quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Da Amamentação


Tenho este texto escrito na minha cabeça desde as 8 da matina, mas só agora o pequeno rei me permitiu vir escrever...

Quando o Rafael nasceu, tratei de o colocar ao peito e amamentar. Nem sequer pensei no assunto, de verdade, porque, para mim, nunca esteve em causa não amamentar, a não ser que o meu corpo não reagisse bem ou ele não pegasse como deve ser. Não foi, portanto, uma opção entre várias. Na minha cabeça, era a "única" opção. Com todo o infinito respeito que tenho pelas mulheres que não querem/não gostam de amamentar (não estou a falar das que querem, mas não conseguem...), para mim, era a melhor opção. Sei perfeitamente que é o ideal para o bebé, desde que a mãe esteja bem com essa opção (dar de mamar forçada, com dores, com falta de vontade, não me parece que seja o melhor para o bebé).

Bom, dizia eu que comecei logo a amamentar, uma horinha depois de ele nascer. Nunca soube o que eram as dores da subida do leite. Ele aprendeu rápido a mamar e, passadas umas duas semanas, as dores passaram (no início, ferrava com as gengivas).

Como o processo foi simples, fácil e natural, tinha instituído para mim mesma dar-lhe de mamar até aos 6 meses. Até por volta dos quatro meses ele nem soube o que era leite artificial. Um belo dia comprei, só para as emergências ou para passeios mais longos, já que nunca dei de mamar fora de casa. Não gosto, não me sinto confortável, não se adequa à minha personalidade - mais uma vez, acho lindamente que as mulheres o façam, mas não é para mim. Mas sempre bebeu pouco leite artificial... uns dois ou três biberões por semana.

Aos 4 meses e meio ele começou a comer sopa. Depois fruta. Papas, continua a comer apenas ao fim de semana. Agora, quase a chegar aos 9 meses, já come imensa coisa sólida, adora arroz, batatas, carne desfiada e até pescada cozida. Tem sido um bebé santo, no que toca à comida.

Nesta fase, já só mama praticamente de manhã e à noite - no resto do dia não está comigo e, quando está, fica demasiado distraído, ferra muito e mama pouco.

Tudo isto para dizer que, quando ele nasceu, eu achava que ia ser um enorme sacrifício - para mim - dar-lhe de mamar seis meses. Queria fazê-lo, mas achei que ia ser chato, que ia dificultar-me a escolha da roupa (deixei de usar soutiens de amamentação 2 meses depois de ele nascer... só os uso em casa), que ia ser uma confusão para lhe dar de mamar quando quisesse sair de casa... Mas a verdade é que com a ajuda da minha espetacular bomba de tirar leite, foi tudo super simples.

Tenho um menino grande, forte, que nunca esteve doente, que aprendeu a comer bem outras coisas, mas que continua a ter todas as defesas que só a mãe lhe pode dar.

Tem sido tudo tão "fácil" que a nova meta é dar de mamar até ele fazer 1 ano... Na loucura, até já pensei em tentar prolongar a amamentação até Setembro, que é quando vai entrar para a creche, com 15 meses de idade. A verdade é que me sinto mesmo bem com esta opção. 

33 comentários:

  1. Olá,
    São opções, umas mais forçadas que outras, mas opções.
    O meu tem 12 meses e mama quando estou com ele.
    Nem sempre é simples, doeu e emagreci demasiado por amamentar. Ainda a semana passada tive uma pequena mastite (só porque sim) e cheguei a ponderar se valia a pena continuar.
    Não acho que amamentar seja milagroso (na creche não há LM que os salve), mas é simples, barato, está sempre pronto seja onde for, e é o nosso momento.
    Não tenho metas, enquanto ele quiser e houver, cá estarei, venham as mastites que vierem.
    SM

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    1. SM, eu vou estabelecendo metas porque, na verdade, o meu Rafa já se dá perfeitamente sem mamar... mas enquanto puder, faço o que julgo se melhor para ele. E a verdade é que muitas vezes só a mama o acalma. :P

      Mastite nunca tive, mas uma vez por mês também me aparecem príncipios de mastite... só porque sim!!

