(vestindo a capa de Super Mulher)


Nunca na vida assinalei o Dia da Mulher e continuo a não assinalar. Reconheço a sua importância enquanto incentivo à luta pela igualdade, mas não consigo engolir o facto de ser um dia que é resumido a flores e palavras ocas.

No entanto, hoje dei por mim a pensar no quão fortes efectivamente somos (e temos de ser).

Caramba, eu sou a minha líder. Líder na minha vida, na minha casa, no meu mundo, no meu trabalho. Gosto de ser a pessoa que assume as rédeas do seu destino e que luta pelo que quer. Já me deixei pisar bastante, mas hoje não admito menos do que aquilo que mereço - o que é bom, mas também é mau, porque acabo por me vingar no presente à custa de erros de pessoas do passado.

Hoje dei por mim a pensar que somos quatro mulheres no meu local de trabalho e que todas nós somos efectivamente guerreiras, à nossa forma. Não gosto destas expressões bacocas, "mulheres guerreiras", quando mal aplicadas. Mas somos mesmo.

Somos todas profissionais e damos o melhor de nós. Mas somos mães, somos companheiras, filhas, tias, sobrinhas. Temos de ter mais braços do que um polvo e um coração que estica para todos os lados. Parece bacoco, mas em meia-hora faço mais do que o meu homem em duas horas e eu sei que não é falta de capacidade dele. É mais capacidade extra minha. :)

Somos verdadeiramente capazes de abafar problemas, frustrações, mágoas, e enfrentar a vida. 

É complicado e não deveria ter de ser assim - deveríamos poder descansar, admitir que precisamos de tempo para nós... Mas a verdade é que a vida não faz uma pausa por nós. E nisso, meus amigos, nós somos realmente as maiores. É duro, custa. Não temos sempre dias bons. Não estamos sempre bem dispostas. Todas temos problemas. Todas sentimos dor. Mas nunca deixamos nada por fazer... Vai daí, somos mesmo todas Super-Mulheres.

Comentários

  1. Acho que estás a generalizar um bocadinho. Eu, por exemplo, não me revejo nada no relato. Não me sinto super mulher, não tento ser e ninguém o espera de mim. Não tenho o papel de conciliadora nem cuidadora de ninguém e tenho para mim o tempo que quero, fora do trabalho. Acho que o que relatas é mais sobre ser mãe do que ser mulher.

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    1. Ai eu sinto. Sinto mesmo que as Mulheres têm muitas vezes de engolir as suas mágoas e continuar tudo para a frente - seja os filhos, o marido, o trabalho, a família. Eu sei perfeitamente que sou a gestora do meu lar, por exemplo. Embora o futuro marido seja meu parceiro de guerra, eu é que sou a mente organizadora da coisa - das compras, das tarefas, da gestão financeira, das obrigações. Acho que a nossa sociedade ainda é muito matriarcal o que é bom, porque significa que as mulheres são muito ouvidas e respeitadas no que toca ao lar e a tudo o que este envolve... mas, por outro lado, nos coloca uma pressão acrescida em cima.

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    2. Pois... tu sentes, mas nem todas sentimos. Acho que há coisas que têm muito mais que ver com a criação, a educação, a zona onde se vive e a personalidade individual que com o género.

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    3. Pois eu concordo contigo, o meu marido é trabalho e chegar a casa jantar e cama, tudo o resto sobra para quem??? O filho é quase a mesma coisa, comer, escola, sofá e de vez em quando ajuda nas limpezas ou a cuidar dos pintos.

      Cuidar dos animais, ir às compras, levar o miúdo à escola, médico, catequese, judo, dentista, etc, tratar da casa, das finanças, dos carros, marcar exames, consultas, etc... calha à esposa/mãe/filha... e sim no meu caso eu sou a gestora de tudo e todos, quando há uma consulta do filho, do marido, da mãe, do pai quem recebe as chamadas ou sms sou eu e não eles !!!!!

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    4. Desculpe marisa, mas isso é horrível. Quantos adultos há em casa? Aparentemente só um... Não sei bem como é que alguem tem orgulho numa situação dessas.

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    5. Não, Marisa, essas tarefas não recaem sobre a esposa/mãe/filha. Recaem sobre as mulheres que não se sabem impor desde o início nas suas relações, tanto com o marido, como com os pais e filhos.

