Da Educação nas novas gerações

Aqui há dois dias comentava, no trabalho, como ficava surpreendida com a protecção extra (vá, considero algo excessiva...) em relação às nossas crianças. Uma colega com dois filhotes mais velhos sorriu e disse-me "tu também vais ser assim". Acredito. Do fundo do coração, acredito que serei assim, uma mãe-galinha-em-potência, mas por agora continuo a surpreender-me com o 'superprotecionismo' às novas gerações.

Isto porque todos os dias vejo uma senhora a levar um menino de 7 ou 8 anos desde a porta do local de trabalho até à entrada da escola primária... Sendo que a distância são uns 200 metros. Mas todos os dias ela leva aquele menino até à entrada. Ora bem... Com aquela idade, eu vinha de autocarro sozinha com a minha irmã, todos os dias, para a escola - apanhávamos o autocarro junto à porta da nossa casa, na companhia da nossa tia, mas depois vínhamos sozinhas e saíamos na paragem em frente à escola. 

Hoje em dia parece que fazemos das crianças mais "atadinhas" do que elas verdadeiramente são. Fico sempre com a ideia de que estamos a criar meninos e meninas pouco independentes. Não confiamos neles, não confiamos nas capacidades que têm.

Posso ser eu que estou muito errada, mas avalio a minha infância e percebo quão diferente era... Eu preparava o meu lanche sozinha, fazia tostas, mexia em facas, e era tudo normal e natural. Estou a falar de mim enquanto criança de 6, 7 ou 8 anos. Hoje em dia parece que só podem chegar-se a essas coisas potencialmente perigosas quando atingem a maioridade... E depois temos adultos que nem um ovo sabem estrelar e jovens que nem a máquina de lavar roupa sabem ligar.

Posso ser eu que estou errada, mas acho tudo muito estranho. Pretendo, mesmo, a partir dos 5 ou 6 anos, (a não ser que o meu coração mude de ideias!) incentivar o meu filho a fazer a sua cama - mesmo que a faça mal. A preparar o seu pequeno-almoço - nem que deixe as coisas em cima do balcão, para que ele lhes consiga chegar. A vestir-se sozinho. A arrumar o seu quarto. A aprender as responsabilidade de fazer os trabalhos de casa.

Eu fiz tudo isso e nunca me caiu nada ao chão. Talvez por isso a ida para outra cidade, para a universidade, tenha sido uma coisa tão fácil e natural... Eu já percebia alguma coisa de culinária, sabia minimamente fazer as lides domésticas, cuidava perfeitamente de mim, da minha roupa e da minha comida.

Faz-me confusão. Por agora, esta nova forma de educar as crianças faz-me muita confusão. 

São nossos filhos, mas não são de vidro.

Comentários

  1. Acho que é tudo uma questão de os tempos serem outros, as pessoas vêem demasiados filmes e novelas, acham que tudo pode acontecer. Se pensarmos bem, quando nós éramos crianças, havia menos trânsito, menos pessoas na rua e, estas, por norma, conheciam-se.
    Não vivo em Portugal e os meus filhos estão a crescer numa cultura que encoraja a independência desde sempre, os parques infantis são verdadeiros lugares de descoberta, há vestuário para a chuva e para a neve, as facas são introduzidas muito cedo, aprendem a andar de bicicleta aos 3 ou 4 anos sem rodas de apoio, vestir-se sozinho é esperado a partir dos 3 anos. Obviamente, isto não é exclusivo da Alemanha, tenho a certeza que há pessoas que o fazem em todo o mundo, no entanto, de uma forma geral, as crianças são tratadas como pessoas (ainda que menos sensatas :D)e não como seres incapazes. Na minha opinião, nem tens de esperar até aos 5/6 anos, podes muito bem começar a encorajar esses comportamentos já. Coisas como pôr pratos na mesa, pôr a roupa na máquina, apanhar a roupa do estendal, guardar a roupa nas gavetas, mesmo que não seja perfeito, são grandes conquistas.

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    1. Infelizmente, não são só filmes e novelas. É a realidade, há casos todos os dias, o mundo mudou.
      Prefiro ser alarmista do que perder um filho por ter "facilitado".

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    2. Anónimo 20:29, o mundo mudou, mas não mudou assim tanto, o que mudou mais foi a forma como os meios de comunicação expõem as notícias, a proliferação da internet. A que casos se refere? Em Portugal? Eu quando li o texto presumi que houvesse medo que as crianças fossem raptadas, era a isso que me referia. O rapto criminal nem chega a 1% nos casos de desaparecimento. A maior taxa de desaparecimentos é causada pelo rapto de um dos progenitores e pela fuga.

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    3. Cecília, este é só um dos casos mais recentes. Passou-se com uma menina de 11 anos, perfeitamente capaz de ir e vir da escola sozinha.
      https://ionline.sapo.pt/646565/Crian%C3%A7a-de-11-anos-recusa-voltar-%C3%A0-escola-por-ter-sido-abusada-por-colegas-em-Carnaxide

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    4. Subscrevo, Cecília. Não há mais casos agora, agora só se explora mais os que existem, criando esta autêntica paranoia de raptos que, afinal, são parentais na maioria dos casos ou de "misteriosas carrinhas brancas à porta de escolas". A maioria das pessoas aceita todo o alarmismo sem questionar e nem sequer se lembra (ou sabe) de que a grande maioria dos "monstros" que povoa os pesadelos de qualquer pai ou mãe vive debaixo do mesmo teto, ou entra em casa por um telemóvel ou computador. Acho bem que se protejam as crianças, mas sem a autonomia e a responsabilidade de que fala a S., vamos criar adultos incapazes.

