaso vi os preços, blusas a 15/20/25 euros, giras, e mais baratas do que muita peça da Zara. Mas foi apenas um exemplo.

      Eu tenho pena dos comerciantes de rua. Faço por comprar no comércio tradicional. Não obrigo ninguém a fazê-lo, claro, mas é simples perceber que é MUITO difícil competir com hipermercados que compram 1000 queijos por semana... quando um mini-mercado compra os 20 ou 30... evidentemente que não conseguem preços tão baixos, logo não podem vender, se calhar, a preços tão bons. E, quando equivalem os preços dos mini-mercados aos dos hipers, nitidamente estão a cortar em muito a sua margem de lucro.

      Eu vejo pela minha irmã. Há peças em que ela, por vezes, deve ter 1 euro de lucro. Ou nem isso. Obviamente que não consegue competir com cadeias que compram centenas ou milhares de peças... Ou, competindo, evidentemente que reduz imenso a sua margem de lucro.

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    4. A questão é esta: a peça vale X, a pessoa que a fez recebeu X para a fazer (a tua irmã compra só made in Portugal? É que senão já não está a contribuir desde o inicio).
      Se a pessoa recebeu X cada 1 envolvido tem direito à sua margem para despesas e lucro obviamente, simplesmente parece-me ilógico que quem faz a peça leve 0,01€ do que ela custa e os restantes 99% sejam dados aos patrões, intermediários e vendedores.

      No caso da tua irmã, uma vez que o dinheiro não vai para quem faz é natural que as pessoas depois também não tenham margem para comprar certas coisas a determinados valores, portanto, se houver quem ofereça mais barato, uma vez que quem fez a peça na realidade não recebe nem mais 1 cêntimo por isso parece-me logico (e bem) que se compre no local mais barato.

      A tua irmã, como todos os outros, têm de se adaptar ao mercado actual. Nem todas as lojinhas e lojas são viáveis, nem todas as ideias de negócio são boas ideias. O verdadeiro empreendedorismo não é abrir uma loja qualquer para vender qualquer coisa que a malta goste para ver se os outros aderem à compra, convém que se tenha noção do mercado, convém fazer análises SWOT. Muitos nem sequer sabem o que isso é. Não é problema do povo, que na sua maioria ganha o OMN, que quem quer ser empreendedor não saiba ler e analisar o mercado. Quem não se ajusta, não se adapta e não oferece um bem essencial ou um bem que desejável a um preço que o mercado considere bom...pois ou desce o lucro e as expetativas para manter as lojas, ou fecham, analisam melhor o mercado e vêm o que faz realmente falta na zona, ou trocam de zona ou desistem do negócio.
      O mercado é isto e ainda bem pois quando não é quem fica ainda pior são sempre a classe mais baixa. Aliás precisamente para não retrocedermos nos avanços de hoje em dia convém que não voltemos ao antigamente: muitas lojas com preços excessivos e zero concorrência.

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