quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Filosofar no feminino


Não entendo muito bem por que motivo estas coisas acontecem, mas acontecem. As mulheres (a maioria, vá) parece que sentem uma vontade inacreditável de comprar coisas. Coisas secundárias, é certo, mas coisas. Roupa, sapatos, malas, lenços, carteiras, acessórios... Podemos estar tesas e conscientes de que temos de poupar, mas continua a ser uma alegria enorme comprar 'isto e aquilo'. Mesmo que 'isto e aquilo' não seja uma real necessidade ou uma prioridade na nossa vida.

Tudo isto porque, de facto, eu e o meu rapaz andamos em modo "contenção de despesas". No entanto, não resisto a comprar um ou dois mimos para mim, todos os meses. Estou a falar de coisas baratas, um porta-moedas de 12 euros ou um lenço de 8 euros. Parecendo que não, ao fim de uns meses, este dinheiro podia dar mais jeito para outras coisas... Mas há sempre o outro lado da moeda.

Sei que preciso de poupar, porque temos sempre um objectivo pela frente (ou é mudar a mobília do quarto, ou da sala, ou o secador que avariou, ou isto ou aquilo...) e sem apertar o cinto torna-se missão quase impossível... Mas depois ponho-me a pensar: trabalho há seis anos. Ganho para mim e para as minhas despesas, apesar de as coisas não estarem fáceis. Tenho o direito e o "dever" de me mimar com pequenos "luxos". 

Quem trabalha para aquecer é o esquentador. Eu gosto de pensar que trabalho para poder aproveitar minimamente o dinheiro. Este mês, esse "aproveitar" significou uma carteira nova e três lenços para a colecção. 

33 comentários:

  1. Eu não é que não goste de comprar coisas, mas tenho sorte de não sentir essa vontade indomável :-P
    Confesso que só compro roupa nova umas duas vezes ao ano e carteira por vezes só a cada dois anos...
    Na verdade nem entro nas lojas para não cair em tentação (e a minha grande fraqueza na hora de gastar dinheiro é a fnac e a bertand), mas tenho vindo a constatar que nos momentos em que menos podemos e devemos gastar, é quando mais apetece :-D

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    1. JoanaS, é por fases. Há alturas em que não compro nada, passam-se dois, três meses e nem um alfinete... mas depois há meses em que tudo me apetece. Neste caso, já começo a pensar no Outono e quero lenços mais quentinhos!

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  2. Eu não acho que isso seja uma característica das mulheres, é uma característica de algumas pessoas onde tu estás incluída (e o meu marido também está...o que já me irritou bastante no passado).
    Eu não sou assim e conheço inúmeras mulheres que também não são assim. Se há objetivos a cumprir (seja abater um empréstimo, seja comprar mobilia, seja uma viagem, etc) eu encaro-o como o meu "mimo" porque é algo que eu quero e facilmente ultrapasso a vontade de comprar qualquer coisa.

    Na realidade acho que até sou poupada de mais em muitos aspectos (é ele que o diz) e tenho-me esforçado bastante para não ser tanto.
    Imagina que eu preciso de um par de calças só vou mesmo comprar no momento se vir que não dá para esperar pelos saldos, é que para mim não faz sentido dar por exemplo, 60€ por umas calças que daqui a uns meses vai custar somente 30€. E prefiro esperar para comprar 2 depois com o mesmo valor.
    O mesmo com a roupa para o meu filho: vai-se aos outlets ou espera-se pelos saldos (ou de preferência outlet em saldo) e compro sempre com 1 ano de antecedência aproveitando os saldos. O meu marido em solteiro era menino para pegar em 100€ e gastar numa peça de roupa sem sequer precisar e eu jamais fui assim. Aliás ele mesmo quando precisava de poupar era capaz de gastar esses tais 10€ ou 5€ em coisas desnecessárias (algo que me irritava profundamente, tanto quanto o meu excesso de poupança o irritava a ele).

    Para mim necessidade de poupar significa mesmo somente comprar o que é necessário e nada mais :)

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    1. Anónimo das 14h21, o meu gosto por pequenos mimos não é nada que irrite porque não gasto mais do que 30 ou 40 euros (na loucura) com estes "luxos" por mês. :) Basicamente, o meu rapaz gasta isso em tabaco, por isso não gasto mais do que ele. Não é que esteja a comparar o que ele gasta com o que eu gasto... mas acho mais útil gastar dinheiro numa carteira e em lenços - que duram - do que em tabaco e cafés, que são bens de consumo imediato. Fuma o cigarro e já acabou. Já os meus lenços eu uso, uso e volto a usar. São gostos. Eu não bebo cafés. Não fumo. Não costumo lanchar fora e almoço fora uma vez por semana, se tanto. Por isso, se poupo nessas coisas, sinto-me no direito de gastar noutras.

