quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Isto não é o que parece

Li este texto de manhã (obrigada Me, obrigada gente que partilhou no Facebookas) e fiquei com ele na mente. Por vezes, confiamos em alguém que nos dá claros sinais de que não devemos confiar. Por vezes, tentamos fechar os olhos aos sinais de perigo, pois o amor cega-nos e tolda-nos o pensamento. Esperemos que este texto ajude as pessoas a entenderem melhor os sinais de que algo não está bem.

O teu namorado de 16 anos não é nervoso, é uma besta

Paulo Farinha

Enviar-te 35 mensagens durante o dia a dizer que te ama e a perguntar onde estás não é uma prova de amor. É uma prova de que ele é um controlador e que, se tu deixas que ele o faça e não pões um travão a tempo, a coisa só vai ter tendência para piorar ainda mais.

Fazer-te perguntas sobre dinheiro não é indício de estar atento aos tempos difíceis em que vivemos, e reflexo de uma educação de poupança. Falar muitas vezes disso indica, isso sim, que um dia ele vai querer controlar o teu dinheiro. Aliás, se dependesse dele, era ele que geria já a tua mesada. Quanto gastas. Quando gastas. Em que gastas. Quando deres por ti, estarás a pedir-lhe autorização para comprar coisas para ti.

Pedir a password do teu e-mail ou da tua conta de Facebook não é sinal de que vocês nada têm a esconder um do outro. Não é sinal de que, entre vocês, tudo é um livro aberto. Mesmo que ele insista em dar-te a password dele. Isso é um sinal de desconfiança permanente. E um passo grande para o fim da tua privacidade. Sabes o que é privacidade,

certo? É uma zona tua, onde mais ninguém entra. A não ser que tu queiras.

Os comentários sobre a roupa que usas

ou o novo corte de cabelo não revelam um ciuminho saudável. Revelam que é ciumento. Ponto. Pouco lhe importa se tu gostas daquele top, daqueles calções ou daquelas calças apertadas. Entre os argumentos usados, talvez ele diga que já não precisas de te vestir assim, porque isso atrai a atenção de outros rapazes e tu já tens namorado. Se não fores capaz de lhe dizer, na altura, que te vestes assim porque te apetece, não para lhe agradar, pensa que este é o mesmo princípio que leva muitas sociedades a obrigar as mulheres a usar burka... Não é exagero. Controlar o que tu vestes é exatamente a mesma coisa.

Perguntar-te a toda a hora quem é que te telefonou ou ver o teu telemóvel, à procura das chamadas feitas e atendidas e das mensagens enviadas e recebidas não é um reflexo de pequeno ciúme. É um sinal de grande insegurança. Faças tu o que fizeres, dês tu as provas de amor que deres (na tua idade, o amor ainda tem muito para rolar, mas tu perceberás isso com o tempo), ele sentirá sempre que é pouco. E vai querer mais, e mais. E tu terás cada vez menos e menos.

Apertar-te o braço com mais força num dia em que se chatearam e lhe passou qualquer coisa má pela cabeça não é um caso isolado e uma coisa que devas minimizar porque ele estava nervoso. Aconteceu daquela vez e é muito, muito, muito provável que volte a acontecer. Um dia ele estará mais nervoso. E a marca no teu braço será maior. E mesmo que ele «nunca tenha encostado um dedo» em ti, a violência psicológica pode ser tão ou mais grave do que a física.

Gostar de ti mas não gostar de estar com os teus amigos não é amor. É controlo. E é errado. O isolamento social é terrível.Continuar a telefonar-te insistentemente depois de tu teres dito que queres acabar a relação, ou encher-te o telemóvel com mensagens a pregar o amor eterno, não significa que ele esteja a sofrer muito. Significa, sim, uma frustração em lidar com a rejeição. E se pensares em voltar para ele, pensa que da próxima vez que isso acontecer ele vai telefonar-te mais vezes. E enviar-te mais mensagens.

Guardares estas coisas para ti não é um sintoma da tua timidez. Não quer dizer que sejas reservada. É uma estratégia de defesa tua. E um pouco de vergonha, à mistura, não é? E que tal partilhares isso? Ficarias espantada com a quantidade de amigas tuas que passam por situações semelhantes.

Talvez a sua filha não leia isto. Mas que tal mostrar-lhe a revista, para ela pensar um pouco?

