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Da (suposta) inocência das crianças

"Meio acordado, em choque, o país enfrenta a dura verdade - que amiúde nega - de que as crianças, os pré-adolescentes, os adolescentes não são anjinhos, desprovidos da dimensão mais negra do ser-se humano. Enfrenta, a medo, que a crueza e a crueldade serão tão naturais no animal humano como a compaixão e a empatia. E que numa criança tudo isto está em evidência de forma mais intensa, porque a auto-regulação aprende-se com o tempo, com a vida, com os exemplos. Com a Educação, enfim. Então, o que falhou aqui? Em Mirandela, e no Mundo inteiro onde haja um recreio com crianças?"

Texto que merece ser lido. Jornal de Notícias.


No 10º ano mudei de turma. Eu e a minha irmã. Nós não faziamos mal a ninguém, mas ouvíamos gracinhas e provocações vindas lá sei de onde. E injustificadas. Um dia implicavam com uma coisa, outro dia com outra. Solução? Mudei de turma. A directora de turma fez um discurso quando reparou na nossa opção. Culpou-os por terem levado duas "boas raparigas" a mudar de turma. E levaram. Acusou-os de serem mesquinhos. E eram. Não todos, obviamente. Mas em número suficiente para nos incomodarem.

Muita gente culpa os pais. Sim, podem ser culpados. Mas também podem não o ser.

Há gente má e gente boa. Assim como existem crianças boas e crianças más. Não precisam de uma justificação. São-no e ponto final.

Comentários

  1. As crianças e os adolescentes conseguem ser muito crueis. Mas com a quantidade de violência que anda por este mundo fora, com as cenas (que não raros vê na televisão) que ps mesmos observam...

    Parece que estas reaccções já estão a ter consequências no mundo actual, imaginando o mundo daqui a 50 anos andarão todos aos tiros na rua...

    Ai ai...(que visão negativa a minha)

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  2. Há quem defenda que todas as pessoas nascem más. Depois dependendo da educação que têm em casa alteram isso ou não. Quando à primeira parte não sei, quanto à segunda tenho a certeza.

    Sempre fui alvo de chacota por muitas razões. E no Liceu isso continuou, a diferença foi que não em deixaram mudar de turma. Por mim tinha mudado de planeta.

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  3. a culpa é da educação
    e do espaço que frequentam/companhias.

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  4. Existem, independentemente da sua idade, pessoas boas e más. As crianças, apesar de toda a doçura que por vezes lhes é inerente falham muitas vezes no facto de não terem a noção dos seus actos, do que para muitas das vezes é para eles apenas uma brincadeira sem grandes consequências ou uma simples amostra de força, um marcar de território. Não acredito que as pessoas nasçam más e que vão mudando, talvez seja precisamente o oposto, como também não defendo a desculpa sempre fácil da educação que recebem, dos pais, das companhias com que andam ou da violência gratuita na televisão. Eu vi muitos filmes de alguma violência na minha infância, tive amigos menos recomendáveis e presenciei algumas atitudes menos correctas, mas em momento algum as segui ou imitei. Agora na moda por alguns casos na comunicação social, esse fenómeno sempre existiu, não sendo recente. A exposição e o relevo que os media lhe consagram é que é muito maior hoje em dia.

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  5. Mas se estas mentalidades não mudarem como vai ser a nossa sociedade daqui a uns anos??...
    Isto preocupa-me.
    S* és um máximo!!!
    abraço grande

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  6. São crianças, não têm noção dos seus actos. Se têm atitudes deste tipo, cabe aos pais educarem nos de outra forma.

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  7. Eu não acredito nessa teoria das pessoas boas e pessoas más, ou de que se nasce mau e a vida nos pode transformar em anjinhos. Acho que é um pouco de tudo misturado.
    Nascemos com todas as potencialidades por desenvolver e o meio vai fazer sobressair umas e camuflar outras. Acredito que haja excepções, pessoas que nasçam com esta ou aquela característica mais ou menos desenvolvida, mas mesmo essas, se "trabalhadas" convenientemente, acabam por vir a fazer parte do estrato que compões a maioria, embora certas tendências se manifestem aqui e ali (que é o meu caso. Há aqui uns quantos fusíveis queimados, mas no dia-a-dia, consigo aproximar-me daquilo a que a sociedade convencionou chamar normalidade :)).
    É aqui que o papel dos educadores ganha importância. E é aqui que as sociedades modernas estão a falhar (embora sempre tenham existido aberrações, elas eram a excepção, enquanto agora, basta uma visita mais ou menos demorada por meia dúzia de blogues e o que mais se encontram são fulanos em muito pior estado do que eu).
    Hoje em dia os valores, os princípios estão baralhados na mesma medida em que a própria sociedade o está. Ninguém sabe muito bem ao que é que anda. Andamos todos um pouco à deriva (em todas as vertentes mas com certa relevância na vertente emocional). Vivemos numa amálgama de emoções fortes, imediatas e (eu que o diga) quase a roçar a demência. Ninguém tem tempo para viver. Viver passou a ser uma coisa completamente dependente dos média, da política e de um certo tipo de "riqueza" completamente destituída de valores morais, onde o que conta é uma espécie de esperteza saloia com que se engana todo o mundo (incluindo nós próprios) em prol dos nossos caprichos a que agora também se chama, pomposamente, "ambição".
    Quem não tiver ambições", é um falhado. Ainda que para concretizar as "ambiçõezinhas" de merda de cada um, se passe por cima de tudo e todos, se amarfanhem sentimentos e se destruam edifícios morais. Tudo em nome da ambição. Tudo pela ambição.
    A crianças criadas e educadas segundo esta falta de princípios, não se pode exigir muito mais.