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    5. É muito isso. Não vejo assim tantos perigos ao virar da esquina... Mas posso ser inocente

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  2. Curiosamente, ainda hoje pensei o mesmo ao ouvir uma colega babar-se que a filha, de 15 anos, "já a ajuda" a arrumar a casa. Eu entendo que "os tempos são outros", mas não paro de me surpreender. Eu e o meu irmão ficávamos sozinhos em casa desde que entrámos para a escola, estávamos proibidos de abrir a porta a desconhecidos e/ou a dar conversa a desconhecidos, aprendemos a ter cuidado ao andar na rua, cada um tinha as suas tarefas desde que tínhamos altura para chegar ao lava-loiça. Desde os 10 anos que estas incluíam cozinhar ou, pelo menos, adiantar o jantar, que a minha mãe trabalhava e não chegava antes das 19:30, tratámos de matrículas, compras de livros, passes, pagámos contas. Tivemos uma infância feliz, crescemos independentes e "desenrascados", os meus pais nunca tiveram problemas connosco e nunca estivemos alheados do mundo. Hoje, parece-me que as crianças/adolescentes vivem numa redoma e os pais estão a criar autênticos bananas com palas nos olhos.

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    1. Ahahah Com essa idade eu já fazia tudo há muito tempo.

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  3. Neste ponto tenho uma mistura de sentimentos...Em primeiro, acho que há coisas que já no nosso tempo existiam. Eu conheço pessoas da minha idade que chegaram aos 20 anos (ou mais) sem saber cozinhar um ovo, sem pôr roupa na máquina, sem lavar louça, porque viviam com a família, onde a mãe assumia este papel e não educava os filhos para fazerem fosse o que fosse. Ou seja, não acho que isto seja só de agora, um problema dos tempos "modernos".
    Por outro lado, é verdade que antes muitos de nós iam a pé para a rua mas eu por exemplo já não fiz parte dos que tiveram uma infância "na rua", em que a hora de voltar a casa era à hora do jantar, onde todas as crianças do rua ou da aldeia se conheciam e se encontram sempre no mesmo sítio. O apartamento dos meus pais, na cidade, à beira de uma grande avenida movimentada não nos dava essa liberdade, para grande pena do meu pai. Provavelmente, ao olhos de alguns eu já faria parte de uma geração mais "atadinha". :)
    O que eu acho, é que há um efeito "causa-consequência": como há menos crianças a ir para a escola a pé sozinhas (ou a brincar na rua/etc), os pais que até deixariam os filhos irem retraem-se e acabam por não deixar. A mim pelo menos isso influenciaria: não a quero a brincar sozinha na rua e preferia que a Mini-Tété fosse para a escola a pé ao mesmo tempo que outras crianças do que sozinha. Mas no nosso caso isso nem será opção infelizmente, porque não há passeio até à escola da Mini-Tété nem autocarros (que eu saiba) pelo que vou mesmo andar a fazer de motorista nos próximos anos. :)
    Quanto ao trabalho em casa, a pequena ainda nem andava e já tirava a roupa da máquina, a louça da máquina, limpava o pó, depois começou a pôr a mesa, a aspirar. Claro que num ambiente de brincadeira mas faço questão que ela perceba que não são anões que fazem tudo isto e que todos temos de contribuir para que uma casa se mantenha como gostamos. Odiaria ter uma adolescente que não soubesse fazer nada para se alimentar.

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  4. Não poderia estar mais de acordo... Escrevi sobre isso mesmo aqui há dias. A sociedade mudou, é um facto. Mas não justifica o facto de estarmos a criar seres potencialmente atrasados a vários níveis quando atingirem a fase adulta.

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  5. A mim ainda me choca mais quando os pais protegem filhos que já são adultos. Tenho um amigo de 22 anos que mora em Londres e está a fazer o mestrado. A mãe vem cá todos os meses religiosamente fazer comida caseira (que depois congela para durar um mês) , lavar a roupa e limpar a casa.. Todos os meses! Este meu amigo nunca trabalhou na vida, nem um part time, não se desenrasca para ir ao banco ou médico sozinho, é muito inteligente na escola mas depois é um atado em coisas da vida.. Ainda tive que lhe explicar como se usava um balde e uma esfregona.. Infelizmente não estou a exagerar.

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  6. Eu sou protectora a nível de maldade. Ainda por cima o meu filho é um menino especial e tenho de o proteger mais de situações maldosas.
    Mas sabe tomar banho desde cedo, fazer a cama, levanta-se e sabe tratar do seu pequeno almoço e tomar os seus medicamentos. Adora ajudar em casa.
    (Tem 7 anos).
    Acho que nem 8 nem 80.
    Pode ir para a rua daqui brincar com os outros meninos, sem problema, ele prefere não fazê-lo, mas se quiser ir, pode, desde que não saia da nossa rua.
    Os tempos mudaram, para o bem e para o mal.

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  7. Muitas vezes acho essa protecção demasiada, mas tenho a certeza que serei dessas mães :/ falo no exemplo do ir por o menino à porta da escola. Em relação às coisinhas dele, como a cama, o vestir, etc concordo plenamente contigo :)

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  8. Em relação ao ensinar coisas como ter que ajudar em casa, pôr a mesa, arrumar o que desarrumou, fazer a cama, apanhar as meias e deixar no cesto da roupa suja, são coisas que incuti ao meu filho desde cedo, talvez a partir dos 4. Aos 5/6 comecei a deixar participar em algumas tarefas na cozinha. Agora com 8 já sabe cortar legumes, ajudar na confecção de algum prato, coisas mais simples e para já supervisionado. Também quando tem fome ou sede, sabe servir-se de água/sumo e sabe apanhar coisas como pão, fruta ou mesmo umas bolachas, não há cá criados digo-lhe sempre. Este tipo de coisas sinto-me à vontade e quero que seja o mais autónomo possível. A parte de o deixar ir sozinho para a escola é que não consigo mesmo conceber para já. Ok que a escola também não fica a 200m, mas sim a 1km, mas também não o deixo ir brincar sozinho para a rua mesmo que seja à porta do prédio. É mais forte do que eu. Não sei se por viver no centro de Lisboa onde só conheço os meus vizinhos de vista, mas mesmo a viver numa zona muito tranquila e segura não me sinto confortável. Talvez uns anos mais tarde. Mas depois penso em mim nos anos 80/90, e com 5 anos já dizia à minha mãe vou brincar para o parque (que era em frente ao prédio) e ninguém queria saber, passava horas fora de casa e era normalíssimo. Acho que os tempos são mesmo outros. Acho que não ajudou ter passado parte da minha pré-adolescência a ver todos os dias nas notícias o desaparecimento do Rui Pedro, isso marcou-me até aos dias de hoje. Às vezes quando vejo a mãe dele na televisão fico muito comovida.

