sábado, 23 de janeiro de 2016

Seja como o Simão

Esta semana descobri, lá no Facebook, a página "Seja como o Simão". Uma adaptação do original "Be like Bill", que já tem sido replicado por todo o mundo. Em Portugal, temos o Simão.

O Simão faz-me rir a bom rir...





Depois chego a esta, publicada hoje, e até me sinto mal disposta. É isso mesmo, Simão.


Antes de virem com a história do "cada caso é um caso", leiam de novo. A imagem fala em "abandonar". É só esse tipo de gente que se critica (nunca os que obviamente não têm outra solução). Eu tenho uma opinião muito vincada sobre os lares de idosos - respeito-os quando fazem um bom trabalho, mas conheço demasiados a fazerem um péssimo trabalho. A família deve estar à nossa beira... e com o dinheiro que gastamos nos lares, podemos gastar a ter alguém a acompanhar o familiar que precisa de apoio. Sou super apologista de centros de dia mas morro de medo de lares de idosos.

60 comentários:

  1. Eu também sou contra embora haja casos e casos. Muitos lares as famílias nem sabem nem Kerem saber as condições e estas são horríveis.

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  2. Também não gosto, ouço imensas histórias de lares em que basicamente mantêm as pessoas drogadas em medicação para estarem "calmas" durante o dia e não darem trabalho... felizmente, todos os meus avós estão de óptima saúde e são 100% independentes, mas se não estivessem, não seria capaz de os abandonar...

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  3. Descobri esta página do Simão hoje, um piadão.Fui presidente de direcção de um lar, onde se praticava um mau trabalho, e as famílias vinham na Páscoa e Natal, contra esses também sou contra e mais vale tê.los bem perto. Afinal, nada mais é, do que uma retribuição do que foi feito por nós.

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  4. Tenho uma tia-avó super velhinha. Não tem filhos, mas a família raramente visita. Se eu morasse lá na zona, ia visitar a senhora mais vezes...

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  5. É o papel dos filhos, obviamente saber em que condições vivem os pais num lar, contudo, não têm os filhos q cuidar dos pais exatamente da mesma maneira que os pais cuidaram de nós pois isso implicaria os pais mudarem-se para casa dos filhos coisa que na esmagadora maioria dos casos, são os próprios idosos que não querem. Os meus avós viviam bem numa casa e os filhos sempre os ajudaram em tudo, até que a minha avó precisou de mais ajuda. Eles não quiserem contratar ninguém lá para casa, embora os filhos sempre colocassem essa hipotese. Não quiseram ir para casa de nenhum filho. O que eles quiseram foi exatamente, e pasmem-se com o horror: ir para um lar. Neste momento estão lá e estão muito bem.
    Esse medo e horror que as pessoas têm dos lares incomoda-me muito pois falam do que ouvem e, existindo claro lares horriveis, é uma generalização terrivel.
    Acho este post, na sua ultima parte ridiculo e os comentarios também.

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    1. É pela opinião que abaixo transcrevo que assina como anónima? Repare que também generaliza dando como exemplo um só caso: o dos seus avós.

      "Esse medo e horror que as pessoas têm dos lares incomoda-me muito pois falam do que ouvem e, existindo claro lares horriveis, é uma generalização terrivel.
      Acho este post, na sua ultima parte ridiculo e os comentarios também."

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  6. Adoro a página do Simão, ahah! Fantástico.
    Quanto aos lares... partilho da tua opinião!

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  7. também já tive a ver e a rir com umas quantas peripécias do Simão ;)

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  8. Um assunto muito delicado, há lares com condições desumanas sim, até dói ver os velhinhos em certas condições, mas também há lares fantásticos e depois há filhos e filhos e ha vidas e vidas... é um assunto tão complicado.

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  9. Eu achava o Simão um fixe até este post ultra-machista :(

    https://www.facebook.com/444503145737899/photos/a.444505775737636.1073741828.444503145737899/446944702160410/?type=3&theater

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  10. http://www.jcnet.com.br/Geral/2016/01/cao-de-rua-vira-mascote-de-idosos.html

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  11. Aqui está o Simão. A mãe do Simão ficou gravemente doente e precisa de cuidados como se fosse um bebé. O Simão, de 20 anos, deixa de estudar e trabalhar para estar 24h sobre 24h em casa, com a mãe que não pode estar sozinha. A mãe morre aos 90,o Simão tem 55 anos e vai agora começar a viver.
    No entanto, toda a gente defende que fez o mais correcto.

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    1. O Simão não deveria deixar de viver. Ninguém defende semelhante. Apenas considero que o dinheiro que se gasta num lar - e não é pouco - deve ser gasto a contratar alguém para cuidar do familiar sem o obrigar a sair de sua casa.

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    2. Isso não é assim tão linear. A minha avó teve que ir para um lar porque não havia mesmo condições médicas de a ter em casa. Estava 24h por dia ligada a uma sonda, a necessitar de alguém com formação médica por perto devido a diversos problemas de saúde devido a um acidente. Arranjávamos uma enfermeira interna para estar em casa 24h por dia? Ou duas para se irem revezando? E os custos disso? Infelizmente, esteve no lar poucos dias porque a sua saúde piorou e faleceu. Somos contra lares, a minha mãe fartou-se de chorar por a ter de pôr num, mas não tinhamos outra hipótese. Então, calminha com os julgamentos. Só quem está nas situações é que sabe como é complicado

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  12. Finalmente alguem que me entende "com o dinheiro que gastamos no lar podemos pagar a alguem"... :)

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    1. Coquinhas, neste momento temos um caso destes na família e é assim que está a ser feito.