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    2. A maminha é milagrosa: alimenta e dá mimo.
      Mas o melhor foi estar 11 meses sem menstruação, inibiu a ovulação. MARAVILHA!!!! :D
      SM

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  2. Ainda bem. :) Eu, que não amamentei, acho que a amamentação não tem de ser um bicho de sete cabeças. :) Se corre bem, se a mãe gosta, se a mãe se sente confortável, se o bebé sabe mamar, então nem vale a pena pensar muito no assunto.
    Eu às vezes penso no que farei num segundo filho e provavelmente aí nem tentarei amamentar, como ainda tentei com a Mini-Tété. Não gostei de dar de mamar, não gostei de não saber se ela estava ou não a alimentar-se, não ficaria nada confortável em dar de mamar fora de casa ou à frente de outras pessoas, enfim, amamentar não é comigo, até porque gostei das vantagens do biberão. :)

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  3. O meu filho aumentou 1 quilo por mês até aos 5 meses... :D Por isso sempre soube que estava bem alimentado... mas sim, entendo-te perfeitamente... por aqui muito fã de biberão, tiro muitas vezes leite meu para lhe dar no biberão, porque é mais rápido e sem ferradelas para mim!!

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    1. Pois, eu ainda amamentei dois dias e apanhei o susto de ela não acordar porque afinal não estava a mamar embora parecesse que sim, quer aos meus olhos quer aos olhos das enfermeiras. Esta sensação de não saber faz-me confusão. E também não acho piada às bombas, por isso...Bom, e depois depende de cada pessoa. O facto de poder partilhar a tarefa de alimentar com o pai para mim foi muito importante. Olha, que cada mulher possa fazer aquilo com que se sente mais confortável. :)

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  4. Eu pensava que nunca iria amamentar (nem conseguia imaginar) e nunca fui muito maternal. Quando engravidei decidi que, na altura do parto logo havia de decidir.
    Depois nasceu a minha filha e a amamentação foi uma coisa que quis logo tentar. Foi muito difícil durante o primeiro mês e meio com muitas dores, feridas e muito stress. mas passou e consegui amamentar a Lara até aos 18 meses. Depois ela deixou de querer naturalmente (fiquei super triste). Com a Maria foi até aos 11 meses, também por opção dela. No terceiro filho pretendo amamentar, se conseguir até ele querer. Vamos ver o que conseguimos. Foi uma coisa natural e que gostei muito de fazer, embora tenha sido pressionada por médicos e familiares para deixar de amamentar aos 6 meses (também emagreci imenso).
    Nunca fiz caso de ninguém e fiz o que que achei correto para mim, assim como se optasse por não amamentar (fosse qual fosse o motivo, até podia ser porque não me apetecia) também não ligaria muito a opiniões alheias.

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    1. Eu também não sou muito maternal, daí achar que amamentar seria um grande frete... aprendi a gostar!

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  5. S* o nosso coração e nossa cabeças são os nossos melhores conselheiros :) Sou fã da amamentação com todo o respeito pelo lado contrário. Até porque tive dois experiências difentes, um menino que não engordava por nada, nem mesmo com LA, e outro que mamava que se fartava e que raramente fica doente mesmo no infantário :) É bom para todos. Beijocas

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  6. S* o Rafinha nunca esteve doente porque não anda no infantário não é porque é amamentado, o meu filho prematuro que só bebeu leite materno por sonda até às 3 semanas de vida ni«unca esteve doente até entrar no infantário...a partir dai e nos primeiros tempos foi um deus nos acuda e as defesas que o leite materno passa são as que a mãe tem ou seja se as tuas defesas forem fracas pouco ou nada adianta ao Rafinha.
    Só gostava de perguntar o porque do Rafinha já comer sólidos uma vez que o aconselhado é dar a "alimentação da familia" incluindo todos os alimentos a partir do 1 ano de idade, e com a idade que ele tem devia comer sopa com carne sendo agora altura de introduzir a sopa com peixe e dar sopa ao almoça e jantar.

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    1. Olá. :) O Rafael está forte e grande, se é por causa da mama ou não, não posso garantir... mas todos os estudos confirmam que o leite materno protege os bebés.

