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Zero à esquerda

Fico sempre impressionada e - admito - um pouco invejosa quando vejo as páginas das mães que adoram fazer brinquedos para os filhos, que perdem (vá, ganham) horas a recortar cartolinas, a montar esquemas, a produzir jogos. Sim, falo das Okapi desta vida (que é fabulosa, sou mesmo fã da Andreia).

Eu sou uma nulidade no que toca a trabalhos manuais. Zero talento. Zero vontade.

A minha sorte é que o meu filho saiu brutamontes à sua querida mamã. Ele é mais super heróis, lutas, chutos na bola, bicicletas e passeios constantes.

Durante a quarentena ainda comprei uns kits de manualidades no Lidl, mas o miúdo só gostava de cortar com a tesoura tudo o que era papel. Acabava eu a fazer os ditos trabalhos sozinha. 

Apesar de tudo, é esta a minha sorte. Nenhum de nós demonstra interesse na coisa. Faço os trabalhos que a escola pede a muito custo e algumas vezes recorro ao talento e à imaginação da Avó Maria.

Mas lá que gostava de ter espírito, cabeça e talento para tal... Lá isso gostava. Como não tenho, limito-me a ver as coisas bonitas que as outras mães fazem e a lastimar as minhas duas mãos canhotas.

Comentários

  1. Não é preciso ter talento Xpto para fazer umas coisas engraçadas (é simples) com recortes, moldes e afins.

    Acho que foi na Páscoa que mostraste uns ovos decorados e achei que estavam bonitos.

    É óbvio que se não fazes esse género de actividades com o teu filho ele vai sempre preferir as lutas, chutos na bola, etc.

    Pede umas dicas à tua mãe, pelo que tenho visto aqui, ela tem muito jeito.

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    1. Também lhe fiz o trabalho de Natal da creche e até achei que foi bem conseguido, face às minhas limitações.

      Quanto ao resto, durante a quarentena eu tentei bastante!! Ele tem moldes de pintar, livros, figuras, coisas para desenhar, desafios... Mas brinca com essas coisas cinco minutos e arruma. Não é uma criança com muita paciência, tenho de admitir, para coisas pacíficas.

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    2. Só para que conste, nenhum ser humano nasce a gostar de super heróis, lutas e a ser um brutamontes.

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    3. Só para que conste, não acredito que isso seja verdade. Os meus sobrinhos são a prova disso mesmo. São três, todos criados, educados e incentivados da mesma forma. O mais velho é um miúdo sensível, doce, que não liga a lutas e que gosta de brincar sossegado. O gémeo rapaz é brutamontes como o meu Rafael. A menina é uma lady super pacífica. Os pais são os mesmos. É mesmo tudo igual. Os brinquedos são iguais para todos, mas ela tem tendência para coisas mais calmas, o mano gémeo só quer bolas e coisas à bruta. Somos fruto das nossas circunstâncias, é certo, mas também temos uma personalidade que nasce e cresce connosco.

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    4. Há muitas coisas que somos nós que incutimos S*.
      Temos enraizado que carrinhos e azul é para menino e bonecas e rosa é coisa de menina.
      Alguém já se lembrou de fazer o contrário desde recém-nascidos até serem maiores?! Pois é.
      É um exemplo base, acho que deu para perceber.

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    5. Olhe, essa é uma verdade. Aqui em casa nunca dizemos Azul é menino e Rosa é menina. Não gosto.
      Acho uma tontaria. Mas o rapaz já me disse várias vezes que as coisas rosas são da mamã, que as bonecas são da prima... Não sei se o ouve com outras pessoas, se é na creche ou com outros meninos... Mas que o diz, diz. Eu contrario sempre, digo que toda a gente usa todas as cores.

