terça-feira, 3 de abril de 2012

Eutanásia - parte 2

Para mim a eutanásia é um acto de amor.

Para mim, ajudar um familiar a morrer (se este já não aguenta mais a dor e o sofrimento que a doença lhe traz...) é uma das maiores provas de amor que se pode dar. É preciso amar, amar muito, amar infinitamente, para se conseguir abrir mão de alguém. É preciso amar muito para colocar o bem-estar do outro à frente do nosso bem-estar.

25 comentários:

  1. Sim, também é verdade.
    Já viste o filme "Mar a dentro"? acho que ias gostar muito :)

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  2. Este texto fez-me chorar. Por ter sid tão próxima essa sensação. Assisti à morte aos poucos do meu avô. A todas as alterações físicas. Todos os dias durante a última semana eu vesti a bata, pus a máscara e as luvas e vi como ele se degradava. Todos os dias em que despia a bata, tirava as luvas e a máscara eu sentia que só desejava que aquilo não se prolongasse. Pedi-lhe, dois dias antes, depois dos irmãos dele terem passado por lá, que descansasse, que deixasse de ser o Pai de todos nós e descansasse porque ele não merecia sofrer assim. E hoje, por mais que quisesse o meu avô aqui, sei que se pudesse ter feito alguma coisa teria feito. Porque o meu Avô é tudo na minha vida e não merecia o que a vida lhe deu. Hoje sei-o a descansar e sei também o tanto que me faz falta. Mas não concebia a nossa vida assim por mais tempo, com uma sedação entre nós, com as mãos dele imóveis, sem vida, e sem ver o sorriso dele. Vida é enquanto podemos aproveitar de alguma forma. Estar seguro por artifícios não é vida.

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  3. é verdade...são sempre situações muito dificeis...

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  4. ana, lamento as más recordações, ainda tão presentes... Mas o teu caso é daqueles casos mesmo flagrantes, em que o melhor seria dizer Adeus. Infelizmente, há doenças que ainda não se consegue vencer e ninguém deve ver um familiar tão querido a degradar-se assim... força!

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  5. Eu concordo contigo.
    Li o primeiro poste sobre o assunto e agora este, espero nunca ter de tomar tal decisão, mas penso que é o melhor para o doente, não acho que seja tirar a vida de ninguem, mas sim ajuda-lo a deixar de sofrer.
    é um tema delicado e cada um tem a sua opinião...
    beijocas

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  6. estou de acordo. e olha que não digo isso de ânimo leve. jurei proteger a vida até às últimas consequências. só que, ao longo dos anos, nos vamos perguntando "quais" e "o quê" são "as últimas consequências"...

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  7. E preciso amar infinitamente para tomar uma decisão tão triste assim....e mais que um ato de amor,e um ato que te persegue a vida inteira,por maior que seja a certeza de que você ajudou aquela pessoa amada a se livrar do extremo sofrimento,sem sentido,sem cura.Ouvi alguns comentarios sobre isso,diz-se que a pessoa que toma esta atitude desesperada para acabar com o intenso sofrimento da pessoa querida,sente-se como alguém que comete um aborto,na situação em que o nenem esteja com problemas serissimos geneticos,que seu nascimento seja um sofrimento para aquele ser tão querido....dizem que a culpa terrivel.São tantos os motivos que fazem alguem que ve a pessoa mais amada com problemas incuraveis,terriveis.Que percebe que cada minuto da vida da outra sera de extremo sofrimento fisico e mental,mas e necessario se estar muito,mas muito preparado para suportar S* o peso de uma decisão destas,isso equivale a uma interferencia no curso da vida,interfere religiosamente,e um assunto tão dificil.
    Assuntos como este e outros...cada pessoa tem uma forma de encarar,Eutanasia,Aborto,casamento,religião,politica....uma pessoa só pode e SOMENTE PODE julgar estas atitudes quando esta passando por elas,NUNCA ANTES,o peso e tão grande,mas tão insuportavelmente grande sobre quem passa por estas situações que modifica uma vida inteira dela,i isso estamos falando de casos extremos,de doenças dolorosas e incuraveis,em que a pessoa esta a anos na UTI em coma ou coisa do tipo,de bebes que estão com problemas geneticos ou de ma formação extremos.Muito dificil este assunto.
    Bjs
    Deusa

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  8. É um assunto muito controverso, mas eu concordo contigo, a 100%!

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  9. Concordo tanto contigo. A minha avó está nessa situação, sofre cada vez mais e há muitos anos que está na cama, nessas situações sou completamente a favor da eutanásia. Está à espera de morrer...

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  10. Sempre defendi que saber amar também é saber deixar partir...

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  11. Estou de acordo. Sou 100% a favor da eutanásia

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  12. Eu defendo a eutanásia, sou totalmente a favor, mas... não sei se a conseguiria praticar em alguém próximo de mim!