      Quanto aos outlets, totalmente de acordo. Eu gosto de me mimar, mas sou incapaz de dar mais de 40 euros por umas calças ou de 30 euros (por exemplo) por uma blusa. Gasto mais apenas em casacos quentes e botas - porque se justifica. De resto, até posso comprar na feira... desde que eu goste... :)

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    2. A mim irritava porque foi numa fase em que vivíamos com mesmo pouco. 10€ ou 20€ podia fazer diferença no final do mês para podermos comprar carne/ peixe ou ter de nos contentar com ovos, por exemplo, mas ele estava tão habituado a gastar que lhe custava não comprar uma pequena coisa (e eu como sou exageradamente poupada não conseguia compreender essa necessidade).

      Isto parece um confessionário mas nem nunca pensei que fosse um problema até o ter conhecido: eu não tenho vícios que me obrigassem a gastos. Mas sinceramente eu até "agradeço" as dificuldades que tivemos em inicio de vida pois fez de nós pessoas muito regradas e bons gestores (pelo menos eu tenho essa sensação).

      E se não nos divorciamos até hoje acho que vai mesmo ser para toda a vida :D

      Em relação aos gastos eu percebo a comparação dos gastos até certo ponto. Aliás acho que o nosso problema era um pouco esse pois nas contas víamos que não dava para haver extras mas ele não se coibia de gastar e a mim isso irritava-me profundamente.

      O meu único vicio eram/são os livros...mas para matar o meu vício há as bibliotecas municipais gratuitas.
      (aliás fica a dica mesmo para um possível futuro filho e para a outra anónima... o meu adora a biblioteca, conhece as funcionárias da mesma desde que era bebé e além de ter centenas de livros há também actividades, leituras didácticas, filmes, etc promovidos pela biblioteca. Além disso eu adoro o site da wook quando este faz 50% de desconto ou o Continente/Pingo Doce quando fazem descontos idênticos).

      Mas na época em que precisava mesmo de poupar (ou quando preciso) não compro mesmo nada e não sinto falta de o fazer. Somos diferentes, só isso :)

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  3. É verdade, embora cá em casa os pequenos luxos tentam tanto a mulher como o homem. Mas em verdadeira altura de contenção de custos, o que nos ajuda é pensar que vamos fazer esse esforço até ao Natal, por exemplo, ou até ao próximo Verão, ou durante 2 ou 3 meses. Ter uma prazo fixo para trabalhar como "esquentador" ajuda a aguentar melhor e a mais facilmente pôr de lado o dinheiro que se quer. :)

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    1. Tété, ah sim, claro... quando tem MESMO de ser, uma pessoa poupa a sério. Neste momento, já ando a pensar na poupança de Natal. ahah

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  4. Eu agora estou desempregada, e falta-me dinheiro até para coisas mais básicas, mas sempre fui uma mulher "diferente" das outras. Não gosto de estar em lojas de roupa,carteiras, sapatos, detesto acessorios, para mim esses gastos são dispensáveis...é do mais simples...gosto mais de coisas para a casa, confesso...e de cozinha! :p Mas isso são gostos...
    E agora que sei o que custa a vida, terei outras prioridades.

    Mas rapariga, tu não te prives de te mimar...faz parte, e se te faz sentir bem força! 😊

    Trabalhar também é ter a liberdade de aproveitar o seu rendimento, pelo menos deveria ser assim...infelizmente muita gente tem o dinheiro contado, mas quem não tem, só faz bem em aproveitar...

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    1. Claro que sim. Cada um se mima com o que gosta e eu gosto de me "enfeitar". :D

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  5. Não faças como o outro que deixou de fumar e com o dinheiro do tabaco, comprou um burro e fez uma barraca para o resguardar do frio. Um dia houve um incêndio e a barraca e o burro arderam.
    Moral da história: dinheiro que era para queimar, mais tarde ou mais cedo vai acabar por arder. eheheheh

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  6. S*, mandei-te um mail. Agradecia que lesses, é urgente.

    Maria

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  7. Não sei se será necessariamente uma característica feminina. Alguns homens podem não ter necessidade de comprar roupa, mas podem senti-la relativamente a jogos ou gadjets ou qualquer outra coisa. Assim como conheço mulheres que não têm uma veia consumista muito apurada.
    Já eu sou de fases, e nesta fase estou terrível, apetece-me comprar tudo! É um horror :p!

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    1. Poisssssssss, eu também sou de fases mas estou numa fase gastadora. ahah

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    2. E isso mesmo. Eu não gasto dinheiro em lingerie de renda (quando me apetece, visto a lingerie dela eheheh), mas sou uma desgraça no Leroy Merlin e na Worten.

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  8. Entendo perfeitamente :) eu gosto de comprar livros, sempre foi o meu mimo. Entretanto nasceu a minha filhota e agora praticamente só compro livros para ela, pelo menos um por mês. Espero ir compondo uma boa biblioteca para a pequenina! Bom, e entretanto para mim falta tempo para ler lol
    Beijinhos :*

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    1. Anónimo das 23h12, um excelente investimento. Parabéns! Um dia que tenha filhos, pretendo fazer o mesmo! Sempre adorei ler e acho que é uma "viagem" maravilhosa.