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  9. Porque é que o título não é a alimentação e é "da alimentação..."

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  10. Pode perfeitamente criar se um filho independente sem ele ter q andar sozinho na rua. O meu filho com 10 anos já faz a cama dele há imenso tempo, cedo o ensinei a dobrar a roupa q despe, a arrumar um brinquedo quando quer ir brincar com outro. É capaz de fazer o pequeno almoço dele e ajuda me imenso com a bebé. Todos os dias vai de manhã buscar o pão à mercearia aqui na porta ao lado do nosso prédio. Também é capaz de ajudar me a lavar a loiça e a fazer limpezas em casa. Porém, não sou capaz de o deixar ir sozinho para a escola e não é q ele não saiba o caminho. Por muito que confie nele, de pouco me vale se um maluco qualquer mo levar na rua, não é? E isto não é paranóia, tem havido casos aqui na zona. Mas mesmo q não houvesse, se acontece noutros sítios, porque é que aqui não seria possível acontecer também?...

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    1. É isso mesmo, não acontece só aos outros.
      Não é preciso haver milhões de casos de crianças raptadas/violadas/etc. em Portugal, basta que haja uma. Essa também é filha de alguém. E podia ser minha.

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    2. E dp ha o Julen q morreu por uma distracao de segundos.... voces nao têm medo? Ensinar a fazer tarefas domesticas nada tem a ver c deixar sozinho na rua.

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    3. Sou a Anónima das 11:32. Eu não falei em tarefas domésticas. Ou falei?

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    4. E depois quando há situações que correm mal como a do Julen, todos criticam todos julgam todos apontam o dedo.
      No fim somos "presos por ter cão e por não ter", e misturar temas como crianças de 6 anos irem sozinhas para a escola e fazerem a sua própria cama é só parvo. O meu filho tem as suas tarefas domésticas desde cedo, aliás com 2/3 anos já sabia que não ia para a cama sem arrumar os seus brinquedos, mas só começou a andar sozinho na rua por volta dos 11 anos, que foi quando o achei preparado.

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    5. O anónimo das 16h32 tocou num ponto importante: a criança tem de estar preparada. Eu por exemplo comecei a ir a pé para casa mais cedo que o meu irmão, porque ele era menos responsável que eu, e dado o movimento das ruas onde passávamos era preciso alguma cabeça para não sermos atropelados por exemplo. E para não perder as chaves pelo caminho. Ou para saber o que fazer caso algum estranho metesse conversa. Nem todas as crianças estão preparadas com a mesma idade.

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  11. Tenho 25 anos, brinquei imenso na rua e não faço ideia como se liga a máquina de lavar. Não sabia cozinhar quando fui para a faculdade e fui aprendendo. Quando precisar de aprender a ligar a máquina de lavar aprendo. Porque se tem de incutir isso aos 7 anos? Credo.

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    1. Com 25 anos e quem lava a roupa aí em casa? Espero mesmo que seja uma empregada, porque se disser que é a sua mãe (também conhecida como a dada da roupa) aí tem a resposta para a importância de ensinar estas coisas aos miúdos desde cedo. Para não serem inúteis que vivem nos "hotéis" dos pais, ou que levam a roupa para casa dos pais para ser lavada. Não tem vergonha de aos 25 nunca ter feito uma máquina de roupa? Eu teria. Eu sempre tive empregada, e mesmo assim nunca tive problemas em meter roupa a lavar quando foi preciso.

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    2. Vivi com a minha mae ate aos 28 anos, e ate essa idade nunca tinha ligado a maquina de lavar, ou preparar uma refeicao sozinha ou passar a ferro, mas sempre trabalhei muito em casa, simplesmente a minha mae achava q era mais eficiente ela mandar em tudo e eu ajudar. Por ex qd era p passar a ferro roupa eu é q ia pondo a peça do avesso, ela passava e eu voltava a por do lado direito, dobrava ou apertava os botoes e ia arrumar no sitio, assim ela tinha o ferro ligado o menos possivel p poupar energia. Qd era p cozinhar ela ia dizendo descasca batatas, corta as cenouras, vai buscar arroz, e eu fazia. Nao fazer as coisas sozinhas n significa q se seja inutel. Cada caso é um caso.

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    3. 1a anónima, sim. Temos empregada. E não, não tenho vergonha nenhuma de nunca ter feito uma máquina.
      O que diz a 2a anónima tem toda a lógica. Cada caso é um caso. Ajudo a minha mãe em tudo o que é preciso quando a minha empregada não está. E pasme-se, durante a semana não vivo em casa dos meus pais e desenrasco me todos os dias na minha própria casa.

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    4. Meus deus! Eu devo viver noutro mundo! Desde muito, muito cedo que sempre ajudei em casa. Desde os 12/13 anos comecei a passar a ferro (só não passava as camisas e calças vincadas) e desde os 15 que passava a roupa das 5 pessoas que viviam lá em casa e arrumava e limpava a casa toda (moradia com 5 quartos, 2 wc's, sala e cozinha). Desde os 18 que ainda trato do IRS dos meus pais e única coisa que não fazia diariamente era cozinhar, mas pelo menos 1 ou 2 refeições por semana ia fazendo, até aos 26 idade em que casei e saí de casa (considerando que vivi 5 meses em Erasmus, por isso nessa altura já cozinhava todos os dias).
      Não percebo, mesmo, como é que uma pessoa com 25 anos não sabe fazer qualquer destas tarefas. E pior...a culpa nem é delas - mas dos pais, que não ensinaram!