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  13. Concordo plenamente, sempre disse que se por algum motivo estivesse nessa situação que me ajudassem a partir.

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  14. Eutanásia nunca é um acto de amor, poderá ser na pior das hipóteses um acto de misericórdia, pôr fim ao sofrimento de alguém, mas acredita que o mundo se desmorona quando alguém que adoramos se vai para sempre, é uma dor indescritível. A minha mãe morreu de cancro há 7 anos, estava a definhar e nem mesmo no último instante eu me imaginei a ser a mão que lhe tiraria o último sopro de vida. Jamais.

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  15. Discordo em gênero, em número e em grau. Isto é assassinato. Ninguém tem o direito de decidir sobre a vida de ninguém em nome do que quer que seja, amor, ódio, pena... enfim.

    Caso haja morte cerebral, e os médicos constatarem que já ouve morte do cérebro e que os aparelhos estão mantendo vivo somente os órgãos, aí sim, se a família quiser, pois há famílias que mantêm os aparelhos ligados e assumem os custos, que são altíssimos.

    No mas, é assassinato mascarado de amor. Ninguém tem o direito sobre a vida de ninguém, nem sobre a própria vida. A Vida é um dom, e não é para ser tirada, em hipótese alguma.

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  16. Carolina Tavares NUNCA referi que seria o familiar a decidir a morte... estou a dizer se o doente PEDISSE a um familiar para o ajudar a terminar com a vida... isso sim, me parece um acto de amor, se o familiar o conseguisse fazer.

    maria madeira, lamento muito por saber da história... mas e se a tua mãe te tivesse pedido ajuda nesse sentido? É a isso que me refiro. Se a minha mãe me pedisse esse tipo de ajuda, por mais que me doesse, aceitaria e cumpriria o seu pedido. Mas não te vou pedir uma resposta, passaste por isso, foi demasiado duro. Força.

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    1. Respondo sem qualquer problema. Perdi a força e o rumo da minha vida durante cerca de 5 anos. Entrei em depressão. A carreira profissional que tanto me custou a conseguir foi por água abaixo, a relação que tinha com alguém perdeu todo o interesse. O simples facto de acordar causava-me demasiada dor. A minha mãe era uma mulher muito dura, muito forte, inteligente, provavelmente uma das pessoas mais inteligentes que conheci até hoje, e não,não é por ser minha mãe que o digo, lutadora, gostava demasiado de viver, e jamais me faria tal pedido e no campo das hipóteses mesmo que o tivesse feito, assumo que seria egoísta e iria pensar só em mim. Porquê? porque quereria tê-la comigo mais um bocadinho.

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    2. Essa tua descrição da tua mãe é muito bonita e percebe-se que realmente ela amava viver e que não abdicaria de nem um minutinho da sua vida. E sendo assim, essa hipótese nem se colocaria. Felizmente teve-te ao lado dela todo o tempo... lamento que tenhas sofrido tanto com a sua partida mas tenho a certeza de que com o passar dos anos vais ficar cada vez mais forte e vais passar a alimentar as recordações com carinho e outra leveza... aquela leveza que só o tempo permite. :)

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  17. Totalmente de acordo. Eu acho que tenho o direito de decidir o que fazer com a minha vida. Em vez de ficar meses a sofrer, se posso partir em paz porque nao? Nao e facil a familia aceitar isso, a tendencia e terem esperanca que ainda ha salvacao, mas acredito que chegue a um ponto que o doente sabe o que lhe espera, e prefira partir de vez.
    Amar e saber deixar partir

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  18. Somos demasiado egoístas para pensar no outro, no sofrimento do outro, na falta de qualidade de vida. Quando queremos manter uma pessoa viva artificialmente, mesmo que ela esteja a sofrer, estamos a ser egoístas, porque não queremos sofrer com essa perda. E eu por mim falo. Perdi recentemente a minha avó, que muito amava, e apesar de saber que ela estava a sofrer horrores e que aquilo já nem era vida sequer, não queria nem pensar na possibilidade de a ver partir. Fui egoista. Sou egoista. Por isso concordo quando dizes que é um acto de amor sincero atender ao pedido de alguém, uma das maiores provas de amor. O resto é puro egoísmo...

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  19. Este tema dá pano para mangas. Por essas e outras eu digo que somos nós a decidir por nós mesmos. Devíamos ter o testamento vital em Portugal, mas essa lei nunca mais é aprovada. A eutanásia é feita por um médico, o nosso amor, a nossa maior prova de amor é garantir que a outra pessoa não está sozinha, nem que é recriminada. Porque permitir que alguém de que gostamos queira eutanásia é amor e coragem. Já o oposto é egoismo.

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  20. Não tiro uma vírgula.... é que é mesmo o que dizes, amor, um acto de profundo amor....

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