38 comentários:

  1. Respostas
    1. Sim, só. É pecado? :P Algumas pessoas partilharam no Facebook e eu li!

      Eliminar
    2. Rainha Mia, eu só li agora e então?

      Eliminar
  2. Uma realidade triste, preocupante e muito mais frequente do que muitas vezes pensamos.

    ResponderEliminar
  3. Obrigado pela partilha.

    homem sem blogue
    homemsemblogue.blogspot.pt

    ResponderEliminar
  4. Wow. Fiquei completamente parva agora.
    Eu já fui 'vítima' de algumas coisas que estão neste texto. Na altura soube travar, soube impor-me e por isso agora as coisas estão melhores.
    Ninguém manda em ninguém e é isso que todos têm que perceber. Estar num relacionamento não é o mesmo que estar numa prisão!

    http://miscelaneathesecond.blogspot.pt/

    ResponderEliminar
  5. Infelizmente tive uma relação assim e sofri muito. Custou muito sair do buraco mas realmente revejo-me nessas palavras, e adorei o texto.

    ResponderEliminar
  6. Já conhecia o texto, infelizmente é esta a realidade muitas meninas não sabem escolher com quem estão e quanto mais cedo mais tendências há para isto. Acho que aos 16 muito se devia fazer sem pensar em namorar.

    ResponderEliminar
  7. infelizmente é um tema pouco abordado para a real dimensão que tem...

    Beijinho

    ResponderEliminar
  8. Ora isto faz-me lembrar aquele pessoal que defende que um 'bocadinho de ciúme é saudável'. Ciúme é desconfiança e a base de qualquer relação é confiar dando espaço, sem margem para bocadinhos. Há quem saiba parar, mas ha muitos mais que perdem a noção.

    ResponderEliminar
  9. Já tinha lido... e identifiquei-me com um namorado que tive... Felizmente durou pouco tempo...

    ResponderEliminar
  10. Brilhante!
    Tomara que todas as meninas (e os meninos também que eles também passam pelo mesmo) pudessem ler este artigo!

    ResponderEliminar
  11. Já tinha lido este texto e realmente há atitudes que não compreendo...

    ResponderEliminar
  12. Um texto absolutamente real...
    Trabalhei numa escola e é assustadora a mentalidade tacanha dos miúdos e miúdas que exercem ou deixam exercer violência no namoro... É q não é assim tão rara, bem pelo contrário :(

    ResponderEliminar
  13. Eu também só li agora mas é uma realidade já há muito conhecida embora ainda encoberta. A violência doméstica contra as mulheres começa muitas vezes no namoro, sim, a violência no namoro que é muitas vezes retratada como os "palmadinhas de amor" e vista sem grande preocupação. Este texto é um abre olhos para muitas raparigas.
    bjs

    ResponderEliminar
  14. Desconhecia ...não tenho facebook!
    Ás vezes leva-se muito tempo a acordar para determinadas situações, e quando se acorda às vezes já é tarde. E é verdade, os sinais estão sempre lá, nas mais pequenas coisas que se dizem ou se fazem.

    ResponderEliminar
  15. Uma postura obsessiva disfarçada de preocupação com o outro!

    ResponderEliminar

  16. O pior são mesmo os casos em que a violência já está instalada e as miúdas consentem... o pior é quando já não são miúdas, são mulheres adultas e casadas e com filhos dessas bestas e nada fazem por serem também vítimas de coação e terem medo... muito medo pela sua integridade física e dos mais pequenos...

    Há situações e vidas muito tristes. É preciso travas este flagelo antes que seja tarde demais.


    Beijinhos meigos
    (^^)

    ResponderEliminar
  17. Nunca é demais partilhar, vezes sem conta. Porque hoje em dia,cada vez mais, e infelizmente, as relações são violentas.

    O facebookas tem umas cenas fixes.

    ResponderEliminar
  18. Nao conhecia o texto, mas concondo com tudo porque passei por tudo isso! Valeu-me um casamento (tormento) de 9 anos! :-(

    ResponderEliminar
  19. Não tinha lido o texto mas, a parte do controlador (estar sempre a ligar, a mandar SMS, a dizer que não goste daquele amigo,do querer saber com quem estás,onde estás),sei bem o que é isso e na mesma idade dos 16. Eu abri os olhos mas, há quem não os abra...Este texto deve ser partilhado.