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    5. Anne, eu acho que as coisas devem ser ensinadas quando são necessárias.
      Um ponto é importante: devemos sempre ajudar os nossos pais porque eles nao sao nossos criados. Agora se as fazemos sozinhos, ou sob a orientação deles depende das necessidades. Eu tenho 33 anos, e ponho a roupa a lavar, a secar, passo a ferro e arrumo mas não faço ideia de como por lixivia ou tratar das nodoas mais complicadas. Obviamente que sao casos mais raros mas ainda este fim de semana disse à minha mae q gostava de começar a aprender esses pormenores para nao ser sempre ela a tratar dessas situações.

      Não confundir quem não sabe fazer tudo sozinho mas ajuda os pais e quem não faz nada em casa e trata os pais como criados (que tb há muitos assim obviamente)

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  12. Eu concordo plenamente contigo. Esta proteção máxima, por vezes (muitas vezes) exagerada não prepara as crianças para o futuro. Sim, o nosso futuro! Estamos a falar de pequenas coisas que podem mudar muito na personalidade delas. Quando dei catequese a crianças até ao 6ºano e havia pais que me pediam para ajudar os filhos a atravessar a rua na passadeira. Com a idade deles eu andava de comboio e fazia o caminho de noite para casa, da escola.

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  13. Eu acho que as duas coisas não estarão obrigatoriamente relacionadas. Eu fui uma criança muito pouco autónoma nalgumas coisas (só aprendi a cozinhar quando fui viver sozinha aos 18 anos, nunca arrumava ou limpava nada porque o faziam por mim) e extremamente autónoma noutras (aprendi a trocar pneus com 12 anos, por exemplo). Fui a pé para a escola sozinha desde os 10 aos 15 anos porque a escola ficava perto de minha casa, mas nos outros períodos ia de carro com o meu pai e sinceramente adorava ter aqueles momentos com o meu pai todos os dias. Nunca senti grande falta de ser mais autónoma em casa, porque os meus pais ensinaram-me a ser pragmática - quando precisei aprendi e pronto, hoje cozinho bem como o caraças e sou uma fada do lar na mesma :D

    Por outro lado, o miúdo já é diferente. É muito autónomo, e efectivamente nós estimulamos imenso isso. Aos dois anos ele gosta de nos ajudar a tirar a louça da máquina (e consegue tirá-la toda), consegue pôr a roupa suja na máquina, ir buscar a cápsula de detergente e pô-la na máquina, fechar e ligar (o que me deixou em choque da primeira vez que vi), gosta de nos ajudar a estender a roupa (estende é tudo mal, mas nós fazemos grande festa na mesma e ela fica toda mal estendida na mesma, para ele se sentir mais capaz), levanta a louça dele depois de comer e deita-a para o lava-louça, arruma os brinquedos depois de brincar (depois de nós lhe dizermos para o fazer, mas arruma), arruma os sapatos no móvel e toda uma miríade de actividades que nos vê a fazer e que é extremamente estimulado a fazer também porque é giro e divertido. Na rua ele gosta de ir a andar sozinho (não gosta de nos dar a mão), a não ser que esteja cansado (aí quer colo) ou que haja passadeiras (aí pára e nós damos a mão). Mas não faço questão que vá sozinho para a escola, nem acho que seja importante de todo. Porque não me importo de ir com ele - é bem fixe, aliás -, porque adorava ir com o meu pai, porque trabalho com miúdos, alguns deles com vivências bem difíceis - abusos, violência, etc - e isso deixa-nos fantasmas, mas acima de tudo porque eu sinto que não é assim tão importante. Mais do que tarefas, temos de lhes ensinar valores e depois eles orientam-se :D

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  14. Repare no seu relato: apanhava o autocarro à porta de sua casa, com a irmã, na companhia da vossa tia, e saia à porta da escola. Ou seja, há imensos anos, vocês não ficavam sozinhas na rua. Por isso não acho um contraste tão grande com o facto de o menino de 8 anos, ter companhia por 200m a pé. Quanto às tarefas domésticas, concordo com a Tété, pois conheço homens com 40 anos a quem a mãe - e as irmãs - sempre fizeram tudo. E nessas casas, era obrigar as mulheres a trabalhar e quanto aos meninos, deixá-los descansar. São mentalidades esquisitas e antigas.

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  15. Eu concordo com o que diz mas andar sozinho na rua para mim depende. Depende da zona, da idade, da maturidade, da distância, se vai sozinho ou com algum amigo etc. Mas não acho que o facto de levar um filho de porta a porta não invalida o ele saber fazer coisas e ser independente noutras actividades.
    A minha filha tem 18 meses, não sei a que idade a vou deixar andar sozinha mas ja arruma a casa, come completamente sozinha com talheres (desde que cortadas algumas coisas), ajudame a por a roupa na máquina, a por a roupa a secar e até a arrumar as compras do supermercado. Estimulamos que ela tente fazer as coisas mesmo que nao saiam bem e depois vai aprendendo. O que acho ridículo, e que não me parece exclusivo dos mais pequenos, é aquelas mães que toda a vida fizeram tudo para os seus filhos, a papinha toda feita desde sempre. Mas disso ha muito também na nossa geração!

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  16. Os pais portugueses têm fama disso mesmo, de protegerem demais. Até em coisas simples - ninguém aqui no UK agasalha tanto os filhos como nós agasalhamos a nossa. Para eles, o frio é normal. Agasalham-se sim, mas sem muitas paranóias, enquanto nós estamos sempre com medo duma corrente de ar xD Percebo o que queres dizer, não sei como vou ser quando a minha filha começar a crescer, mas acho que cada um deve fazer o que funciona para si… Agora uma coisa não percebo: tanta proteção, mas depois querem ir em "viagens de finalistas" para o sul de Espanha, que já se sabe muito bem para o que são, e não há problema nenhum

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    1. As viagens de finalistas são para... Finalistas! Têm 17/18 anos.

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    2. Os Britânicos estão mais acostumados ao frio, por isso a despreocupação deve-se ao facto de não ficarem doentes por não haverem grandes flutuações de temperatura. Além disso, todos os edificios estão equipados para manterem uma temperatura interior agradável, as crianças se apanharem frio é durante um curto intervalo. Quanto aos outros parâmetros, são tão preocupados como nós e se deixam os filhos andarem facilmente na rua deve-se ao facto de existir CCTV por todo o lado o que leva a uma maior sensação de protecção.