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    6. Tenho dois filhos bem diferentes, alguns "defeitos" já vêm da barriga da mãe. Até a forma como nasceram (o tipo de parto) combina com a personalidade deles.
      Nada como ter vários filhos para perceber que há traços de personalidade que não vêm apenas da educação.
      Cada um é como é mas podemos (e devemos) moldar pelo exemplo e educação.
      PS. Também não gosto de trabalhos manuais. Nunca gostei. Com os filhos vou fazendo e até fica giro.
      SM

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  2. Às vezes, o nosso dia-a-dia é tão corrido que nos falta energia e muitas vezes vontade (verdade seja dita) para fazermos esse tipo de actividades. Só me dei ao luxo de fazer esse tipo de actividades com a minha filha na quarentena.

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  3. A paciência treina-se. Nenhuma criança nasce a ser paciente. Se os pais não o são é claro que as crianças também não o vão ser porque é o exemplo que tem. Exemplo: se lermos livros desde pequenos eles vão gostar de ouvir histórias, ler e por adiante. Se os habituamos a andar sempre na rua para aqui e acolá será difícil impor-lhe que estejam sossegados. O mesmo acontece com a alimentação: se os pais não comem alface porque o menino/a irá comer a alface?

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    1. Também concordo, em parte, consigo, embora acredite que a personalidade nasce connosco, numa boa percentagem... não toda, claro.

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    2. Juliana, então como explica que irmaos sejam tao diferentes?
      Criados da mesma forma, pelos mesmos pais, a ver os mesmos exemplos, com os mesmos valores.

      Eu nao tenho qualquer paciencia para me arranjar, detesto ir comprar roupa, visto qualquer coisa e pronto, não me maquilho nem pinto as unhas. A minha mae está sempre a lamentar-se porque nao ponho verniz de cor, e nao ponho ao menos um lapis e uma sombra nos olhos para ir trabalhar, bla, bla, bla. E elas passam as 2 tardes inteiras às compras e eu aborrece-me. Muitas vezes acabam por me comprar roupa. A minha irma anda sempre arranjada, experimenta nao sei quantas opções de roupa antes de sair, gasta imenso tempo a se maquilhar. E eu nao. A mae é a mesma....como explica isso?

      Quanto ao exemplo de ler: eu adoro ler, lia varios livros por semana quando era adolescente, estava sempre trancada a ler. Na minha casa nunca foi particularmente incentivada a leitura, mas eu gostava e requisitava sempre 3 livros da biblioteca (que era o maximo que me deixavam levar por semana) e nos anos pedia que me oferecessem livros.

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    3. Os irmãos nunca são criados da mesma forma pelos pais. Porque todos nós tratamos as pessoas de maneiras diferentes, devido à personalidade delas, à ligação que sentimos, à idade, à convivência.

      Nem dois irmãos gémeos são tratados da mesma forma, e mesmo que cresçam sempre juntos as vivências são diferentes.

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    4. Eu acho que o ambiente em que as crianças crescem (e não me refiro apenas à casa dos pais) moldam em certa parte as crianças. E há de facto coisas que é mais provável ganhar com o hábito (uma criança que desde cedo seja familiarizada com actividades mais calmas terá mais propensão para ter paciência para as mesmas do que uma criança que não esteja habituada). Ainda assim, colocar toda a responsabilidade da personalidade na educação e hábitos que os pais incutem também não acho correcto. Em minha casa sempre se leu. Os meus avós lêem muito. Os meus pais igualmente. Eu e o meu irmão fomos criados para a leitura, numa casa onde nem música se ouvia (para se poder ler melhor). Liam-nos livros antes de dormir e era o verdadeiro único luxo que os meus pais nos davam sem recusar: se queríamos um livro, eles compravam sem hesitar. Ainda assim o meu irmão sempre leu menos do que eu, muito menos até. Ambos expostos ao mesmo ambiente, incentivados da mesma maneira e com resultados diferentes. :)

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  4. Anónima de 16 de setembro de 2020 às 08:36, pense comigo. Como é que a sua irmã poderia ser vaidosa num contexto em que não existisse maquilhagem, moda, verniz e onde as mulheres não fossem incentivadas a ter preocupação com a aparência? Como é que o filho da S gostaria de super heróis se não existissem super heróis? Como é que a anónima poderia não ser vaidosa, em contraponto à sua irmã, se nem sequer existisse a noção de vaidade?

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