quinta-feira, 12 de maio de 2016

E se fosse consigo? Homofobia

Mais uma vez, lá assisti eu ao programa da Sic. Não vi por completo, admito, porque estava ao computador, a trabalhar, mas assisti a uma parte considerável, até porque o mais-que-tudo estava no sofá a ver e fazia questão de me interromper com frequência para eu ouvir "a velhota de oitenta e tal anos" e outros testemunhos.

De forma consciente, a homossexualidade é um preconceito de que não sofro. Aliás, sou uma acérrima defensora do casamento gay e da adopção por casais homossexuais. No primeiro caso, porque amor é amor, deve ser respeitado, acarinhado e celebrado - seja através de um casamento ou de um outro qualquer gesto. Já sobre a adopção por casais homossexuais, também só consigo dizer "sim, sim e sim". Uma criança precisa de amor. O amor não tem sexualidade, não é diferente se vier de um homem ou de uma mulher. Desde que a criança seja estimada e acarinhada, pode ter uma mãe, um pai, pai e mãe, pai e pai, mãe e mãe.

Ah e tal, mas a pedofilia está muito associada à homossexualidade... Onde é que leram isso? Gente porca há em todo o lado. Não tem a ver com a sexualidade da pessoa, mas sim da perversidade do ser humano. Não é por dar uma maçã podre que vamos achar que a árvore está a morrer.

Ah e tal, mas uma criança precisa de um pai e de uma mãe para o seu equilíbrio. Acredito que sim, que todos precisam de referências femininas e masculinas - mas é para isso que a família e os amigos também servem. Caso contrário, quando existe a morte de um dos progenitores, como se fazia? Ou quando os pais não se dão e a criança só vive com um dos lados? Uma criança pode ter duas mães, nenhum pai, mas pode ter um tio fabuloso ou um avô que faça toda a diferença. Acredito piamente nesta minha opinião. O meu pai sempre trabalhou fora, mas eu sempre tive um tio muito presente, pelo que sempre tive a tal referência masculina.

O preconceito existe. Infelizmente, existe. Temos de lutar contra ele. Ninguém tem nada a ver com a sexualidade dos outros. As pessoas são pessoas, independentemente de amarem homens ou mulheres, e merecem ser felizes. Não podemos querer obrigar os outros a ser felizes de acordo com os nossos conceitos. É profundamente egoísta. 

24 comentários:

  1. Na verdade, acho que não precisamos de referências masculinas e femininas. As características que associamos a ambos os géneros são construções sociais (milenares, sim, mas construções) que estão a ruir. Muito pouco - muito pouco mesmo - do que sou enquanto pessoa se deve à minha identidade de género, um género que me foi entregue com a socialização. Se há pessoas que se identificam mais com o padrão de género? Sim, mas não acho que isso seja necessário e tão-pouco acho que o género tenha tido um impacto positivo nas culturas humanas. Obviamente que a minha conclusão é a mesma que a tua - uma criança não precisa de um pai e de uma mãe, precisa de quem a ame :)

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    1. Tão de acordo com este comentário! :)

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  2. Concordo plenamente com a tua opinião sobre o assunto. Infelizmente acho que ainda vai demorar algum tempo até que este preconceito seja ultrapassado

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  3. Verdade. Que incomode algumas pessoas, eu só tenho de respeitar, e consigo entender, porque mal ou bem a sociedade em geral não foi educada para aceitar por muito que se diga que sim.

    Agora o que me mete mesmo confusão é quando dizem que não é normal. Ah, eu aceito, mas não é normal, ou é uma aberração. Não! Na minha visão, o normal é muitas pessoas se sentir atraídas por pessoas do mesmo sexo. É natural em nós seres Humanos, é natural em muitas outras espécies animais. Faz parte da Natureza. A atracção física ou emocional não é linear, é algo que surge.

    Mas tenho para mim que daqui a uns anos os preconceitos serão totalmente (ou quase) quebrados!
    Isto deveria ser um não assunto de tão natural que é...

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  4. Não poderia estar mais de acordo com o que escreveste!

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  5. Ainda não vi o desta semana mas estou ansiosa!

