O primeiro namorado

Todos nós tivemos os nossos namoricos na escola primária, no secundário, no liceu. O primeiro beijo, o primeiro passeio de mãos dadas, no fundo, o primeiro amor. Hoje dei por mim a recordar o meu primeiro namorico.

Chamava-se (e ainda se chama) Miguel Afonso. Era o típico menino betinho, riquinho e inteligente. Giro, com olhos à chinês (que com a idade foi perdendo). Cantava muito bem, participava naqueles concursos tipo "Chuva de Estrelas" lá na escola, e chegou a ganhar um deles.

Começamos a namorar de repente, sem gostarmos minimamente um do outro. Tinhamos aí uns 11 anos. O primeiro beijo foi absurdamente estúpido, com toda a turma escondida atrás de uma parede para poder assistir. Rápido e sem qualquer tipo de emoção.
Namoramos um tempinho, um bocado às escondidas. Os jogos de escola eram sempre um bom pretexto para trocarmos um beijo, assim como quem não quer a coisa.

Até que um dia eu notei os meus colegas diferentes. Perguntei, perguntei, até que o Fábio me disse "ah, acho que o Miguel quer falar contigo". Adivinhei logo o que estava para vir.

No final do dia, depois de andar a dizer a toda a gente o que se passava, o Miguel decidiu-se a falar comigo. Fomos para um cantinho, atrás da cantina. Recordo-me como se fosse hoje.

Ele - Precisava de falar contigo.
Eu - Diz.
Ele - A Daniela, da Pedro Barbosa (outra escola) disse a uns amigos que está interessada em mim. Então eu queria falar contigo, porque eu queria poder estar com ela para ver o que acontece
Eu - (a fazer-me de forte) Está bem.
Ele - De certeza?
Eu - Claro.

Foi aí que lhe virei costas e corri para casa. Chorei, chorei e chorei. Não tanto por ter sido trocada por outra, mas pela humilhação. Toda a escola sabia, menos eu. Ainda por cima a tal de Daniela era burra que nem uma porta, e eu achava aquilo insultuoso.

Nunca lhe "perdoei". Estudamos juntos até ao 9º ano e foram raras as vezes em que lhe dirigi a palavra.

No 9º ano o caso agravou-se. O menino betinho juntou-se ao grupo dos drogados lá da escola, e começou a enveredar por caminhos pouco certos.

Um certo dia eu estava sentada sozinha num banco e ele veio para a minha beira. Fez-me uma pergunta que me magoa até aos dias de hoje. Foi mau. Foi muito mau. Demasiado mau para uma criança de 14 anos. A partir daí cortei definitivamente relações com ele.

Nos dias seguintes ele percebeu que me magoara e tentou pedir desculpa. Pegava na minha mochila e levava-a para a sala de aulas, para eu não ir carregada. Falava meiguinho para mim, era atencioso.

Mas a verdade é que nunca o perdoei. No liceu frequentamos a mesma escola, embora em áreas e turmas diferentes. Passei a ter uma péssima imagem dele. E, ainda hoje, passados quase dez anos, não gosto dele.

Dizem que o primeiro namorado nunca se esquece. Digo o mesmo, mas por razões diferentes.

Comentários

  1. Que história, Sanxeri...
    Curiosamente o meu primeiro "namorado" também foi aos 11 anos, e o primeiro beijo foi muito muito parecido ao que tu descreveste:)Aquilo durou menos de 2 semanas...foi o "namoro" mais curto de sempre ahaha E foi também ele que acabou...por causa de outra rapariga. Ele era mais velho (estou mesmo a ver que desde cedo comecei a gostar dos mais velhos:P)Enfim, isto tudo só para dizer que também acabei com uma péssima imagem dele, tal como tu. Um pouco mais tarde..aos 13, tive outros igualmente curtos e inocentes, mas muito mais marcantes:P

    beijinhos e obrigada por relembrares esses momentos:)

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  2. Já respondi ao teu Desafio, aqui.

    Depois volto para ler e comentar.

    Beijinhos

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  3. Cá estou outra vez!
    Desta vez para te dizer que tens um prémio à tua espera aqui.

    Beijinhos

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  4. Rapariga rancorosa...

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  5. primeiro beijo: 14 anos... um "amor" platónico.

    primeiro namoro (com conhecimento de ambas as partes) 17 aninhos...
    era tão atadinho... (ainda sou um pouco)
    primeira namorada, gostava de a voltar a ver... e não... não esquece!

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  6. Cara Sanxeri, tal como tu, concordo com o impossível esquecimento do "1º amor".