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  13. Eu não sou como o Simão no momento em que não há assim tanta gente disponível para tomar conta de idosos (as chamadas Damas de Companhia), especialmente durante a noite,e as poucas que há, querem ordenados bem chorudos que muitas famílias não podem suportar. Eu não sou como o Simão no momento em que contrato alguém que além de tomar conta do idoso, vai bisbilhotar o meu frigorífico, as minhas gavetas, enfim os meus pertences pessoais, estando exposta a minha vidinha até o facto de usar detergente de marca branca. Eu não sou como o Simão no momento em que tenho que viver com o coração nas mãos ao ter medo que esse idoso simplesmente caia pelas escadas ou escorregue nos tapetes, se desoriente e ligue o fogão, provocando um incêndio, se feche dentro de um quarto à chave e não tenha capacidade de abrir a porta... e que chegue às urgências com um olho negro e que pensem que sofre maus tratos físicos...
    Eu não sou como o Simão, no momento em que a minha casa não é assim tão grande, no momento em que há crianças pequenas em casa que claramente necessitam de cuidados...

    Querida S*... É tudo muito bonito na teoria, mas a realidade é que os nossos idosos já não são aqueles idosos activos do antigamente em que plantavam batatas até morrer. Morre-se cada vez mais tarde, fica-se dependente de terceiros cada vez mais tempo... e azar dos azares, muitos dos filhos destes idosos reformam-se quase aos 70 anos, altura em que já precisam que alguém olhe por eles e não eles por alguém.

    Vai ao serviço de urgências ou ao serviço de medicina aí do hospital de Viana e faz uma estatística das idades dos utentes e de co-morbilidades existentes... Fica o desafio ;)

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  14. Eu acho que depende das situações. Na nossa família temos dois casos de pessoas que simplesmente se recusam a ter ajuda de outra pessoa. Num dos casos a pessoa em questão ainda é autónoma e faz a vida dela sozinha, por isso está em casa dela. No outro caso, partiu do próprio casal quererem ir para um lar e até foram inscrever-se às escondidas sem o resto da família saber ;) Acho que nestas situações devem ser os idosos (estando capazes disso, claro) a decidir. Muitas vezes não há condições para ficarem em casa dos filhos (casos de sequelas de AVCs ou demências, por exemplo) e noutros há. Também é diferente ser uma pessoa a pagar um lar de 300 ou 400 euros (sendo que a reforma vai para o lar para pagar o resto) ou pagar 700 ou 800 para ter ajuda especializada (porque depois também não queres qualquer pessoa em tua casa a tratar dos teus, e isto não é só nos lares que há pessoas sem escrúpulos).

    Ou seja, acho que nem os idosos que vão para o lar estão a ser chutados pelas famílias, nem os que ficam em casa são muito amados e cuidados. Depende das pessoas, das famílias, das patologias, de um monte de coisas :)

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    1. É mesmo Joana! No caso dos meus avós maternos foi muito complicado pq eles n queriam ninguém lá em casa a ajudar, a não ser nós. Lá conseguimos arranjar uma senhora, amiga da família e profissional a cuidar de idosos no domicílio (pagávamos 800 euros e devo dizer que, para o trabalho que ela fazia, ainda era pouco...) e tb apoio domiciliário (muda de fraldas apenas) pq, no final, estiveram os dois acamados e nem a senhora, nem nós aguentávamos mais e ainda, mais um tanto para a senhora que passava as noites na casa dos meus avós (alternava com a minha mãe, para ela poder descansar)... É fácil perceber que as economias deles de uma vida rapidamente desapareceram (a doença leva tudo) e, se eu não estivesse em condições de ajudar (também) monetariamente, nem sei como é q tinha sido pq as reformas deles não davam para tudo (o meu avô sempre pensou q era a reforma dele q pagava tudo, senão nunca teria aceite). Tenho a acrescentar que foi muito difícil arranjar quem quisesse fazer este tipo de trabalho. Confiávamos plenamente na amiga da minha mãe e na senhora q fazia as noites, mas foi muito difícil com o apoio domiciliário. Lembro-me q, no início, estava sp um de nós presente para conhecer as equipas e, só muito tempo depois é q começámos a relaxar (ouvíamos tantas coisas...). Além disso, foi muito difícil conseguir camas e outros equipamentos adequados à condição deles (a partir de certa altura é sp a "cair"). É muito duro.

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    2. Sandra, acredita que sei o que isso é porque tive um avô acamado durante mais de dez anos. Ninguém discute o duro que é... e ninguém discute que, por vezes, um lar é mesmo a melhor (ou única) opção. Eu é que, por princípio, acho que toda a gente está melhor junto da família... é melhor para o idoso, que se sente amado e querido. Obviamente que quando a família não pode ou não sabe cuidar, precisa de ajuda. Mas,lá está, acho sempre preferível que o idoso fique no seu LAR... a não ser que não exista mesmo outra hipótese.

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    3. Alima, a questão é que as pessoas também são cada vez mais umbiguistas. Porque não pensar no lado do idoso e de como sentirá ao ir para um lar SE essa não for a sua vontade? A minha avó, que infelizmente faleceu há quase dois anos, dizia sempre que não queria ir para um lar. A minha mãe diz, em jeito de brincadeira, "ai de vocês que me ponham num lar". Custe o que me custar, duvido que um dia vá contra a vontade da minha mãe. Ela sempre cuidou de mim, abdicou da sua vida para ser uma mãe solteira (casada mas com marido ausente) de três filhos. Fui amada o suficiente para me sentir na obrigação (e na vontade) de fazer o mesmo por ela.

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    4. Concordamos em discordar S* ;) Ou melhor, no fundo dizemos a mesma coisa, mas eu acho que entre o preto e o branco há um grande número de cinzentos. Sou médica e infelizmente conto às dezenas as situações em que dei alta a alguém e os familiares não quiseram ou não puderam levar a pessoa para casa. E se há casos simplesmente tristes (do género 'ah é que entretanto comecei a pintar a casa e não dá muito jeito, e se a minha mãe ficasse aqui mais dois ou três dias?'), outros há em que as pessoas não estão preparadas para lidar com as mudanças que são necessárias para ter alguém em casa: arranjar uma cama especializada, mudar a estrutura da casa (no caso de ter escadas, etc), mudar a banheira, arranjar ajuda especializada (porque é necessária e não vais entregar o teu familiar ao primeiro que aparecer, há particularidades grandes em cuidar, lavar, mudar de posição e até alimentar um idoso acamado), entre tantos outros. Isto deve ser decidido em família e não há respostas certas ou erradas.