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    3. Os pais portugueses são muito engraçados. Levam os filhos mesmo ao portão da escola, nem no estacionamento podem deixar os meninos, não vão eles perder-se. Fazem filas gigantescas à porta das escolas porque os meninos não podem caminhar meia dúzia de metros. Mas depois deixam-nos ir para as discotecas. LOL Sim, porque não vão levar os filhos à escola quando eles tem 10 anos. Quando têm 16 também. É só observar o espectáculo nas escolas secundárias

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    4. levar os filhos à escola de carro é normal, não precisam é de os deixar mesmo à porta, podiam ficar no inicio da rua qd sao mais velhos para nao empatar o transito.

      Eu acho que no caso dos mais velhos nada tem a ver com segurança, tem a ver com conforto. Eu tenho um portao electrico com comando na moradia porque nao quero ter o trabalho de sair do carro à chuva para ir abrir o portao; um pai que leve o filho de 16 anos à porto eu diria que nao é por segurança ou ter medo que ele se perca, é porque nao quer que o filho se canse a andar a pe´com a mochila ou apanhe chuva.

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    5. O problema é que depois é um ciclo vicioso. Se todos os pais levam os filhos de carro, nao ha miúdos a andar a pe ou de transportes sozinhos e torna-se mais perigoso se for só 1 ou 2 a fazê-lo. Eu gostaria que a minha filha fosse sozinha para a escola, mas terei de pensar bem na altura porque, vivendo no centro de Lisboa, o caminho em causa é o que eu fazia para o meu anterior trabalho e há um desrespeito constante pelas regras do trânsito (envolve várias passadeiras, com e sem semáforos). Se eu própria tinha de ir muito atenta todos os dias e era frequente ver carros parados em cima da passadeira, ou a fazer marcha atrás com peões a atravessar, tenho muito receio em deixar uma criança fazer esse caminho sozinha.

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  17. O facto de uma criança não ir sozinha para a escola não está necessariamente relacionada com menor autonomia da criança (fazer a cama, vestir-se sozinho, ajudar em algumas tarefas, entre outras coisas). Não sou mãe mas consigo perceber pais que acompanham os filhos à escola. A realidade de hoje é diferente, sinceramente sinto que os perigos a que as crianças estão expostas são maiores. Esta semana estava com o meu afilhado na zona do parque infantil num shopping quando dois pais se desentendem e começam uma discussão seguida de porrada. Caso não estivesse perto do meu afilhado e o fosse imediatamente buscar ele ia acabar por ser envolvido na pancadaria como, infelizmente, outras crianças foram. No que diz respeito a espaços públicos acho que toda a vigilância dos pais é pouca. Sinto pena que tenha que ser assim mas se fosse mãe faria o mesmo. Beijinho Daniela Torres

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    1. Mas por que motivo acreditam em maiores perigos hoje em dia? Pelos carros? Isso sim, naturalmente. Eu tinha 11 anos e ficava sempre na rua até às 22h00 ou mais, a brincar com os vizinhos. Na cidade. A poucos metros de uma estrada muito movimentada...Não me lembro de alguma vez termos ido para a estrada.

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    2. antes tb faziam partos em casa, e a marioria das pessoas sobrevivia, mas morriam muitos. hoje faz-se partos nos hospitais pq é mais seguro para a mae e para o bebe, e a mortalidade nestes casos diminuiu muito. Mas o que a S* diz é como ouvir a minha avó dizer " ai tive os meus 3 filhos em casa e correu td bem, os teus tios e a tua mae cá estao, nao foi preciso hospital"..... antes os perigos eram os mesmos, mas não havia noção, as crianças eram raptadas, violadas (lembram-se do Rui Pedro), mas não era tao falado. É como os abusos na igreja: so agora é que os padres sao pedofilos? claro que nao, sempre houve, mas so agora se fala.

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    3. Exactamente anónimo das 15:50, além do nivel de negligencia parental que existia, mas não existiam comissões de protecção de menores nem cpcj, etc, os pais é que mandavam nos filhos e ponto final mesmo que fossem negligenciados e mal tratados.

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    4. Perigos no geral. Para mim um dos maiores é deixar crianças sozinhas num mundo de adultos cada vez mais maldoso e perturbado. Lembro-me de uma notícia relativamente recente de um miúdo de 12 anos ter ido à casa de banho num parque infantil e ter sido violado... como histórias de tentativa de rapto... é obvio que sempre existiram mas o facto de serem mais divulgadas hoje em dia faz com que não consiga ficar indiferente e ter receios. Hoje em dia as "ruas" têm mais perigos que no meu tempo de criança, é apenas a minha forma de ver as coisas. Mas concordo contigo numa coisa, cada pai faz o que acha melhor para o seu filho. Daniela Torres

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  18. Tens razão. Também fui criança de brincar muito na rua e ir para a escola sozinha.
    Infelizmente, os tempos estão a mudar e hoje em dia somos “bombardeados” com notícias macabras.
    Ainda há poucos dias falava com a minha Mãe sobre este tema, a infância feliz e “livre” que tive.
    Ainda não tenho filhos (tenho sobrinhos) mas é umas das coisas que tenho muita pena, em grandes cidades saber que os meus filhos (futuro) nunca terão essa liberdade que eu tive, livre e despreocupada, tanto eu como os outros meninos.

    Compreendo que tenha de existir maior cuidado e protecção nos tempos que correm, no entanto, acho que alguns pais abusam e também já tive conversas sobre essa temática.
    Dá impressão que nunca houve crianças. Menos gente!
    Os filhos não têm de ser os melhores, perfeitos, sempre impecáveis dentro da redoma.
    Lembro-me de esfolar joelhos porque caí de bicicleta, chegar ao fim do dia com a roupa suja porque me fartei de brincar ao ar livre, etc.
    Custa-me saber que agora as crianças saem de casa...carro... carro...escola...ou parque...parque e com os pais pela mão... e outra vez carro e casa (é só um exemplo).
    E respirar, apanhar ar, correr, saltar, cair, sujar roupa?
    Brincar livremente com os outros meninos sem medos ou protecção excessiva?
    Conforme disse tenho pena que as crianças de hoje, por norma, não tenham a infância livre de ontem.
    Contudo, tal como também referi, acho que há pais que abusam na dose.