    No meu caso não chegou a ser namorado, foi 1º amor mesmo. Mas daqueles fortes. Eu andava no 5º ano e ele no 8º... (eu era uma miuda quase a deixar as "fraldas" e ele já era adolescente). Davamo-nos muito bem. Tinhamos longas conversas. Infelizmente apaixonei-me, mas o rapaz de cabelos escuros e encaracolados não olhava para mim da mesma maneira que eu olhava para ele. Os homens e a sua cegueira monumental face ao óbvio!! [risos]

    Um dia lá decidi declarar-me.. a minha primeira declaração de amor... fui ter com ele na escola e disse de uma maneira muito agressiva, quase gritado:

    "- Olha eu gosto de ti!!! Porquê?! Não posso?!?" e fugi a correr a 7 pés sem deixar o rapaz dizer uma única palavra. looooooool Nunca me vou esquecer. Claro que desde então nunca mais nos falamos.

    A não ser um dia.. já andava eu no 9º ano... e vem ele, irresistivelmente, pedir-me 20 centimos... fiquei "WTF??"... mas lá lhe cedi a quantia..sabendo que nunca mais a veria na vida...No entanto sabia que aqueles 20 centimos não eram limpos... porque o raio do gajo sabia que sempre tive um fraco por ele e usou-se disso para me sacar o dinheiro. Ainda hoje os espero, e ainda hoje, quando o vejo, penso nisso.

    (Até já postei sobre isso no meu blog:

    http://nomundodosespartilhosdeseda.blogspot.com/2009/01/saldo-negativo.html )

    A Foto é porque o rapaz fazia-me lembrar o Johnny Depp..esse pedaço de mau caminho...

    beijinhos e bom post! ;)

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  7. O que mais recordo é a inocência e a despreocupação dos tempos dos primeiros namoricos...

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  8. Eu no teu lugar teria reeagido da mesma maneira, ele foi um cado parvo, mas tb naquela idade axo k até se tolera... Entretanto eu tb tenho recordações estranahs do meu primeiro namorado... Acho que estas recordações fazem parte da vida de qualquer pessoa

    Bom fim de semana

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  9. gostav de saber que que ele te disse aos 14anos que te magoou assim tanto...

    a minha primeira paixoneta tb foi aos 11anos :)

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  10. Lamento que tenhas más recordações do primeiro namorado. Devia ser uma memória doce, para toda a vida. Pelo menos é o que dizem...
    Eu, felizmente, não me posso queixar. Não é que tenha corrido lindamente e dado em casamento, não, mas também não deixou más recordações.
    Eu tinha 13 anos, ele 18.
    Pois..., ele já era um homem. Trabalhava e tudo. Eu era uma adolescente que, podia não saber muito bem o que queria, mas SABIA MUITO BEM O QUE NÃO QUERIA. E o que não queria, ainda, eram grandes intimidades. Pelo que, ao fim de 3 anos, de pega e larga, largamos de vez. Ele já queria muita coisa que eu ainda não queria dar.
    Mas ficou uma doce recordação.
    Mais tarde vim a saber que ele casou com uma rapariga ainda mais nova que eu, mas que le disse que nunca esperasse grande amor da parte dele, porque continuava apaixonado pela namorada anterior (eu)...
    Paciência, para ele. Eu fiquei bem e estou bem, pelo menos relativamente à memória que tenho dele.

    Beijinhos e bom fim de semana

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  11. O que ele me disse foi demasiado ofensivo para eu gostar de falar nisso. Foi mau. Está tudo dito.

    Ainda bem que têm boas recordaçoes das vossas relaçoes, é assim que deve ser. Tento sempre encarar as coisas com optimismo.

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  12. Estava eu toda entretida a ler o post quando chego à parte em que surge a dita "Daniela", de outra escola (Pedro Barbosa). E penso eu muito depressa: espera lá Madame Butterfly, a Pedro Barbosa não é aquela escola aqui em V****? Ahhhh, pois, é... E o post ganhou novo encanto:))))

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  13. Sim, é. :D Bem-vinda visitante da minha terra.

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  14. e a pergunta ofensiva? nada há que seja demasiado ofensivo para ser escrito, já todos os insultos o foram... )

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  15. Alexandre, não foi insulto, foi pura maldade. :)

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  16. Mais valia que te tivesse passado ao lado.

    Bj,
    (i)

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  17. Gostei muito de ler. Pensa isto: Já viste da que te livraste? :PPPPP
    Um dia vais conseguir localizar a maldade com a idade da parvalheira. E depois passa:) bjs

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