      Já vi idosos muito bem tratados em lares e já vi idosos cheios de úlceras por estarem abandonados nas camas da casa dos filhos ou na sua casa. Quando os meus avós precisarem de cuidados prefiro mil vezes colocá-los num centro especializado, com profissionais treinados, com cuidados médicos e de enfermagem assegurados 24h por dia, com vigilância e prevenção de quedas e com outras pessoas do que deixá-los sozinhos em casa todo o dia, aos cuidados de uma pessoa que pode ou não conseguir dar-lhes o necessário medicamente falando. Aliás, eles próprios dizem isso: recusam-se a ter alguém que os ajude em casa, como até já escrevi previamente. Ou seja, tu até achas preferível que o idoso fique no seu lar, mas o idoso pode não achar e toda a gente sabe como os velhotes são teimosos :P (pelo menos os meus são!).

      Para alguém se sentir amado e querido não precisa de viver com a família... Eu vivo longe de toda a gente, também só os vejo uma vez por mês (às vezes nem isso!) e acredita que me sinto muuuuito amada. E sei que os meus pais e avós se sentem muito amados e queridos também. O afecto não está relacionado com a distância ;)

      No entanto, há uma coisa em que concordo contigo: os lares podem ser (desculpa lá agora o vernáculo) uma grande merda. Já vi situações absolutamente indescritíveis. Mas também já as vi com os velhinhos sossegadinhos em casa, por isso eu diria que depende é da preocupação que as famílias têm e não com a estratégia por que optam ;)

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    5. Joana, com o exemplo dos teus avós resumiste a questão: no meu entender, o idoso tem direito a escolher. E se escolher ficar em casa, os familiares devem fazer o possível para que aconteça. Se escolher ir para um lar, respeita-se a decisão. Meu Deus, conheço casos de velhotes que imploraram para ficar em casa e, mesmo assim, foram metidos num lar. Quão mal se devem sentir? Evidentemente que deve ser muito complicado gerir ser "cuidador" e trabalhador... Mas as pessoas parecem apenas aceitar com naturalidade o lar como opção para os idosos. Há filhos totalmente dependentes. Existem casais em que, por azar da vida, um dos cônjuges fica dependente... Nestes casos, ama-se e cuida-se, por mais merdoso que possa ser para nós. Não somos só nos a contar... Desculpa a escrita, estou no tablet da mana. ;P

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    6. Cara S*, como já disse anteriormente, a população portuguesa está cada vez mais idosa, logo cada vez mais dependente de terceiros.
      A quarta idade (grupo de individuos com mais de 80 anos) está a crescer exponencialmente, o que faz com que os filhos destes estejam a chegar à terceira idade (mais de 65 anos). Como é que uma pessoa com mais de 65 anos tem capacidades físicas e psicológicas de tomar conta de um idoso? Confiarias cegamente em deixar uma criança com alguém com idade avançada, sabendo que talvez já não oiça tão bem como outrora ou que não tem tanta agilidade para levar essa criança pelo passeio?
      E achas que essa pessoa tem capacidade de tomar conta de alguém ainda mais velho, alguém bem mais pesado que uma criança, alguém que consegue ser mais criança que a própria criança? Ainda esta semana faleceu-me um tio-avô com 85 anos que esteve acamado muito tempo aos cuidados da esposa com 80 e muitos. Filhos? Estão em França e só vão a Portugal pelo Verão. O homem estava cheio de escaras, porque a esposa não tinha capacidade física para o posicionar na cama. Morreu com pneumonia, que talvez poderia ter sido evitada se o aspirassem convenientemente. Não teria este casal melhor qualidade de vida se estivesse num lar com acompanhamento 24h/dia?
      Dizes tu que o idoso tem o direito a escolher se quer ir para um lar ou não. Isso e tudo muito bonito, quando essa pessoa muitas vezes não tem consciência que pode estar a ser um fardo muito pesado para uma família: as casas são cada vez mais pequenas, a carga de horária laboral é cada vez maior. Milhares de famílias não têm um segundo filho porque não têm disponibilidade nem tempo nem dinheiro nem espaço em casa… como podem elas assumir um idoso que cuja dependência aumenta mais e mais.
      Antigamente os idosos morriam pacificamente durante o sono, agora para que não morram disto ou daquilo tomam uma catrafada de medicamentos para lhes adiar a morte, catrafada que lhes vai ao longo do tempo tirar qualidade de vida.
      Sou neta de uma avó que quando estava na sua plenitude cognitiva nunca foi a avozinha querida e fofinha… Era bem peste até: ou porque a comida estava salgada ou porque estava insossa ou porque tinha muitas espinhas, ou porque não vamos à missa ou porque o cão ladra muito e a gente devia livrar-se dele… Ou seja na temporada em que ficava na nossa casa contava-se os dias para que ela se fosse embora.
      Fui neta de uma avó que de tanto querer fazer bem e de tanto não querer incomodar, era uma verdadeira santinha chata. Será que me posso responsabilizar sozinha assim por uma pessoa e jurar que nunca lhe vou responder torto? Não creio!
      Cara S*, o grande erro das pessoas é personificar os lares de idosos como se fossem coisas do demo. Não o são. Um lar legal tem de passar por 1001 burocracias e ter 1001 protocolos para se chamar lar de idosos. Se os familiares nunca os vão visitar ao lar, seguramente também não os tratariam melhor se estivessem na casa desses mesmos familiares. É tudo uma questão de consciência. Se eu gosto do lar onde a minha avó está? Nem por isso. Demasiada decoração de revista e demasiada falta de convívio entre os idosos residentes, tornando um ambiente um bocado austero e frio (mas tenho de assumir que há muita gente dependente incapaz de ter uma conversa). Se acho que a minha avó está melhor lá do que na casa de um dos filhos com muito 60 e muitos anos que estão a ficar implicativos e mesquinhos como ela? Claro que sim.

