segunda-feira, 26 de agosto de 2013

António Borges


O senhor António Borges morreu ontem, apenas com 63 anos, vítima de cancro.

Nos últimos meses fez declarações infelizes, é certo. Declarações que revoltam qualquer português a passar dificuldades, naturalmente. 

A morte não faz de ninguém um santo, não vamos dizer bem dele "só porque morreu". No entanto, mais de 99,9% dos portugueses não o conhecem pessoalmente, não sabem que tipo de pessoa ele é. Conhecem apenas as suas declarações menos felizes. Vai daí, a morte não faz dele santo, mas a morte deveria merecer o nosso respeito. Enoja-me ler declarações como "já vais tarde" ou "não fazias falta nenhuma". 

Não conhecem o homem, conhecem o economista. Ontem partiu o homem, o marido, o pai. Esse merece sempre respeito, mesmo que não concordemos com as suas ideias.

30 comentários:

  1. Subscrevo na íntegra, também ouvi comentários desagradáveis e jucosos acerca do senhor e não gostei. Era uma pessoa, nunca se deve ficar contente c a perda de uma vida ...

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  2. Concordo completamente contigo. Acho que esse tipo de comentários são cruéis para com a família e as pessoas a quem ele era querido e vêm de pessoas com personalidades muito fracas.

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  3. Concordo plenamente!
    As pessoas muitas vezes não distinguem a personalidade pública da privada. Uma personalidade pública é uma pessoa como todas as outras, que fica doente, tem gostos e actividades pessoais, tem pais, filhos, familiares e amigos que merecem ser respeitados nestas horas.

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  4. Por vezes é difícil resistir à tentação, mas também não consigo dizer muitas coisas que vi escritas por aí.
    Fiz uma curta referência com o título "Entrelinhas" e o texto resumiu-se a isto:

    No dia em que algum economista descobrir a fórmula para privatizar a morte, estamos fodidos.
    :|

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  5. Existe uma facilidade enorme, hoje em dia, de dizer esse tipo de coisas e publicá-las algures. Detesto e é uma coisa que me incomoda bastante.

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  6. Confesso que não estou a par das polémicas declarações do senhor. Mas por pior que fossem é de um extremo mau gosto o regozijo pela morte de alguém, ainda para mais vítima de um doença terrível.

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  7. Não poderia estar mais de acordo. A família e amigos merecem respeito e solidariedade neste momento menos bom.

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  8. Na minha opinião, todo o ser humano deve ser tratado com dignidade, principalmente na hora da morte. Nós não somos ninguém para desejar a morte ao próximo, nem para decidir se este ou aquele merece morrer (um dos motivos pelos quais eu sou contra a pena de morte).
    Enfim, nem quero pensar no que a família deve sentir ao ler certas acusações.

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  9. Nem mais, A. Borges era um ser humano como outro qualquer, e na morte todos somos iguais.
    Mas adorei o comentário do somaijum! É isso mesmo, somaijum.

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  10. É tão fácil esquecer o lado humano das pessoas quando elas fazem asneira. Mas isso não devia ser nunca desculpa para dizer coisas dessas!

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  11. As resdes sociais são assim, tanto trazem à tona o bom das pessoas boas como o mau das pessoas mesmo más, lêem-se coisas asquerosas sobre muitos assuntos, na maioria das vezes tapados sob um perfil falso ou anónimo!
    beijinhos

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  12. Subscrevo. Houve realmente imensos comentários de quem mostrou estar indiferente à morte o que revela pobreza de espírito.

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  13. Inteiramente de acordo. As pessoas deviam lembrar-se que os familiares e amigos que cá ficam a sofrer com a perda merecem respeito pela sua dor.

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  14. Concordo com tudo o que disseste!
    Força para a familia e que ele descanse em paz!

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  15. Eu acho que as pessoas nem o economista conheciam, mas sim a pessoa que fez umas declarações que não caíram bem num país em crise. De qualquer forma, que faz comentários maldosos desses, está a ser muito pior do que o homem por trás das declarações polémicas. As pessoas esquecem-se disso com uma facilidade tremenda...

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  16. Não podia concordar mais! Podemos achar que conhecemos os políticos, mas não conhecemos necessariamente o homem por detrás do político! E um homem é sempre um homem, com família, com pais e neste caso com mulher e filhos!

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  17. Ainda que morte de qualquer pessoa mereça respeito, não se pode como bem dizes começar a dizer bem de alguém só porque morreu. Depois, a título pessoal, alguém que viveu a vida nos meandros do mundo dos banqueiros, trabalhou nesse grande Satã que é a Goldman and Sachs, cujo objectivo é apenas ganhar dinheiro e mais dinheiro sem olhar a meios nem regras e muito menos pensar no mal que faz à sociedade, não pode, a meu ver ser pessoa de grande consciência, porque uma coisa era ser um mero empregado desses círculos outra é ser um dos que se senta no topo e próximo do topo, sabendo bem que a única coisa que move todas essas entidades é a mais pura e vil ganância, deixando e espalhando milhares na miséria e escondendo-se por detrás de números, gráficos, acções e mercados financeiros, conhecendo que há miséria mas nunca reconhecendo que são a causa da mesma. Esta é a opinião que tenho da pessoa em causa daí que não me pronuncie sobre a morte do mesmo, mas também se ainda fosse vivo a minha opinião sobre o mesmo não mudaria, nem mudou.

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    1. Gostei tanto. :) Adoro quando posso aprender com quem sabe nitidamente mais que eu. Obrigada!

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  18. Um excelente Economista... um liberal, logo polémico. Como também tenho formação na área, percebo o que defendia... apenas seguir uma escola ideológica, um determinado modelo económico, e como todos os modelos é bom para uns e mau para outros. Mas acima de tudo devemos respeitar a convicção de cada um...

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    1. Isso mesmo, aprender a respeitar convicções.

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  19. Concordo com práticamente tudo o que foi dito.
    Mas também acho que pelo facto de o homem ter morrido, e não ser nenhum santo, não vamos pegar numa esponja e limpar tantas afirmações que denotam uma inconsciência social para lá do tolerável, e que só podem ser produzidas por uma pessoa que auferia 225.000 euros e que dizia que o salario mínimo nacional de 485 euros deveria ser reduzido.
    Que esteja em paz, onde está é o que lhe desejo!

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    1. Sensato/a. Também eu me revoltei com afirmações dele, mas tento respeitar o homem por detrás do economista.

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  20. Há mortes que lamento e de que tenho pena, outras não me dizem nada.
    Esta não me diz e nem me disse nada. E não é pelas declarações infelizes que fez. Não conheci o senhor, nem o trabalho dele o suficiente para lamentar ou criticar.
    Foi-me indiferente a morte dele.

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