    O que vale é que esta porcaria de mundo está nas últimas. Está prezo com arames e, a qualquer momento, vamos desaparecer todos. Espero que deixemos um rasto tão ténue, que daqui a uns milhões de anos alguma espécie que consiga escapar das cinzas e evoluir para níveis de inteligência considerada "superior", não tenham a tentação de nos seguir as pisadas.
    F'dasssssse, que desta vez alambazei-me. Mais um pouco e escrevia um romance lolol.

    Bjos. e um enorme Uga uga só para ti!

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  8. Uma coisa é certa. uma criança má será sempre má até que a façam ver que está errado e vice versa.

    todos nós já fizemos coisas más. todos nós já fomos cruéis. se as pessoas só se lembrassem das coisas más que fazemos, seríamos todos muito piores.

    eu já fiz, já gozei e já fui cruel. e aprendi a não ser. e mesmo assim, ainda sou, às vezes.

    acho que o que eu estou a tentar dizer é que muito pouca gente faz mal propositadamente. e isso conta muito.

    *

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  9. A meu ver indole é indole, não é o fato de ser criança que muda aquilo que esta na personalidade do individuo, e bem como dizes, o tempo e que vai mudar um pouco isso, mas com certeza o que esta la, vai permaner oculto ou mais suave.

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  10. Concordo.

    E não podemos estar constantemente a culpar os pais, ou quem quer que seja.
    Porque somos todos diferentes e desde muito cedo...

    Mas a verdade é que irá haver sempre um despojo de culpabilidade. Se são menores: os pais, se são adultos: a condição psicológica, familiar ou etc etc, que levou "x" a fazer "y".

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  11. Podem até existir pessoas que já nascem más e mesquinhas ou boas e condescendentes, mas o desenvolver ou eliminar dessas características vai sofrer a influência dos valores transmitidos pelos encarregados de educação.

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  12. As crianças às vezes são mais crueis do que imaginamos, depende do meio que estão inseridas... que gostam de gozar, inferiozar e sabe lá Deus que mais... assim como há crianças muito fragilizadas que levam tudo a peito com muita baixa auto estima... isto é um assunto velho que só agora se tem dado mais importância...
    Quém nunca foi gozada na escola: eu era ... caixa de oculos, dentes de cabalo, olivia palito faziam parte do meu dia a dia
    Os pais e educadores tem muita culpa nestes comportamentos, acredita...De facto, castigar dá muito menos trabalho do que educar.



    Bjs

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  13. estou de acordo, essa coisa de culpar os pais, na maiorias das vezes é verdade, mas que existem muitas crianças ruins desde muito novas, existem!!

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  14. eu também mudei no 10º mas foi de escola, já não aguentava mais aquilo.. embora tivesse varios amigos noutras turmas precisava de me afastar o mais possível. infelizmente so agora sinto que ja passou, n esquecerei certamente, mas isso ja n me assombra tanto

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  15. Se os professores actuarem o comportamento pode mudar. O importante é que façam qualquer coisa para isso.

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  16. Na minha opinião a culpa é dos pais e do meio onde se insere a criança. As pessoas "fazem-se" em função daquilo que vivem e presenciam.
    Também era gozada quando era mais novinha, mas felizmente nunca foi necessário mudar de turma... aprendi a lidar com isso e quem riu por último riu melhor :)

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  17. Serão as crianças, ou os pais?
    Eu ainda sou do tempo em que os papás eram responsáveis pelas cagadas dos filhos. Esta falta de responsabilização leva a este sentimento de impunidade que grassa na sociedade e que dá pra tudo. Tudo é permitido e desculpável ainda que actos completamente diabólicos e incompreensíveis ao comum dos mortais, sejam cada vez mais o pão nosso de cada dia.

    Beijinhos.

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  18. Uma verdade simples directa e acutilante. Gostei S* ;)
    Mua

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  19. Há crianças mesmo muito mázinhas!!!

    Muitas vezes tem a ver com a educação (ou falta dela) outras vezes é mesmo feitio e nada a fazer!

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