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    7. Alima, mas é aqui que divergimos: "Dizes tu que o idoso tem o direito a escolher se quer ir para um lar ou não. Isso e tudo muito bonito, quando essa pessoa muitas vezes não tem consciência que pode estar a ser um fardo muito pesado para uma família". O velhote É FAMÍLIA... e as famílias cuidam, amam. Mesmo que seja cansativo e chato! Mesmo que custe, mesmo que nos roube tempo, dinheiro e saúde.

      Alima, eu falo da minha realidade. A minha avó, que faleceu em Abril de 2014, esteve internada por duas vezes... numa das vezes foi operada, passados uns meses já não valeu a pena ser operada. A minha tia estava TODO o dia no hospital, das 0 às 20 horas, a fazer-lhe companhia. No hospital ela tinha médicos, enfermeiros, tinha "colegas" de quarto... mas não tinha família e amor. E caramba, a minha família passava o dia com ela. É assim que nós somos. Não obrigo ninguém a ser como nós somos, mas não posso deixar de achar esquisito que alguém ache que cuidar de um familiar não é mais do que um fardo. Sim, é um fardo. Mas também é amor.

      Agora temos outro elemento da família absolutamente dependente e que não pode estar sozinho. Lá está, contratou-se alguém para part time... e o resto a família assegura. Uma pessoa, que é a que tem mais tempo livre, fica com a maioria do trabalho... mas família tem de partilhar a responsabilidade. E agora, ao sábado, em vez de lancharmos na cidade, como fizemos nos últimos 15 anos, vamos lanchar à casa onde esse familiar está.

      As famílias são para os bons e para os menos bons momentos... e só em último recurso devemos dar essa tarefa a terceiros. Esta é a MINHA visão... :)

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    8. No hospital das 9 às 20 horas, corrijo.

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    9. " A minha tia estava TODO o dia no hospital, das 9 às 20 horas, a fazer-lhe companhia" Fico muito contente por teres uma tia que tenha tido uma disponibilidade plena para estar tanto tempo com a tua avó. Eu não poderia porque tenho aulas e trabalho. Os restantes netos ou trabalham, ou estão nas aulas. A minha mãe nem nenhum dos meus tios poderiam porque apesar de quase entrados nos 60's, todos eles ainda estão à espera da bendita reforma. A única que talvez poderia seria uma tia minha com 70 anos, que apesar de reformada, trabalha como secretária do filho só porque não há dinheiro para contratar alguém.

      Fico feliz pela tua família poder contratar alguém a part-time. Uma das minhas melhores amigas, enfermeira, retira 500 do seu salário de 1000 euros a recibos verdes para que alguém tome conta do filho quando ela faz turnos de noite. Esta é a realidade da minha família e de uma grande parte das famílias que conheço que não foram afectadas pelo problema do desemprego.

      Sem dúvida que os idosos são família sim. Mas apesar dos idosos serem pais de alguém, os filhos destes são também pais... e afinal de contas, com que geração nos devemos preocupar mais?

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    10. Alima, com que geração nos devemos preocupar mais? Com todas. Meu deus, até parece que temos de escolher entre pais ou filhos...

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    11. A S* é super rica, calma!

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    12. Anónimo das 22:12, a S* tem uma rica família!

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  15. Eu acho que esse comentário em si está a colocar quem coloca idosos num lar no mesmo patamar de quem os abandona. O que a meu ver não é só parvo mas estúpido e ignorante.

    Tendo tido uma pessoa idosa a viver em minha casa durante um ano uma coisa é garantida: falas do que desconheces.
    A minha vida ficou em pantanas e o meu casamento por 1 fio. Além que acabei com uma gravidez de alto risco por tudo aquilo. Portanto, é tal e qual o que se diz em cima: tens 25 anos, metes a tua sogra a viver contigo até teres 50 anos. Depois é que vais pensar em viver, em ter filhos, em ser pessoa...? A sério?
    A maioria que abre a boca para falar desconhece a realidade de quem passa anos seguidos preso à própria casa enquanto dedica toda a sua vida a alguém. Se é recompensador? A tia do meu marido achou que não no dia em que se suicidou, 15 anos diários a cuidar da própria mãe, sem tempo para nada na vida, nem sequer para sair de casa... ela achou que o melhor caminho era ela mesma morrer.
    Eu tive 1 ano de experiência e para mim foi o pior ano de toda a minha vida, além que eu já nem sequer conseguia ser paciente, cuidar e amar aquela pessoa... além de tudo o que aquela pessoa, mentalmente desiquilibrada pela doença e completamente fora de si fazia... as pessoas não imaginam do que falam. É a utopia a falar e o desconhecimento total do desespero que é o dia-a-dia a cuidar de uma pessoa que vos arranca o discernimento.

    As pessoas falam de colocar as pessoas em casa ao cuidado de outra pessoa como se isso fosse diferente. Afinal acaba por ser a responsabilidade de outra pessoa, vocês continuarão com a vossa como se nada fosse. A S* julga muito mas no final o que faria era abandonar a pessoa em termos emocionais. Ou pensa que é as paredes que fazem falta aos idosos?

    Antigamente as pessoas morriam cedo e era obrigação da mulher (que já tomava conta dos filhos) tomar conta de todos os idosos na familia e mais alguns. Depois a mulher passou a trabalhar e a ter liberdade. E antigamente as pessoas idosas eram todas muito bem tratadas? Onde viste isso? É que os dados cientificos de então sugerem outra coisa...aliás eles actualmente vivem mais porque são muito mais bem tratados.

    Com o dinheiro que se paga a um lar pagas a alguém para estar 24h/dia com o teu familiar? Diz-me onde? E quem? Um qualquer troglodita que ficará de volta do seu portátil ou tlm? Ou vais contratar sem passar recibos e tudo ilegal? E mesmo assim pagarás a alguém que não percebe nada do que faz.
    Para teres alguém a tomar conta de um familiar teu 24h sobre 24h com conhecimentos de enfermagem incluído prepara-te para dar no mínimo uns 3000€/mensais, dando um ordenado de 1500€ para cada um (terão que ser no mínimo 2 pessoas). As noites pagam-se a preço de ouro e nem todos os idosos são pêra fácil, muitos estão acamados e a precisar de vigilância constante. Já para não falar nas camas adequadas, casa-de-banho acessível tens na tua casa? Sabes quanto custa adaptar?
    Tens esses valores?! Tu ou qualquer pessoa da classe média que precise de trabalhar para se sustentar?!
    É tão fácil falar... já dizia um dos poetas portugueses mais afamamos "bem dita ignorância"

    Para um lar dás dependendo do teu rendimento.