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    1. Fui tão feliz em pequena. Passava horas na horta, sozinha com a minha irmã!

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    2. Sim, esqueci-me dessa parte de ir para a horta. Igual por aqui. :)

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  19. Em relação às tarefas diárias, concordo contigo também, ir incutindo certas tarefas já de pequeninos, do básico até ao mais complexo acompanhando também o avançar da idade.
    Agora, também não percebo aqueles pais que novamente abusam na dose já a querer filhos perfeitos e “engomadinhos”.
    Bolas, desculpem, aos dois anos a querer que a criança já tenha 5 ou 6 ou 10 ou 12?
    Criança precisa de ser o que é...criança!
    Aos dois anos precisam é de brincar e não de pensar em lavar pratos.
    Aos 5/6 já são mais autónomos, aí é outra conversa tal como a S* referiu.

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    1. Aos 2 anos há crianças que acham engraçado imitar os pais, acham que fazer tarefas domésticas é uma brincadeira, acham divertido participar nas mesmas tarefas com os pais. E não é coisa de agora, basta falar com as pessoas mais velhas e vê-las a recordar de como gostavam de ir pequenitos com os pais/avós para a horta "ajudar", ou ajudar a fazer pão, ou ir às cavalitas fazer recados...Não me parece que os pais cujos filhos com 2 anos já fazem uma série de coisas acordem todos os dias e pensem "ora, deixa cá ver que tarefa doméstica vou hoje ensinar e responsabilizar o meu filho a fazer, e ai dele que falhe!". :) O que acontece é que as crianças querem participar e por isso aproveita-se e vai-se ensinando na brincadeira. Se a criança aos 2 anos acha piada arrumar a louça da máquina, para quê impedir e deixar só para quando ela tiver 5/6 anos e se calhar já nenhum interesse na tarefa? :) Eu aprendi a fazer ponto cruz, baínhas, etc, não porque algum dia alguém tenha achado que eu devia aprender mas porque numas férias de Verão achei piada ver a minha avó a fazer e pedi-lhe para me ensinar. E diverti-me imenso, se calhar se tivesse sido algo imposto, anos mais tarde ou mais cedo, não teria achado a mínima graça. :)

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    2. As crianças não devem ser engomadinhas. Devem ser somente crianças.

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    3. Tété, obviamente que se a criança quer interagir e “fazer” tarefas numa de brincadeira não vejo mal nenhum nisso.
      Creio que deu para perceber que aqui se falou nos pais que fazem mesmo questão que os filhos sejam “perfeitos” desde pequeninos, quase que colocam os filhos com horários para tudo e mais alguma coisa. Eles têm o seu tempo para executar inúmeras actividades, porém, não há necessidade de cair no exagero.
      Criança que quer mexer em tudo é normal e faz parte do crescimento mas... há pais muito exagerados e eu conheço quem seja assim, lamentavelmente, na minha perspectiva.
      Não queremos “engomados” que um dia serão adultos.
      Quanto ao ponto cruz, arraiolos e afins, fiz tudo isso igualmente mas, seguramente não foi com 2 ou 3 anos, até porque nessa fase nem os meus pais me queriam perto de agulhas e objectos cortantes vários.

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    4. Interpretei mal Anónimo. :) Achei que estava a falar dos países cujas crianças já fazem tarefas com 2 anos, daí a minha explicação. :) Quanto ao ponto cruz também não comecei aos 2 anos, não. :D Era apenas um exemplo de como certas tarefas podem ser giras se ensonadas quando a criança quer ou aborrecidas se for à força. Sim, de resto concordo consigo. Conheço quem não deixe as crianças correrem porque transpiram...

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  20. Meu deus, escreveste tudo o que penso.
    Acho que esta super proteção só prejudicará as gerações mais novas.
    Aos 5 anos já ia para a escola primária sozinha, a pé e apanhava os amiguinhos no caminho :) E tão boas lembranças desse tempo... Da responsabilidade que nos era passada...
    E hoje cá estou :)
    Beijinho*

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    1. Cada criança é uma criança, mas creio que os pais deveriam confiar e incentivar mais a independência.

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  21. A questão é que se analisarmos bem já a nossa geração não fez o que a geração dos nosso pais ou avós fazia porque os nossos pais não deixavam ou nem isso era possível. A minha sogra aos 11 anos começou a trabalhar e para chegar à fábrica fazia sozinha quilómetros de madrugada por caminhos de cabra na floresta. Mesmo que fosse para ir à escola, algum dos nossos pais nos deixaria atravessar uma floresta sozinhos? Aos 22 anos fiz Erasmus e fiquei numa residência no meio de uma floresta, que era obrigada a atravessar. A própria universidade afixou cartazes a alertar para que as raparigas não a atravessassem sozinhas quando anoitecia (mas que remédio tinha eu...). Se calhar se a minha sogra lesse aqueles cartazes, acharia que a universidade estava a criar uns atadinhos. Acho que é fácil dizer que no nosso tempo fazíamos isto e aquilo, mas a verdade é que já fazíamos menos do que antes, já éramos protegidos (a verdade é que a própria S* não ia sequer sozinha até à paragem), pelo que estas diferenças entre gerações não se vêem só agora. :)

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    1. Tété, claro que não ia sozinha até à paragem. Mas confiavam em nós o suficiente para só sairmos na nossa paragem e irmos direitinho para a escola. Muitas vezes, ao fim do dia, tínhamos de esperar meia hora pela nossa mãe e íamos para o café uns metros à frente. Naturalmente que acredito que esta responsabilidade precoce nos tenha ajudado a tornar adultas independentes e responsáveis. Acredito muito.