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    6. Marisa, mas em muitos casos são as mulheres que aceitam que as coisas sejam assim, pelo que não faz sentido que depois se queixem de não ter tempo ou de que têm mesmo de ser super mulheres. Porque razão não ajuda mais o marido em casa? Porque razão não é ele capaz de marcar uma consulta para si próprio e gerir pelo menos estas coisas pessoais? Se me disser que prefere assim, que não consegue delegar, até percebo mas de facto é uma escolha sua enquanto ser humano, não por ser mulher. E se um dia algo falhar, e se um dia não estiver cá, como gerem estas pessoas todas a sua vida, quem limpa a casa, quem trata do seu filho? Às vezes queremos muito ajudar e tratar de tudo mas não pensamos que é importante que não dependam de nós para tudo.

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    7. Pois. No meu caso, tenho um super pai ao meu lado. Geralmente ele trata de tudo em torno do menino enquanto eu faço outras tarefas. Dividimos tudo. Maaaaas, eu é que acabo por ser sempre a líder da coisa - digo para ele mudar a areia, peço para passar no supermercado e comprar algo, peço para organizar isto e aquilo. Gostava de não ter de me lembrar de tudo e sinto falta de dias sem tarefas para cumprir depois do dia de trabalho.

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    8. S*, o problema é mesmo teres que andar a pedir/mandar para fazer as coisas, se fosse realmente um parceiro que faz a sua parte em vez de ajudar, não precisavas de ter o trabalho acrescido de te lembrar de tudo, de planear e ainda ter que o mandar fazer

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    9. o meu problema é ele não aceitar que algumas coisas têm de ser feitas.
      por ex, ele tem as revistas e os livros todos espalhados na mesa da sala, eu chego la e arrumo tudo direitinho no escritorio, e ele reclama, diz que é um disparate que as coisas estão bem assim. Se estivermos a falar de tarefas obvias como fazer as refeições, colocar roupa a lavar, passar a ferro, aspirar, ele faz a par comigo, efcetivamente dividimos 50/50, mas depois há aquelas outras coisas mais de arrumar ou por ex vêm convidados a caso e eu entendo que devo ir comprar uns bolinhos e preparar um chá e para ele era suficente oferecer pao descongelado com manteiga e umas cervejas (!!!) e portanto nestas coisas sobra sempre para mim. ou faço ou não aparece feito.

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    10. Pão descongelado é hilariante. Ahahah

      Por aqui, o homem come as bolachas e coisas melhores que eu compro para ter na despensa para essas eventualidades. Fico fula.

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  2. Acho que tu é que és bacoca...mães guerreiras não têm ajudas, estão muitas vezes sozinhas, têm 2 empregos...tu é trabalho de caca, casa, casa e casa da mãe. Pastelarias e blogs. Que fazes de útil?

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    1. Quem falou em Mães Guerreiras?

      Ai essa pressa de dizer mal.

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    2. Tu? "Hoje dei por mim a pensar que somos quatro mulheres no meu local de trabalho e que todas nós somos efectivamente guerreiras, à nossa forma."

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    3. Onde é que leu Mães Guerreiras?

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    4. Não concordo com o anónimo inicial, mas se és guerreira e és mãe és uma mãe guerreira

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  3. Infelizmente eu não olho para essas coisas como o lado bom. Mas realmente é o lado mau. Não deveríamos ser isso. Deveríamos sim, poder descansar, poder falhar, poder passar a pastilha a outros de vez em quando. Mas não. Somos obrigadas a ser guerreiras. -.- e às vezes a culpa é nossa. Que não deveríamos querer as coisas feitas em meia hora. Pode ficar feito em 2h, desde que possas ir fazer outra coisa. Com a prática passa a meia hora. Não acredito que uma pessoa demore 2h a fazer a mesma tarefa ao fim de a fazer mil vezes xP

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    1. É verdade. Muitas vezes, a culpa é nossa porque queremos as coisas à nossa maneira.

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  4. Pessoalmente, apesar de me rever em algumas coisas que descreveste, não é por isso que me sinto super mulher. Aliás, agora reparei que nunca penso em mim mesma como mulher mas como pessoa.Reconheço que sou realmente muito boa a fazer muitas coisas, sou eu que giro a minha vida e da minha família, tenho controlo sobre o que faço, o que quero, organizo a minha casa, a nossa vida, o nosso dinheiro, os nosso planos. Não quero dizer que sou melhor por causa disso ou que o meu marido não serve para nada. São decisões e planos a dois, mas sou eu que implemento as coisas, sou eu que impulsiono as mudanças. Nunca, em momento algum, me vi como uma super mulher por causa disso. Tenho características que me fazem ser organizada, boa gestora, boa a planear, boa em imensas coisas, tal como o meu marido e as pessoas com quem me relaciono e muitas outras que nem conheço têm características que as fazem ser as pessoas maravilhosas que são. Não acho que isso faça de nós super mulheres ou super homens, pode fazer de nós apenas excelentes humanos.