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  6. Hoje é o dia de quem está onde tantas vezes não está mais ninguém! Hoje é o nosso dia: Feliz Dia Internacional dos Enfermeiros

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  7. Posso assinar por baixo?
    Nunca vi o programa. Não sei bem quando da... Confesso. Mas ando curiosa

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  8. A maioria dos abusadores sexuais de crianças são homens, de meia-idade, casados, heterossexuais e com filhos.
    E a maioria das crianças abusadas sexualmente é-o pelos pais, tios, outros familiares próximos ou amigos próximos da familia.

    Portanto, não é de todo pela maçã podre que se deve ir porque senão nenhum homem de meia-idade poderia ou deveria ser deixado a sós com uma criança. Principalmente se fosse o próprio pai, avô ou qualquer um dos tios. E todos nós sabemos bem que temos na nossa família várias pessoas nessa circunstância, muitos que teriam tido a possibilidade de abusarem de nós se quisessem e nunca o fizeram, certo?

    O resto é preconceito puro. Há vários adultos hoje que foram criados por casais homossexuais (sim, existem e não são poucos, mesmo em Portugal) e os resultados das investigações mostram que não há diferença para com crianças criadas por heterossexuais.
    E mais, ao impedir a adopção não se impede a existência destas familias pois elas existem: ou através de produção independente, casamentos anteriores com pessoa heterossexual, etc a única coisa promovida é a insegurança das crianças nestas situações, principalmente em caso de adopção singular por uma mulher/homem homossexual pois em caso de falecimento a criança é entregue ou aos familiares ou novamente à instituição, sendo que a criança não perde somente 1 figura de vinculação, mas sim as 2 e perde também nesse processo que deveria ser de luto, tudo aquilo que conheceu até então: perde ambos os pais/mães, perde a casa, as amizades, a rede social, a rede familiar e é retirada a todo o seu ambiente.
    Se for entregue à familia da pessoa que estava como adoptante e eles se derem bem, pode ser que a criança tenha sorte. Se essas pessoas não quiserem a criança ou não tiverem condições para tal, mesmo que o pai/mãe que a criança conhece e que está vivo, possa cuidar, ela entra no sistema, é institucionalizada e a pessoa que ela encara como pai/mãe tem que lutar e muito pela custódia, podendo nunca lhe ser atribuída a mesma. Enquanto este processo decorre, pode demorar meses, nos quais uma criança que está a passar por 1 perda é sujeita a esta violência e tudo isto porque há pessoas que misturam religião e a estupidez com o superior interesse da criança e são uns anormais que nem sequer se dignam a estudar os estudos realizados nos últimos 20 ou 30 anos neste âmbito.

    Ps: Eu sou heterossexual e mãe e só de imaginar que, caso eu morresse o meu filho seria tirado do meu marido e institucionalizado ou entregue aos meus pais (a minha mãe faria de tudo para fazer mal ao meu marido), portanto, só de imaginar que o meu filho seria prejudicado pela maldade da minha mãe e estupidez do nosso Estado, dá-me a volta ao estomago.
    E é isto que estas crianças estao sujeitas. SE o Estado pensasse no superior interesse da criança isto nunca viria a ser uma questão.

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  9. Concordo contigo a 100%. O grande problema da homossexualidade, na minha opinião, é aquela minoria de homossexuais que acham que os outros são obrigados a ver "as cenas" que eles fazem. Bem, talvez para se afirmarem, sei lá... Ainda há dias, quando entrei no metro em Lisboa a meio da tarde, vi um casal de homossexuais em grandes amassos, uma coisa mesmo explícita, mesmo à frente de crianças. ATENÇÃO: mesmo que fosse um casal hetero, aquilo não era nem o local nem o momento!!! Das duas uma: ou estavam sob efeito de qualquer coisinha química ou estavam à espera que alguém partisse para a agressão. Juro que ainda olhei para o tecto à procura câmaras ocultas ou coisa do género! Se calhar, aquilo era uma experiência social, sabe-se lá...