    Que existem lares em mau estado existem e cabe às pessoas que gostam das suas pessoas fazerem visitas surpresa como se fazem nas creches onde se deixam os bebés para ir trabalhar (vês também se "abandonam" os filhos). Cabe às pessoas denunciar o mau e procurar os bons lares. Um bom lar de idosos não é sinónimo a ser caro e para familias com poucas condições não faltam óptimas soluções.
    Aliás há muitos lares baratos que metem os mais "chiques" a um canto em termos humanos.

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    1. Anónimo das 18:49, tenha lá calma. Respeite o facto de eu não pensar como a senhora. Lamento pela sua situação, mas a família é sangue do nosso sangue... se não tem paciência para cuidar de quem ama, vai ter paciência para quem? E os pais que têm o infortúnio de ter filhos deficientes, totalmente dependentes... como fazem? Não existem lares para deixar os meninos e as creches só funcionam em horário diurno. É uma questão de princípio porque SEMPRE foi o que vi na minha família. Você é que fala do que não sabe quando diz que eu não sei do que falo. Você não conhece a minha realidade ou a da minha família.

      Evidentemente que compreendo perfeitamente o tão desgastante e stressante que deve ser... e ninguém está a falar de casos em que os idosos não têm qualquer autonomia. Acho que as pessoas misturam casos que não têm nada a ver... a sério que nunca ouviram dizer da imensidão de filhos que despejam os pais nos hospitais nas féria... no Natal... aos fins-de-semana? A sério que desconhecem que existem filhos que metem os pais num lar e os visitam uma vez por mês (e, em muitos casos, isso é muito!). NINGUÉM critica um lar como única opção... mas é digno de REPULSA as pessoas que despejam (sim, despejam) os velhotes num lar quando estes são perfeitamente lúcidos e praticamente autónomos apenas porque não os querem aturar.

      Não apresentem só casos extremos para justificar o facto de o nosso país não saber respeitar a terceira idade. É só falar com um profissional de saúde para ficar enojado com o número de velhotes que ficam "doentes" nas férias e no Natal.

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    2. Mais uma vez, falas do que desconheces, existem instituições 24h/24h para crianças deficientes e felizmente que as há. Senão muitos morreriam de fome ou viveriam numa plena miséria.

      Tu falas em cuidar de quem se ama mas desconheces a realidade vivida 24h sobre 24h durante anos seguidos.

      Tu inicialmente falaste no geral, eu respondo-te com o geral.
      Uma coisa é passares um natal ou uma páscoa com um familiar (os meus passam comigo) outra bem diferente é falares da vivência diária, de tomar conta... e falarem de valores como se o dinheiro que se gasta em casa tivesse muita coisa a ver... é no que dá falarem sem sequer imaginarem a despesa que um idoso pode dar.

      Eu também conheço profissionais de saúde e há de tudo. Também há quem mantenhas os idosos em casa sem lhes dar quaisquer condições somente para lhes conseguir extorquir o dinheiro todo, sem sequer lhes darem a medicação, conforto ou alimentação. Já nem falo de amor.
      As condições de muitos idosos que vivem com os familiares são degradantes e completamente negligentes.

      E a tua opinião é diferente da minha sim, nisto e em muitas coisas. Mas a meu ver, tu julgas muito depressa muita coisa quando ainda és uma criança mimada e protegida do mundo que nunca na vida teve que fazer verdadeiros sacrifícios por ninguém.
      Isso depois é que se vê o que farás e se o farás...porque falarem de boca cheia vi eu muitos, muitos esses com bem mais obrigações que eu que na hora H viraram as costas...

      Convido-te a passar tempo seguido com alguém assim, a tomares conta 24h sobre 24h, com as responsabilidades todas só para ti ou a pagar tudo do teu bolso...veremos quanto tempo aguentas.

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    3. Anônimo, não seja patético. A sério que me chamou criança mimada por dizer que tenho receio dos lares e que acho que os velhotes devem ser acompanhados por familiares. Dê-se ao respeito. Não falte ao respeito aos outros para sentir a sua consciência leve. Se se sente assim tão bem com a decisão que tomou, não vale a pena tentar enxovalhar os outros.

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    4. A minha trisavó foi despejada num lar, completamente lúcida. E lá morreu, aos 105, tão lúcida como qualquer jovem. Mal ela saiu, o meu avô (neto dela) fez do seu quarto um escritório, sem a mínima consideração por uma pessoa que ainda estava viva. Há casos, como este, em que a pessoa sabe que foi despejada num lar para morrer, e que triste forma de terminar a vida. No entanto, sei também que há casos extremos em que o idoso é completamente dependente, e estou solidária com as pessoas que querem ter a oportunidade de se sentir jovens, sem chegar a casa e ter o fantasma de uma morte imenente a pairar sobre tudo. Penso até que muitos idosos são postos em lares não por pura maldade dos familiares, mas porque estes não estão preparados para lidar com a morte tão de frente.

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    5. Nádia, ai que horror. Vês? É mesmo a isso que me refiro. Quando uma pessoa é mesmo dependente, compreendo... embora eu preferisse, se pudesse, manter a pessoa em casa e contratar alguém. Mas despejar alguém num lar é doentio.

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    6. Eu conheço idosos espancados pelos próprios filhos, enganados e roubados. Ficaram em casa com eles unicamente para poderem ficar com o dinheiro. Isso não é doentio?

      Colocar alguém num lar é "despejá-lo"? Uau.

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    7. Anónimo das 12:17, ninguém disse isso.