    O erro, a meu ver, é mesmo esta ideia de nos querermos ver como super mulheres. Nós fazemos tudo, nós queremos controlar tudo, queremos ser e ter tudo. Não damos espaço aos outros para serem e fazerem algo por nós também, muitas vezes. Portanto quando algumas mulheres se queixam que não têm tempo para serem apenas elas mesmas, para descansar, para não pensar em nada ou ter responsabilidades, muitas vezes a culpa é dessa pressão que os outros nos colocam e que nós nos colocamos a nós mesmas de que temos que ser super mulheres e/ou super mães. Não temos. Se quisermos, tudo bem, mas não somos obrigadas a nada. Acho que muitas vezes há muitas mulheres que se queixam de certas coisas com um certo orgulho, como que "sou mesmo melhor mulher" por ser uma mártir. Não são.

    Este dia e estas conversas dão-me sempre a ideia de que nos perdemos com coisinhas insignificantes, enchemos os nossos egos, bajulamos os egos das outras, quando o assunto é muito mais sério do que isso. Ainda há muito caminho pela frente para nós. Mas não nos enganemos... Somos nós as principais responsáveis por nos fazermos ser ouvidas, respeitadas, valorizadas e de igual para igual. Começa na educação que se dá em casa, começa na forma como se criam filhos homens e filhas mulheres, na forma como nos relacionamos com os nossos maridos, com os nosso pais, com os nossos filhos. Começa com o conhecimento dos nossos direitos e com as vozes nas nossas cabeças: nós não temos que ser super mulheres nem o que quer que seja que os outros dizem de nós. Nós temos que aceitar que podemos e devemos ser aquilo que quisermos, se quisermos e quando quisermos. Temos que fazer valer as nossas opiniões, os nossos sentimentos, os nossos direitos. Isso não vai lá à custa de descontos em batons ou flores ou parabéns. Começa na nossa cabeça e na nossa casa.

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  5. A tua visão é tão redutora...desculpa, mas de repente até parece demonstrar alguma ignorância.

    (quanto ao facto de não assinalares tenho de memória que assinalas sempre...Para dizer que não assinalas. Nesse caso, mais vale remeteres-te ao silêncio e não falares de todo)

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  6. Desejo um Feliz dia da Mulher pois este dia deve ser festejado todos os dias! Beijinhos*

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  7. Ao que tu chamas "Super Mulheres", eu chamo "Pessoas Adultas".

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    1. Nem mais. Este post é um bocado "já que ninguém me elogia, vou ter de ser eu"

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  8. Entendo e respeito o que dizes mas cabe-nos a nos, mulheres, deixar de nos vermos assim... como o polvo que tem que agarrar tudo.

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  9. Eu considerava-me super organizada e detalhista. Tinha listas para tudo, lembrava-me sempre bem de tudo, não me escapava uma em conversas de grupo etc.... Até ficar grávida. E ver a minha capacidade mental reduzir dia para dia. Entrei em depressão no meio da gravidez e agora já com a miúda nascida sinto-me uma naba. Tenho que anotar tudo e perco os papeis ou escrevo na agenda e esqueço-me de ler e coisas assim.. Outro dia acendi o forno e coloquei o temporizador... Sem meter o bolo dentro...

    E agora o marido assumiu a 100% as coisas, é ele que se encarrega de tudo, eu apenas amamento a miúda e conduzo o carro, compras tarefas de casa e assim se não fazem as máquinas faz ele. E agora ele diz-me "não sabia que estavas tão sobrecarregada até ter que ser eu a fazer tudo" e nem sequer é uma sobrecarga física porque ele sempre cozinhou e fez máquinas de roupa e louça por exemplo, é sobrecarga mental. É perder tempo a pensar que tenho que procurar o número do pediatra para marcar consulta para dia X mas são mil micropensamentos por dia que desgastam

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    1. Tal e qual. Sobrecarga mental. Ter de pensar em tudo e não esquecer nada. Tenho um super homem e super pai, mas eu sempre fui o lado que "organiza" tudo... e esse cansaço é imenso!

      Beijinhos e força!!!!

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