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  10. Eu convivi a minha vida toda com lésbicas pois joguei futsal muitos anos e uma boa parte das minhas colegas e das minhas "adversárias" eram homossexuais, uma das minhas melhores amigas também o é e sinto-me indignada com os comportamentos homofóbicos das pessoas. Sinto repulsa, revolta e só me apetece é ofender! Torço sempre para que haja uma situação como houve há uns anos num jantar com pessoal do nosso clube. Um dos dirigentes, que só serve para assinar papelada e nunca está presente, no meio da conversa disse que tinha nojo de gays. A Marisa, a nossa guarda-redes, levanta-se e diz "Então se tens nojo de mim, amanhã não sirvo para representar o teu clube... quero ver qual é a heterossexual que vais conseguir fazer o meu papel!". E vimos o dirigente a ficar pequenino, vermelho e sem resposta. Por vezes é bom confrontar... mas quando soubermos que caso corra mal, há quem nos apoie!

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    1. Brutal. Ahahah. Assim sim :)

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  11. Foi o único programa que vi, uma vez que é um tema que me está mais chegado pois tenho uma familiar muito próxima que é lésbica. Se fosse eu a estar naquela paragem de autocarro, havia muita gente que levava com a mala na cabeça (bem sei que a violência não resolve nada, mas...)

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  12. Concordo tanto mas tanto contigo chuchu....

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  13. Tive mtos amigos gays na juventude e entretanto todos já chegamos aos 40 e picos anos e posso lhe dizer sem nenhuma leviandade que todos eles sem excepção querem miudos de 18 anos pq sabem os riscos q correm com menores por isso a associação à pedofilia n é tão injusta como querem fazer parecer..e se tiver alguma dúvida faça uma pesquisa no facebook a cronologias de homossexuais e perceberá q santos só no céu e nos blogues lol

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    1. Se procurar nas cadeias e em artigos cientificos verá que casos de pedofilia e abusos sexuais são maioritariamente perpetuados por pais de familia, homens casados com mulheres, heterossexuais. Pessoas socialmente reconhecidas como pessoa modelo e das quais nunca se suspeitaria.
      O que acabou de dizer não passa de uma estupidez: afinal a maioria dos homens heterossexuais de 40 anos também procuram miúdas de 18/20 aninhos para ter casos e affairs (e eu também os acho bem nojentos).


      Mas não podemos confundir isso com pedofilia. Pedofilia é ter desejo sexual e praticas sexuais com jovens de idade inferior a 14 anos. Com crianças, desejo sexual por anatomia infantil, etc. Um rapaz ou uma rapariga de 18 anos têm aspecto de adultos e são adultos, jovens adultos mas adultos, estão na sua plena capacidade de maturação para aceitarem e anuirem na prática sexual se assim o desejarem. Uma criança de 7 anos, não.

      A diferença a partir dos 14 até aos 18 anos é que passa a ser considerado abuso sexual de menor em vez de pedofilia. Pois obviamente a capacidade de um jovem mentalmente são aos 14 anos de saber o que está para acontecer é superior a de uma criança de 4/7/10anos. No entanto, continua a ser menor e a ser susceptivel de manipulação e ainda sem ter completado o desenvolvimento cerebral pleno que lhe dá a capacidade de decidir.
      Instrua-se.

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  14. Não percebi bem... Quer dizer que eles querem miúdos de 18 anos porque são cuidadosos mas que na verdade queriam miúdos mais novos?

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  15. Eu, como mulher, não tenho nada a dizer de mulheres homosexuais, mas já das consideradas heterosexuais, principalmente de meia idade e idade mais avançada, tenho e muito, são essas que se escondem na máscara de hetero e de realizadas no casamento, mas que na ver verdade, só não marcha uma mulher que acham atraente porque não há oportunidade...se houvesse!!!

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    1. Olha outra a fazer generalizações parvas... Junte-se ao anónimo de 13 de maio às 22:47!

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  16. Este assunto é um desgaste para mim. Tenho pessoas amigas e na família que são. Sempre convivi muito de perto com isso e é-me super normal. Odeio homofobia. Mete-me asco.

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  17. Completamente de acordo contigo. :) Acredito firmemente que as mentalidades estão a mudar (já mudaram tanto) e os nossos filhos e netos vão poder crescer numa sociedade muito mais humana, tolerante e feliz.

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