      Quanto à sua questão, nós temos seguido exactamente o que o médico de família e o pediatra nos indicaram. Por vontade minha, comecei as sopas aos 5 meses, em vez dos 6, porque regressei ao trabalho - mas fi-lo com autorização médica. Depois fruta. Depois papa. Começamos sopa carne passado cerca de 1 mês. Sopa de peixe aos 7 meses. Aos 8 meses começamos os sólidos - massa, arroz, batata, carne desfiada, pão... Cada cabeça, sua sentença. Nunca um médico me disse que o meu filho vai comer a nossa comida com 1 ano... aliás, dizem-me que a alimentação social - igual à nossa - será aos 2 anos. Até lá, é ir aproximando ao máximo à nossa.

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    2. Olá! Desculpem intrometer-me :)
      O meu Tiago praticamente não mamou, a coisa não correu muito bem. Tem uma saúde de ferro e não apanhou doenças quando foi para o infantário. Quer dizer, claro que as apanhou, como qualquer um de nós apanha (constipações, gripes normais, uma gastro que lhe passou quase ao lado... coisas normais). Cientificamente está provado que o LM é ótimo para as defesas das crianças, mas a minha experiência diz-me que isso é relativo.
      Quanto à dieta, com a idade do Rafinha o Tiago também já comia segundo prato, coisas para mastigar. E a alimentação igual à dos pais (com alguns cuidados e exceções, claro) passou a ser com um ano de idade.

      O que importa mesmo, no fim do dia, é que bebé e mãe estejam bem e a crescer saudavelmente :)

      Beijinhos*

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  7. Enquanto for bom para ele e para ti continua ! É só vantagens.
    Amamentei até aos 16 meses, dp comecei a ficar farta, cansada, a sentir que não fazia sentido, que não lhe fazia falta, já era só o miminho.. e foi tranquilo !

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    1. Também não quero que mame até ter os dentes todos. ahah

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  8. A ideia que eu segui foi, enquanto ele quiser e eu tiver/puder amamentar é o que farei, foram 9 meses e meio, até que ele começou a recusar e pronto como é normal o corpo deixou de produzir. Eu adorei amamentar, era um momento só nosso, também nunca gostei de amamentar fora de casa ou com as outras pessoas a ver, acho que é um momento entre mãe e filho e mais ninguém. Quando tinha que o amamentar por exemplo no Centro de Saúde usava sempre uma fralda de pano para colocar a tapar, não por causa dos outros mas por minha causa mesmo.

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    1. O meu também começa a recusar... só mama cansado!

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  9. Eu amamentei até aos 6 meses em exclusivo. Depois comecei a introduzir o normal.
    No início foi muito complicado, sofri horrores, mas depois descobri que era por causa dos protectores, depois de trocar de marca, foi super tranquilo.
    Deixei de dar ao fim de 9 meses, o leite foi acabando e ela também já não procurava.

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  10. S*, que bomba usas? É manual ou eléctrica? Tiveste de experimentar mais do que uma para a coisa funcionar ou foi logo à primeira?

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    1. Rita, Medela Awing eléctrica... nunca me deu problemas, super eficaz!

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  11. Muito bom ver uma Blogger a dizer que amamenta👏
    Obviamente que dar leite materno não é uma vacina milagrosa que vai tornar as crianças imunes a doenças. É simplesmente a melhor opção para o desenvolvimento geral da criança e também para a mãe.
    O que não invalida que mães que não o conseguem fazer não tenham também crianças saudáveis.
    Os argumentos do "dava muito trabalho" ou "estragava-me o peito" é que sinceramente me soam mal.
    Mas ainda bem que vens aqui dizer preto no branco como as coisas são. Muito bem S*

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    1. Mas e se esses argumentos (que lhe fazem confusão) forem para essas mães a diferença entre gostar de amamentar ou não? Se forem a diferença entre a mãe sentir-se bem ou não? Exemplo: a minha filha não sabia pegar na mama nem no biberão. Demorei 3 meses a ensiná-la a pegar no biberão como deve ser. Podia ter insistido na amamentação e ela teria aprendido também, claro, mas teriam sido meses muito complicados para mim, com dores e a fazer uma coisa que não era de todo agradável para mim. No meu caso (e falo só de mim, claro) fui uma mãe mais relaxada por não amamentar e achei isso benéfico para a minha filha.

