A propósito de um texto
neste blogue (o da
Neni), apercebo-me do motivo que me leva a querer ser tão mimada no que toca ao sexo oposto.
O meu primeiro namorado. Lembrei-me de como era adorada e bem tratada naquela altura. De como não o sou nesta altura - por exigir de menos. Do facto de adorar cada presentinho, por mais absurdo que fosse. Lembro-me que uma vez me trouxe um livro daqueles pequenitos (para crianças) do hipermercado Continente só porque tinha na capa a palavra "princesa". Lembro-me de me ter dado um mealheiro cor-de-rosa em forma de coroa... de rainha. Ainda hoje o tenho, está na mesa de cabeceira cá de casa.
Guardava de tudo. Bilhetes de cinema, post-its com mensagens, papéis de embrulho. Recordo-me que, numa certa altura, tinha 7 ramos de girassóis gigantes (os meus favoritos) em cima da secretária. Todos velhos e a pedirem para serem deitados fora, mas insistia em guardá-los.
Lembro-me dele a imitar o detective Horation Caine do CSI Miami. E das parvoíces que dizia porque sabia que eu me ria delas.
Da maneira como eu adorava aqueles olhos azuis. E do facto de nos despedirmos sempre mais de dez vezes, porque um de nós acabava por virar costas e voltar para os braços do outro.
Gostava quando saía de casa e ele me dizia sempre"I love you". Muitas vezes fingia não me lembrar desse ritual, pelo prazer de o ouvir caminhar rápido até à porta e me dizer "então? Esqueceste-te?". Não, não me esquecera. Apenas gostava de reparar que ele nunca se esquecia.
Sou daquelas pessoas que gosta de guardar tudo. Os grandes amores, ainda que não sejam eternos, são lindos de recordar.