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  16. Olha, uma coisa sei de mim própria: jamais diria a um filho: "ai de vocês que me ponham num lar". A última coisa que quero é ser um peso nas suas vidas, nomeadamente quando eles tiverem a sua própria família nuclear. Havia de ser bonito eu sentir-me responsável por constrangimentos entre eles e os cônjuges, ou andar a disputar o meu espaço/atenção com netos.
    Sim, que tendo discernimento, não precisarei que mo digam.

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    1. E uma coisa eu sei: não quero ir para um lar. Portanto, tenho direito a dizê-lo. :)

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    2. mesmo que tenhas consciência que vais ser um peso na vida dos teus filhos? é bonito dizer que há centros de dia ou que se contrata alguem, mas não esqueças que a maior parte dos centros de dia recolhem os idosos a partir das 9h e entregam-nos pelas 15-16h (tens horário de trabalho compativel com isto?)e que se contratares alguem para cuidar durante 8 horas (=salário minimo+contribuição para Seg. Social), ainda ficam 16h+fins de semana! Se a pessoa precisar de cuidados como ser mudada de posição de 2/2 horas, deixas de dormir? Ou podes-te dar ao luxo de deixar de trabalhar?
      A maioria dos idosos têm alguma dependência
      No caso dos teus avós havia filhos e pelo menos 3 netos para dividir o trabalho, mas nem todas as familias têm tanta gente, e pela experiência que tenho ao fim de algum tempo acaba por cair tudo nas costas de 1, ou então o idoso é passado de mês a mês a cada filho.
      Acho que não tens consciência de que tratar de um idoso dependente não é como ter um cão, a quem dás de comer 1 ou 2 vezes dia e levas à rua umas quantas vezes, e que depois podes deixar sem casa quando vais trabalhar ou sair para passear ou tomar um café. E se a isso juntares crianças, então nem se fala...
      Espero que nunca tenhas que passar por isto, mas digo-te, como alguém que tem uma pessoa assim em casa e que abdicou conscientemente de muita coisa para o conseguir que falar é fácil, e em teoria é tudo muito bonito, mas a realidade da vida não se compadece de lirismos

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    3. Anónimo das 15:12, por favor, não diga que não sei a que me refiro. Não tentem saber mais da minha vida do que eu sei. Obviamente que não tenho a prática, mas posso ter crenças e princípios - que são o que me movem. Um dia, se for necessário, tentarei ao máximo agir de acordo com aquilo em que acredito.

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    4. O problema das pessoas é que não tem filhos para gostarem deles, ainda vivem com a ideia enraizada que os filhos servem para cuidar dos pais e não o oposto.

      Um filho fui eu que o meti no mundo, é responsabilidade minha. Já eu não sou nem quero ser responsabilidade dos meus filhos. Isso para mim é egoísmo puro.
      Cabe-me a mim preparar a minha velhice, espero que os meus filhos me amem o suficiente para me visitar, para passarem tempo comigo, não para terem que fazer sacrificios por mim e para ser um fardo na sua vida.
      Ter filhos com essa ideologia é mesmo ser egoísta.

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    5. Ó pá, constrangimentos é que não, qu'é lá isso dos velhos terem opiniões sobre a sua própria vida e o seu futuro? Mas onde é que nós estamos? E nem há filhos(adultos) que são um enorme peso na vida dos pais, que vivem à custa dos velhos e os chupam até à última. Mas lá está, essa é a obrigação de todos os pais, cuidar dos filhos nem que tenham 50 anos.
      Eu só espero que os vossos filhos (se os tiverem) pensem da mesma maneira e vos espetem num asilo daqueles bem fofinhos, que vira e mexe aparecem no Jornal da Noite da TVI.
      Para acabar, a S* não me recomendou nenhum sermão, mas vou dizê-lo na mesma: ela tem direito à opinião dela, não gosta de asilos não gosta, ponto final. Quem gosta assim tanto, que vá já reservando lá o seu lugar. É que o tempo passa muito mais rápido do que vocês, jovens, pensam.

      Maria

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    6. Egoísmo é estudar até aos 30 anos, à custa dos velhos que passam fome para ter os filhinhos na universidade, depois casar e usar os velhos como babysitters de graça,levar para casa as marmitas cozinhadas pela velha para toda a semana, aproveitá-la ainda como empregada de limpeza e limpar-lhes ainda uma parte da reforma em ajudas várias. E quando os velhos, exaustos e sem cheta, ficarem fragilizados pela idade e a doença, espetar com eles num asilo barato (pois os filhos não podem fazer sacrifícios) e esperar que morram bem depressa para se livrarem do fardo.
      Para acabar um ditado antigo (pois eu já sou velha e estou perto de ir para um lar): filho és, pai serás, como fizeres, assim acharás.

      Maria

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    7. Maria, infelizmente é isso que vejo - filhos que cada vez mais recorrem à ajuda dos pais mas que cada vez menos estão dispostos a ajudar os pais.

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  17. Essa página, além de cópia descarada está cheia de ideias pré-concebidas e contraditórias.
    É das coisas mais parvas que já apareceram no FB ultimamente.

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  18. É nestes pequenos detalhes que acho que às vezes pareces um bocado imatura...
    Concordo em absoluto contigo no aspecto em que, na generalidade, nos lares os cuidados não são de qualidade e não há carinho nem cuidado com os utentes. Partilho da opinião de que jamais permitiria que os meus avós fossem para um lar (e eles são os primeiros a dizer que querem ir, se chegar essa necessidade).
    Mas tens que compreender que as coisas não são assim tão simples, não são preto ou branco... Para além disso encontrar pessoas qualificadas para cuidarem do familiar não é fácil e sai mais caro.
    Para além disso traz desgaste ao seio familiar e não é necessariamente sinónimo de carinho e amor...
    Sou enfermeira, trabalho também em serviço domiciliário e vejo muita coisa. E há situações em que, realmente, um lar parece a melhor opção.