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  9. Eu cá sou igual. Até me irrito a mim própria lool

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  10. Livros, ai os livros, são sempre a minha perdição. Mas consigo controlar-me, até porque tenho sempre bastantes por ler em casa e tenho ainda o cartão da Bertrand que sempre vai permitindo comprar a uns valores bem simpáticos. Quanto ao resto e como já alguém referiu e muito bem, não é uma característica exclusiva das mulheres nem podemos generalizar a todas as mulheres, felizmente. Eu já fui assim, mas a idade também traz esse amadurecimento. E conheço homens assim, alguns no extremo de gastarem mais do que o que podem e depois falta para as coisas realmente importantes.

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    1. Bárbara, acho que, às vezes, compramos coisas para compensarmos outras realizações/concretizações profissionais e pessoais. ;) Admito isso!

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  11. Lá em casa, o menos contido é mesmo o marido. Nos últimos tempos, eu só me "perco" com coisas para a minha filha.
    Para mim, há muito que não compro nada.

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  12. S*, também sou da opinião que nos devemos mimar. Sejamos homens ou mulheres precisamos de nos sentir mimados. seja um jantar, uma ida ao cinema, um lenço, umas calças, o que for... pode ser mês sim mês não, pode custar 100, 10, ou 1€... mas se pudermos de vez em quando devemos sentr que trabalhamos também para nós e não só para a casa e contas! beijinhos!

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  13. Eu sou TOTALMENTE assim, mas agora desde que novos objetivos começaram a "pintar" na minha vida que tive mesmo que abrandar mas não deixo de me mimar com pequenas coisas!

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  14. Eu não sou nada assim e detesto esse estereotipo das mulheres loucas por compras.

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    1. Anónimo, ora, toda a regra tem a sua excepção. Nem acho que seja regra, mas as pessoas gostam de se mimar - com roupa, livros, coisas para a casa... cada um gosta do que gosta!

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  15. Penso que não se pode generalizar porque nem todas as mulheres são assim...

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  16. Tem a ver com prioridades. Se não pudesses mesmo gastar, não gastavas. Mas a vida tem que ser assim. Trabalhar só para poupar e pagar contas não é viver! Há que gastar o nosso dinheiro também (com a moderação que cada um acha necessária à sua vida, obvio).

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  17. Concordo.
    Também preciso de comprar umas coisinhas para mim todos os meses, senão pareço um robot a pagar contas. :P

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  18. aiiiiiiiiii que este texto poderia ter sido escrito por mim!

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  19. Entendo mas não me identifico. Não sou de comprar coisas para mim todas as semanas. Gosto de comprar coisas que gosto, claro. Aliás, estou para comprar uma coisa que realmente não preciso, que vi no OLX, porque a adoro, está a bom preço e quero, embora a intenção é vir a oferecer. «Mimo-me» de muito em muito tempo. Ver dinheiro a sair assim, «às mijinhas» em coisas que não preciso, não faz muito o meu estilo. E até achei piada ao referires coisas a 12€ e 8€ e as inserires na categoria de "baratas". A minha categoria de "barato" é abaixo de 5€ :) e nem as lojas dos Chineses já entram nessa categoria :P Principalmente para objectos como os que mencionas, que existem aos montes, de toda a espécie e feitio, a vários preços. Procurando bem, se calhar acha-se mais barato. Mas quando faço uma despesa por um "mimo", talvez por ter consciência que não gasto "aqui e ali", posso «mimar-me» com o que bem entender. Por exemplo: Aquele móvel que estou a precisar? É altura de comprar. Penso mais na utilidade ou prazer que me vai proporcionar e por aí tento encontrar o objecto adequado ao valor também mais adequado. Por exemplo: preciso de móveis estantes e prefiro dar 100€ por uma unidade no IKEA a 500€ por outra no IKEA. Mas não vou ficar a «chorar» os 100€, porque provavelmente já economizei até mais do que isso, simplesmente por não ter um perfil consumista.
    Mas não vejo nada de errado e até entendo que muitas mulheres precisem de se alegrar todos os dias com algo novo. Só escapo a esse perfil onde tanta vez encaixam o género feminino :)
    Tivesse eu dinheiro a abundar e digo-te que me mimaria muito mais. Não para ter coisas novas todos os dias, nem por roupas, sapatos etc, mas mimava-me pela saúde, fazendo tratamentos, praticando desportos que podem ser dispendiosos como hobbie, enchendo o cérebro de conhecimentos vários, comprando livros, tirando cursos, fazendo viagens. Esse faz mais o meu tipo de "mimo" ehehe. Mas não tendo muito $$$$$, continua em standby.
    Por isso entendo que haja quem prefere não ter nada em standby e viver a vida todos os dias, um bocadinho.

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  20. Não acho que seja uma característica feminina, acho uma característica pessoal e, por vezes, relacionada mesmo com maturidade/fases da vida. Eu já fui um bocadinho assim há uns anos. Agora poupo tudo o que consigo para viajar. E tem resultado. A realização pessoal de viajar, para mim, não tem comparação com ter o armário cheio de merdices e coisas e bugigangas. Mas claro, cada pessoa é uma pessoa.

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