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    2. E eu concordo contigo. Apanhei muitas vezes o autocarro sozinha e também acho que este tipo de situações nos traz algum desembaraço, que será útil no futuro. Mas o que eu quis dizer é que mesmo nós já não tivemos a liberdade e responsabilidades que grande parte dos nossos pais e avós tiveram, ou seja, já fomos mais protegidos. :) Além de que a tua visão é sempre uma « visão acompanhada » pois sendo gêmeas a verdade é que na maior parte das vezes não iam sozinhas, não brincavam sozinhas e, pessoalmente, acho que isso faz alguma diferença. :)

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  22. Acabavas por não andar sozinha porque tinhas sempre a companhia da tua irmã... O que torna o cenário bastante diferente! Sou muito apologista do ditado: 'cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém!'
    E o facto de teres mexido desde muito cedo em facas e coisas na cozinha também não te fez grande cozinheira, pelo que contavas antes de teres comprado a Bimby.
    Acho mesmo que o que mais importante é passar os valores certos porque quando for necessário o pessoal acaba sempre por se desenrascar. Ainda mais hoje em dia com tanta fonte de informação!
    Tal como a Joana ali em cima, o meu pai também me ia levar a buscar à escola e em casa também não ajudava grande coisa (era responsável pelo meu quarto e pouco mais) e hoje em dia faço tudo em casa e tinha possibilidade de ter empregada mas por enquanto (pelo menos até ter filhos) nem me passa pela cabeça porque sei que as coisas nunca ficariam como eu faço.

    Até acho que as crianças hoje em dia estão mais 'adultas' do que eu quando era criança! Vejo isso pelos meu sobrinhos de 4 e 2 anos já têm algumas tarefas que eu nem com mais 10 anos fazia.

    Mas pronto, também não gosto da malta que tem o argumento 'no meu tempo é que era, hoje em dia nem sabem o que é '. Mexe-me mesmo com o meu sistema nervoso. Talvez por fazer parte da apelidada 'geração rasca' e ter ouvido isso n vezes durante a minha infância e adolescência. A malta tem de perceber que o mundo avança e a geração seguinte nunca será (nem poderá) ser igual à anterior. Tal como a nossa infância/ adolescência não foi igual à dos nossos pais e a dos meus pais não foram iguais às dos meus avós, e por aí em diante.


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    1. Sinceramente, não consegui entender a relação estabelecida entre a Bimby e as facas. Foi algo forçada... As facas eram sobre a noção de perigo.

      Quanto ao resto, meras opiniões. Não vejo mesmo maturidade na nova geração. Os adolescentes agem como crianças e as crianças são tratadas como eternos bebés.

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    2. Não sou o Anónimo das 22:08 mas não achei a comparação nada forçada. O que se quis dizer é que teres começado a "trabalhar" tão cedo não aumentou as tuas aptidões para esses "trabalhos".
      Nunca fiz nada em casa até ir viver sozinha e sempre me foram levar e buscar à escola e a todas as actividades.
      Aos 18, fui estudar para fora do país... E acho que não me safei mal! ;) Em 2 ou 3 utilizações, aprendi a fazer máquinas de roupa. Aprender a cozinhar também foi bastante intuitivo, às vezes ligava à minha mãe para tirar alguma dúvida (hoje em dia, bastaria ver um tutorial no Youtube). Não precisei de andar a aprender desde os 5/6 anos!...
      Num mês, estava uma mulher independente, a resolver sozinha todas as pendências do quotidiano... Num outro país, numa outra língua e sem ninguém conhecido para me "salvar"!

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    3. Sou a anónima das 22h08 e quis dizer exactamente o que a anónima das 10h33 explicou, que o facto de teres começado desde cedo a ajudar na cozinha não te fez uma pessoa que saiba cozinhar, pelo menos era de que te queixavas frequentemente aqui no blog ou fb. Não estabeleci nenhuma relação ente as facas e a bimby. Só referi a bimby porque depois disso essas queixas desapareceram, ou seja, usei-a apenas como referencia temporal.

      Mas por acaso até poderia estabelecer a relação, por exemplo, entre as tarefas domésticas e os diversos robots que já existem para as suprimir. Já faço grande parte das tarefas domésticas com o auxílio de robots (por exemplo, cortar, laminar, cozinhar, etc e até para aspirar já tenho um robot que está programado para o fazer sozinho). Tal como por exemplo os nosso pais tiveram também o auxílio de utensílios que as nossas avós/bisavós não tiveram acesso ou pouco usaram, como a máquina de lavar louça, máquina de lavar roupa, microondas, telemóveis, computadores, etc. Por isso, muito provavelmente os nossos filhos não terão de usar uma faca, tal como hoje em dia já não se usam tanques de lavar a roupa porque existem máquinas que já fazem essa tarefa. E isto é apenas um exemplo na área das tecnologias mas pode-se aplicar em todas as áreas.
      Por isso é que a geração futura nunca pode ser considerada pior ou melhor, apenas diferente, pois vive num contexto diferente da anterior. É o chamado choque geracional e faz parte da vida!

      E continuo a achar que não há qualquer utilidade em expor crianças a perigos desnecessários, bem basta os que não se conseguem evitar e infelizmente tenho bem noção disso!! :'(

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  23. S* já te "leio" não sei há quantos anos e digo-te (sem intenção de te ofender) por que tu escreves bem. Mas neste post, tu disseste tudo, uma grande verdade, mas triste realidade. As pessoas hoje não criam seres humanos capazes de enfrentar a vida sem os papás, criam seres que depois mais tarde se tornam agressivos até para com os pais. Cria o teu filho a incutir-lhe responsabilidades, não faças dele um bebé para toda a vida.
    Gostei! Parabéns

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    1. Já agora, com 21 meses, tentamos que tenha algumas noções. Arrumar os brinquedos, obedecer a ordens... O caminho faz-se caminhando.