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    2. Tete não leve a mal mas não lhe vou responder ao comentário porque acho que compara situações que em nada tem a ver. E por outro lado, sou uma comentadora que trabalha na área e lida com mães com muita frequência. E não faz sentido estarmos aqui a trocar argumentos.
      Boa sorte para si e tudo de bom*
      Espero que na próxima a experiência seja mais benéfica.

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    3. Ora essa, não levo nada mal. Era o que faltava andar a obrigar as pessoas a responder-me. :) Obrigada e boa sorte também para si. Provavelmente não amamentarei num próximo filho, acho que não é mesmo para mim, prefiro as vantagens do biberão. :)

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  12. Para mim amamentar foi mágico. Foi simples e correu tudo bem. Do primeiro foi até aos 5 meses, mas o segundo correu tudo ainda melhor e amamentei em exclusivo até aos 6 meses e continuei a amamentar até aos 2 anos e meio!! E não me arrependo nada, foi o melhor que fiz. ;)

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  13. Ainda bem que tudo te correu melhor que a encomenda :)

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  14. O leite adaptado (em fórmula) para bebés é uma invenção do século XX. Até lá os bebes bebiam leite materno (ou de amas de leite) e a mortalidade infantil era assustadora. Os bebés de hoje são mais resistentes e "adoecem menos" porque são vacinados e há melhores condições de vida em geral, não atirem areia para os olhos com a conversa da amamentação. Há bebes que sempre beberam leite em fórmula e nunca adoeceram e há outros que só beberam leite materno e ficaram doentes uma carrada de vezes. E vice-versa. Tem muitíssimo mais influência na saúde do bebé o ambiente que o rodeia (se está em contacto com outras crianças ou adultos portadores de doenças) do que o facto de beber leite materno ou de fórmula.
    Querem amamentar, força!, não façam é do leite materno uma mezinha milagrosa que não é.

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    1. Mas sabe que a evidência científica nos diz o oposto, não sabe?

      Não é um milagre mas há diferenças sim. 2 bebés na mesma circunstância, o amamentado tem mais defesas.

      Agora se querem antes dar biberão seja qual o motivo for é com cada uma.

      Por aqui tenho 2 filhos, com o primeiro a amamentação não correu bem e com o segundo estamos com 9 meses e só faço intenções de deixar de amamentar qd ele assim o determinar.
      O leite de lata ainda bem que existe porque certamente muitos bebés seriam alimentados com leite de vaca como era feito antigamente (até desde o nascimento !) qd as mães não tinham leite.
      Mas não nos podemos esquecer que são derivados de leite de vaca (que está longe de ser apropriado para os humanos ) e é quimicamente alterado por empresas que têm como objectivo lucros e não o melhor para os bebés (ainda recentemente foram divulgadas suspeitas de uma campanha que ainda hoje é feita pela Nestlé em países de 3o mundo onde é dito às mães que o leite não presta - tal como fizeram por todos os países ditos desenvolvidos na década de 50).

      Ps: leia a lista de ingredientes dos leites de lata. Até metem medo e não há um que não tenha açúcar ou derivados.
      Infelizmente muitos bebés são alimentados com LA.

      E gostav de saber porque é que algumas enfermeiras empurram leite de lata aos bebés a recém nascidos qd não há indícios de problemas nenhuns na amamentação.
      Com o meu primeiro filho levaram a uma recusa da mama. A segunda vez uma "profissional de enfermagem tentou forçar me a dar LA qd eu tinha leite a escorrer e queria amamentar !!

      Se calhar se lhe forem ver as contas ou ver quem lhe paga as férias talvez perceba o porquê...

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  15. Só amamentei 2 meses porque o meu filho não quis mais, mas ainda bem, porque, para dizer a verdade, era um sacrifício! Odiei. Não tinha problemas em dar mama publicamente, mas as ferradelas das gengivas, o andar sempre a verter leite, o tirar com a bomba que odiei, ter as mamas sempre sensíveis. Epa, não. Não é para mim. E o leite da mãe não faz milagres. Eu e a minha irmã mamámos até à mesma idade (1 ano), ela cresceu saudável e eu sempre uma flor de estufa. Sim, os estudos provam que é melhor que o LA, mas não torna os bebés à prova de fogo :P Anyway, é só a minha opinião e experiência pessoal, acho que fazes lindamente em fazer como achas melhor, tal como todas nós fazemos! :)

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