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    1. Diana, peço desculpa mas leia os comentários que fui escrevendo. Em nenhum lado disse que as coisas são pretas ou brancas. Apenas conheço tantas histórias que tenho receio dos lares e sinto que, enquanto puder cuidar dos meus, é meu dever fazê-lo. Um lar deveria ser mesmo só para casos em que os velhotes são totalmente dependentes. Esta é a minha visão da coisa e não me parece imaturidade.

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    2. Podemos tratar-nos por tu que isto aqui é informal.
      Não o disse com má intenção, embora reconheça que no mundo virtual possa ter parecido um ataque... mas era precisamente às tuas respostas e comentários que me referia, não ao post original.
      De qualquer maneira estou contigo nisso e reforço: nenhum familiar próximo meu irá terminar a sua vida num lar, assim eu consiga!!
      Felicidades!

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    3. Diana, exacto. Também não posso garantir nada... imagine que eu fico aleijada ou sem hipóteses de cuidar de alguém? Não posso garantir. Como a Diana, reforço: enquanto eu puder, a minha família será estimada e cuidada por mim. <4

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  19. Tive a minha avo materna a viver connosco (enquanto ainda vivia em casa dos meus pais) durante 3 anos, infelizmente ja faleceu :(
    Antes de vir para nossa casa, os filhos praticamente todos (sao 10 ao todo) queriam po-la num lar, a minha mae e um tio meu opuseram-se, e os restantes ficaram contra eles. mesmo assim a minha mae assumiu e trouxe a minha avo para casa, pois coisa que a minha avo dizia era: "não quero ir para um asilo" (era assim que ela chamava) e mesmo assim os restantes filhos alguns ate com melhores condiçoes nao quiseram cuidar dela e viraram as costas a minha mae. Ainda hoje nao falam com ela, e difamaram dizendo k a minha mae tinha proibido os irmaos de visitarem a propria mae, quando eles é que nunca apareceram para a ver, pois o orgulho era grande demais.
    A minha mae n quis a mae num lar, ficou com os irmaos contra ela, a minha avo faleceu apos 3 avc's e começaram as difamaçoes, a minha mae entrou em depressao, as coisas nao pararam eu falei com uma advogada amiga e hoje ainda estamos em tribunal pelas difamaçoes e mentiras (que inclusive foram parar a TV). Motivo para dizer que nem depois de morta a minha avó tem descanso :( (desculpa o desabafo)

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    1. Miúda, isso é horrível. Também tenho um caso feio na família. Ficavam com a reforma toda à senhora, nem um euro lhe deixavam... diziam que cuidavam dela, mas apenas queriam cuidar dela para garantir o dinheiro da reforma.

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  20. S*, venho tarde para a discussão mas não posso de deixar de comentar.
    eu já li aqui que tu saíste de casa porque querias ter a tua liberdade (aliás, até comentei nesse post!). querias viver a tua vida com o teu companheiro de forma independente, mesmo quando a tua mãe até precisava de alguma ajuda para gerir as contas da casa e mesmo assim precisaste dessa liberdade a dois. Mais do que querer, precisavas de ter a TUA vida.
    Mas imagine-se que a vida daqui a uns anos providencia que te 'calhe' um idoso a teu cargo. imagina o seguinte cenário: uma rotina de vida de acordo com as tuas possibilidades à altura - casa e contas para pagar com um orçamento apertado (como são quase todos hoje em dia), filhos para cuidar, vida de casal para gerir, horário e obrigações de trabalho para cumprir. Fazes o quê?

    opção 1) contratas uma pessoa sem qualificações por €500 ao negro, contribuindo para uma economia paralela e a degradação da vida pessoal e profissional dessa pessoa;
    opção 2) contratas uma pessoa qualificada por aquilo que efectivamente é pago por tabela nestes casos e tens que desencantar, sabe lá Deus de onde, €1400/mês (contratar um funcionário não é só pagar-lhe o salário liquido, penso que sabes disso);
    opção 3): ficas tu em casa, deixas de trabalhar e de contar com o valor do teu ordenado e ficas com um orçamento familiar abaixo do que precisas para cumprir todas as tuas obrigações;
    opção 4) procuras o melhor lar que encontres e rezas para que haja uma vaga;

    Extras que só quem passa por elas sabe que vêm em forma de bónus nesta situação em que se faz o acolhimento em casa: muitos idosos, fruto da idade, são teimosos e têm feitios extremamente complicados, gostam e acham-se no direito de opinar sobre a vida e as opções do casal o que gera, na maior parte dos casos que eu conheço nestas situações, discussões graves que levam a situações de pré-rotura de relações. Estás, em teoria, disposta a abdicar do teu casamento?

    Quando a situação de saúde é grave ficas sem tempo quase para respirar. Se nesse post comentaste que te sentias cansada, imagina num cenário destes. Por qunanto tempo achas que conseguirias aguentar?

    Depois há ainda outra situação, pais que durante toda a vida foram uns verdadeiros asnos para os filhos e no fim do seu ciclo acham que esses filhos têm obrigação moral, social e económica de os suportar. A sociedade facilmente condena sem conhecer caso a caso.

    Portanto, na teoria tens razão, era tão melhor todos termos casas equipadas e preparadas para receber idosos e se não as tivessemos termos dinheiro para as preparar se necessário, termos tempo e dinheiro para lhe conseguirmos dar tudo o que merecem, mas na prática, infelizmente, isso não funciona assim.
    Um idoso integrado numa familia normal portuguesa não pode ser acolhido em casa porque o rendimento habitual dos seus filhos NÃO DÁ para pagar a uma pessoa nem eles podem deixar o seu trabalho para fazer o devido acompanhamento. Não é uma questão de querer, é uma questão de não poder.

    Tu, no caso da tua avó, tinhas uma pessoa que podia dar-se ao luxo (sim, nos dias que correm é um luxo!) de passar 12horas por dia com ela porque provavelmente não tinha trabalho ou filhos pequenos, a maioria das famílias em Portugal não tem uma dessas pessoas à mão de semear. Se não existisse essa pessoa e se todos da família tivessem empregos com horários rigorosos para cumprir, o que aconteceria?