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  24. Sendo eu educadora digo-te que a superproteção que se dá hoje em dia às crianças é excessiva... sabemos que os tempos são outros, sendo que a insegurança nas ruas é maior mas há coisas em que as pessoas exageram e muito. Andamos a educar crianças que mais tarde ou mais cedo serão umas frustradas. Também tenho outro blog, para além deste, sobre educação e de vez em quando falo lá sobre estas temáticas. Procura este link no face: @blogfuturoeducacao . Chama -se Educação Precisa-se!

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  25. Eu acho que antigamente em Portugal se faziam coisas que roçavam a negligência parental e muitas crianças morreram ou desapareceram à conta disso mesmo.
    O caso do Rui Pedro é aquilo que me lembro sempre.

    Eu tive as duas realidades com duas avós que eram praticamente a noite e o dia. Mas quando desaparecemos um dia inteiro e a minha avó gritava por nós em desespero e meteu a aldeia toda à nossa procura não se lembrou que era ela a responsável pelas 6 netas nem que não as virá desde o pequeno almoço...
    Eu em criança tinha uma visão romântica da coisa. Também não achei que houvesse problema nenhum no facto de andarmos no meio do mato, dentro de tanques (sem ninguém saber nadar) e outras coisas do género.
    Hoje consigo identificar várias situações em que estivemos mesmo em potencial risco de vida. Se nenhum dos meus primos morreu (ou eu) foi por pura sorte.
    Estás a ver o Julien?? Nós caímos num poço também naquele dia em que desaparecemos as 6. A nossa sorte é que o poço estava vazio e não era suficientemente fundo para nos aleijarmos. Encontraram-nos a meio da noite. Nós desaparecemos de manhã.

    Se me perguntares se acho mal que essa avó nunca mais tenha tomado conta de mim? Hoje em dia não acho nada mal.
    Se me perguntares se deixava os meus filhos com uma pessoa desse género?? A resposta seria "hell no!!"

    Há coisas que considero importantes como desenvolver competências para serem independentes. E isso inclui dar liberdades e responsabilidades de acordo não só com a idade como com as capacidades das crianças também.
    Mas isso depende de cada pessoa.

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  26. Já eu acho uma irresponsabilidade deixar uma criança de 7 ou 8 anos a 200 metros seja de onde for, sem necessidade, só para os tornar mais rijos. Chatices acontecem e já bem basta aquelas que não podemos evitar. O ideal é que os vamos acompanhando, explicando e que vamos avaliando se já terão capacidade para o fazer. Mas, sem ser necessário e com essa idade é prematuro - nem chega a ser mimo. E não, ir com uma irmã não é a mesma coisa que ir sozinha, tal como é muito menos provável que alguém se meta com um grupo de crianças do que com um miúdo isolado. Ainda no outro dia nas notícias falaram de uma mãe que teve de andar à pancada com um homem que lhe tentou levar um bebe do carrinho enquanto a punha no carro. Ao lado dela, enquanto tentava por o bebé no carro... Se isto acontecesse com um miúdo de 7 ou 8 anos, a 200 metros, como faria? Não custa nada acompanhá-los mais um bocadinho... já bem basta quando tiverem mesmo de andar sozinhos.

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    1. haja alguém com bom senso...

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    2. Caro anónimo das 14:19, o caso que relata não foi bem assim. E sei porque foi na escola do meu filho, não devemos acreditar em tudo que vem na comunicação social. Essa mãe deixou a bebé no carro mal estacionado, porque estava atrasada (eram 9h30 e a escola começa às 9h). Levou a mais velha até ao portão da escola e o homem sentou-se ao volante (o que ele queria era roubar o carro nem se apercebeu do bebé). E assim foi o primeiro relato da mãe mas, depois, perante a possibilidade de ser acusada de comportamento negligente, alterou a história. Ou seja, por vezes a super proteção torna-se em negligência!

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    3. Isa, neste caso não é super protecção é mesmo só negligência. Nunca, nunca e em circunstância alguma se deve deixar um bebé sozinho no carro nem que seja só por uns segundos! As coisas acontecem e não precisam de muito tempo para ter um final trágico.

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  27. Não conheço nenhuma estatística que sugira que o mundo é mais perigoso hoje do que antigamente, muito pelo contrário. Há muitos estudos sobre isso: cria-se essa impressão, mas está completamente longe da verdade.
    Nós é que desaprendemos a capacidade de lidar com o risco e sentimos a necessidade de cortar o máximo de riscos possível, mesmo que com isso se percam aprendizagens essenciais, e chamamos a isso responsabilidade.
    Acho que a maior parte das pessoas nem sequer considera a hipótese de que andar sozinho aqueles 200 metros, como no comentário de cima, seja uma aprendizagem importante e não um enrijecimento.

    Mas depois juntam-se muitas coisas. Muitas crianças têm deslocações maiores. Muitos pais têm nas deslocações que fazem com os filhos um dos poucos momentos em que estão sozinhos com eles e podem conversar com calma. O próprio facto de menos crianças andarem sozinhas na rua e nos transportes torna a experiência menos segura, natural e agradável para as que o fazem.
    E a pressão para a ultra-proteção existe mesmo, outro dia levei um raspanete de um velhote por ir com a minha filha de 2,5 anos na rua pela mão em vez de ao colo – eu estou grávida e não devia levantar pesos, mas mesmo que não estivesse, ela aprendeu a andar com um ano, por que é que eu me devia substituir a ela nessa tarefa arriscadíssima de andar no passeio?

    (não percebo as pessoas que ficam chocadas por crianças de dois e três anos participarem na vida doméstica. O que é brincar senão aprender o mundo? As crianças não o fazem de castigo, sentem-se parte da família, empoderadas e capazes. Para além disso, o que é mais natural que cada um fazer a sua parte? Porque deverá ser a parte delas assumida por outra pessoa?)

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  28. Ó S*, quando chegar a tua altura de deixares, ou não, o Rafael ir sozinho para a escola conversamos. Eu também cuspi várias vezes para o ar, e caiu-me redondo na testa. ahahah
    Seja realista do mundo em que estamos hoje. Não queira comparar o que não é comparável!

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    1. Talvez não tenha lido bem o meu texto... admiti que poderia perfeitamente mudar. :)

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