    ResponderEliminar
  20. Ao ler este texto que nao conhecia, consegui indentificar algumas amigas minhas.. enfim! Triste!! Já partilhei

    ResponderEliminar
  21. Já conhecia, e textos como este nunca se partilham em demasia, são um verdadeiro alerta para muita gente.
    E as miúdas que hoje aturam namorados "nervosos", são as vítimas de violência física e psicológica de amanhã.

    ResponderEliminar
  22. E assim pode começar uma vida de verdadeiro inferno.

    ResponderEliminar
  23. Não conhecia o texto mas ainda bem que há gente que o conhecia e que hoje é partilhado aqui, muitas das vezes as aparências enganam e nem tudo é só amor.

    Beijos

    ResponderEliminar
  24. Ainda bem que este texto anda a ser partilhado!! Há uns 5 anos dei por mim metida em algo parecido, e foi sair enquanto havia tempo.

    ResponderEliminar
  25. Eu desconhecia o texto mas agora que o li penso que está genial e infelizmente absolutamente correto. Sei isso pois estou no fim da adolescência e tive conhecimento de vários casos semelhantes tanto de pessoas próximas como até de pessoas que só conhecia o nome e graças a Deus nunca tal me aconteceu pois sempre soube como me impor. Leiam as vezes que forem precisas pois um caso destes provavelmente passa-se na porta ao lado ou mesmo dentro da nossa casa e nós não temos essa noção.

    ResponderEliminar
  26. Partilhares isto nem parece teu, S*. Percebo e louvo a intenção, mas...

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Wolve, não vejo qual possa ser o mal. ;)

      Eliminar
    2. Nem todos os rapazes são assim, nem acontece só a raparigas. escrito como está tem um alvo de tal maneira definido que me ofende. Mas lá está, vamos entrar na conversa dos casos que são excepção, e passado um bocado falamos da madre teresa, e acabamos no Passos Coelho, já toda a gente sabe como é.

      Tu é que costumavas ser acérrima no ataque às generalizações, daí que nem parece teu.

      Só para juntar: quando tinha 16 anos eu era, em alguns dos tópicos, como o texto pinta. E queres saber? a minha namorada na altura era ainda pior, e fomos felizes durante cinco anos e tal.

      Eliminar
    3. Wolve, o texto fala de sinais, não diz que todos os casos são iguais ou que todos os sinais revelam um grande sacana. No entanto, a maioria destes sinais, para mim, revela um grande problema de confiança e uma grande vontade de manipular o outro. Enviar 50 sms por dia, para mim, não tem mal nenhum, se o casal assim o desejar, se gostar de "falar" por mensagem. No entanto, enviar 10 sms seguidas quando o outro está ocupado é uma forma de controlar.

      Apertar o braço, seja em que circunstância for, é errado e um péssimo sinal. É verdade que eu, enquanto adolescente, era muito mais temperamental e agressiva verbalmente. Não vou mentir. Mas sabia reconhecer que estava errada. Não vou dizer que isso era correcto da minha parte, porque não era.

      Eliminar
  27. Eu fiquei amiga de um grande amor que tive e ainda hoje, quando tomamos um café e falamos com alguma nostalgia do nosso passado eu digo em tom de brincadeira, mas é a mais pura das verdades, que tive de o abandonar porque não podia estar ao lado de um homem que não gostasse de me ver de unhas pintadas, que me pedisse para cortar o cabelo quando me apetecia deixá-lo crescer, que me perguntasse se eu ia trabalhar "assim" quando usasse umas calças mais justas. É uma decisão difícil deixar quem amamos porque percebemos os sinais ao longe e acho que pensamos sempre que conseguimos mudar alguma coisa no outro. Só a maturidade nos ensina que há coisas que não valem mesmo a pena, ainda que se sofra com isso.

    ResponderEliminar
  28. Este discurso, apesar da primeira aparência sugerir o contrário, pouco contribui para diminuir a violência no namoro. Classificar um jovem de 16 anos como uma besta é uma atitude imatura, que alimenta a espiral da violência e que desconsidera a possibilidade de aprendizagem, mudança e crescimento de uma pessoa ainda em construção. Alertar e proteger sim, rotular e segregar não. Estes jovens com dificuldades sérias na regulação emocional e nas relações interpessoais precisam de modelos alternativos saudáveis - uma tarefa que precisamos urgentemente de assumir - não de condenações sumárias.

    ResponderEliminar