    Como já referiram, a vida não é tão preta e branca e cuspir para o ar pode dar muito mal resultado a longo prazo.

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    1. Olá.

      Começando pelo início: a minha mãe, graças a deus, nunca esteve desempregada (apenas um curto período de tempo). As dificuldades que tinha era de ter de sustentar os filhos também, pelo que a saída de casa da minha irmã e depois a minha, acredito que a tenham aliviado financeiramente. :) Além disso, peço desculpa, mas sempre que a minha mãe precisou de ajuda, eu e a minha irmã ajudamos. Portanto, nós temos esse à-vontade, se alguém precisa de ajuda, o outro ajuda. Ponto final. Sair de casa só pode tê-la ajudado, nunca o contrário. ;)

      O meu caso NUNCA refere os maus pais. Honestamente, um mau pai não merece um bom filho. Ou melhor, o bom filho sentir-se-á, naturalmente, como ser humano, na obrigação moral de ajudar o pai... mas não creio que tenha essa obrigação. Não dou amor a quem me trata com desdém. Esse é um ponto que, acredite, eu compreendo perfeitamente. Ninguém se redime dos pecados apenas por ter ficado velhote... é como os maldosos que viram santos quanto morrem.

      O rendimento normal de um filho naturalmente não dará para pagar a quem fique a cuidar do pai. Mas como bem saberá, existem equipas que ajudam os mais pobres... existem os centros de dia, equipados com pessoas válidas. E, para os que têm baixos rendimentos, existem os centros de dia solidários, dos centros sociais e paroquiais, habitualmente (coitados, fazem o que podem com os meios que têm). Portanto, acho que o reforma do velhote deveria ser usada para custear o seu bem estar. O filho, sendo um, teria dificuldades em comparticipar o resto... mas quando existem dois ou três filhos, distribui-se o mal pelas aldeias, por assim dizer.

      Sim, é verdade, temos a sorte e o luxo de ter uma tia que não trabalha, porque é a gestora do lar e acabou por ser a creche dos sobrinhos. E agora cuida da minha familiar idosa e ainda faz baby sitting ao filhote da minha irmã. Sim, é um luxo. Sim, é uma sorte. Mas também o faz porque QUER e se disponibiliza para tal. Outros, provavelmente, optariam por meter a minha familiar num lar. Lá está, mesmo que pudessem, não quereriam abdicar da sua liberdade e da sua vida. E é apenas a esses casos que me refiro: aos que PODEM, mas NÃO QUEREM, cuidar dos velhotes. A família não existe apenas para os bons momentos. Também serve para cuidar e estimar, mesmo que isso implique um valente sacrifício pessoal. Ou acha que a minha tia gosta de não poder ir ao ginásio, às compras ou dar um volta? Não gosta. Mas faz o que faz por amor. ;)

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    2. Tens razão, S*. E ainda há outras ajudas como apoio domiciliário. O meu pai estava meio acamado,tinha uma algália e 3 vezes por semana ia lá uma equipa do centro de saúde prestar-lhe cuidados de saúde e higiene. E à minha mãe também.
      A verdade é que muita gente não está para se chatear e, principalmente, não quer enfrentar o que acontece no fim da vida de uma pessoa. Têm medo e não querem pensar que aquilo lhes vai acontecer também um dia. Por isso, é muito mais fácil despejar os velhos no asilo e simplesmente esquecer-se de que existem. Mas já reparaste que da herança (quando existe), nunca se esquecem?

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    3. Anónimo das 4:10, ai não se preocupe, os que ignoram os pais são os que mais se preocupam com as heranças.

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  21. Há lares e lares...e há situações bem complicadas. Eu sou filha única, o meu pai ficou acamado à 2 anos, na altura já tinha deixado de trabalhar para tratar dele porque já não era totalmente independente. Tratei dele sozinha, durante dois anos, sem apoio domiciliário, sem "descansos do cuidador". É desgastante, só quem o faz assim a tempo inteiro e sozinho consegue entender o que digo. Não há fim de semana, não há uma saída com o marido, não há um passeio com o filho. São 24horas a viver só em função de uma pessoa. Cheguei a um ponto de exaustão e de tristeza insuportáveis.
    O meu pai a dada altura via-me tão cansada (está acamado, mas felizmente está super lúcido) que já me dizia que queria ir para um lar, que ia ter mais companhia e pessoas diferentes com quem falar.
    Em Novembro procurei um lar, aqui na freguesia, onde sabia que ele ia ter idosos conhecidos e onde eu tinha amigas que trabalhavam lá. O lar, ao pé de muitos que visitei é antigo, não tem luxos, mas tem pessoas humanas e carinhosas.
    Ele está no mesmo quarto que um sr. que ele já conhecia. Fartam-se de conversar um com o outro. E ele fala maravilhas das funcionárias. Diz que são todas muito boazinhas e que gosta muito de lá estar.
    É claro que ele não foi lá abandonado, o máximo que estou sem lá ir são 2 dias. Até agora não me arrependi.
    Desculpe o testamento ;)

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    1. Diana, ainda bem, fico contente. Mas naturalmente não é a esse tipo de casos que me refiro. Se a Diana visita o seu pai dia sim, dia não, fico contente. Se foi até o seu pai a sugerir, fico contente.

      Refiro-me a um caso, que eu conheço, de um senhor PERFEITAMENTE SAUDÁVEL que entrou num lar. Por ideia dele. Passado uma semana, a filha apareceu lá e começou a ver o pai, que era muito chique, sempre de fato de treino. Perguntou pela roupa dele... "ah, não dá jeito vesti-lo, é mais fácil com fato de treino". Ela não entendeu, até porque era suposto o senhor sair, dar uma voltinha. Mas nada mudou. Passo um mês, via o homem muito distante, sempre na lua... já andava drogado. Passado pouco tempo, já estava amarrado a uma cadeira, com um lençol, "para não cair". Ora porra!

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    2. Sim, isso são casos bem diferentes. Mas acredite que a maioria dos lares não é assim. Pelo menos os que conheço aqui na minha zona não são mesmo.

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